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Texto complementar 
No livro Eichmman em Jerusalém: um relato sobre 
a banalidade do mal, a filósofa Hannah Arendt trata 
do julgamento de Adolf Eichmann, um dos principais 
responsáveis pelos campos de concentração nazistas, 
e discute o que seria a banalidade do mal. Ela afirma 
que Eichmman não passava de um burocrata eficiente, 
que cumpria ordens e não se sentia responsável pelas 
mortes. A banalidade do mal, para a autora, se refere 
ao fato de o indivíduo não mais perceber o próprio 
agir, não sendo capaz de se colocar no lugar do outro 
e avaliar o que representa o próprio ato.
O problema com Eichmann era exatamente que 
muitos eram como ele, e muitos não eram nem per-
vertidos, nem sádicos, mas eram e ainda são terrível 
e assustadoramente normais. Do ponto de vista de 
nossas instituições e de nossos padrões morais de jul-
gamento, essa normalidade era muito mais apavorante 
do que todas as atrocidades juntas, pois implicava que 
– como foi dito insistentemente em Nuremberg pelos 
acusados e seus advogados – esse era um tipo novo de 
criminoso, efetivamente hostis generis humanis, que 
comete seus crimes em circunstâncias que tornam 
praticamente impossível para ele saber ou sentir que 
está agindo errado. Sob esse aspecto, as provas no 
caso de Eichmann eram ainda mais convincentes que 
as provas apresentadas no julgamento dos criminosos 
de guerra, cujas alegações de consciência tranquila 
podiam ser descartadas mais facilmente porque combi-
navam o argumento da obediência a “ordens superiores” 
com várias bazófias sobre ocasionais desobediências. 
Mas embora a má-fé dos acusados fosse manifesta, a 
única base para se provar efetivamente a consciência 
pesada seria o fato de os nazistas, e especialmente as 
organizações criminosas a que Eichmann pertencera 
terem estado muito ocupados em destruir a prova de 
seus crimes durante os últimos meses de guerra. E essa 
base era bastante frágil. Não fez mais que comprovar o 
reconhecimento de que a lei de assassinato em massa, 
devido a sua novidade, ainda não era aceita por outras 
nações; ou, na linguagem dos nazistas, que eles tinham 
perdido sua luta para “libertar” a humanidade do “do-
mínio dos subumanos”, principalmente da dominação 
dos Sábios de Sion; ou, em palavras comuns, o fato não 
provara mais do que a admissão da derrota. Algum deles 
teria sofrido de consciência pesada se tivesse vencido?
ARENDT, Hannah. 
Eichmman em Jerusalém: um relato sobre
a banalidade do mal. Trad. José Rubens Siqueira.
São Paulo:
 Companhia das Letras, 1999. p. 299-300.

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