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Atividade Alternativa para aprofundar a reflexão sobre a abertura política no Leste Europeu.
Com suas reformas, Gorbachev estimulou a liberalização do regime também 
nos países do Leste Europeu, sob influência soviética. Com isso, uma onda de 
manifestações pró-democracia espalhou-se pela região entre 1988 e 1990.
Em geral, o processo de abertura foi pacífico. Seu marco principal 
– e também do fim da Guerra Fria – foi a queda do Muro 
de Berlim, em 1989. Em 1990, a Alemanha reunificava-se. 
Três anos mais tarde, a Tchecoslováquia dividiu-se pacifi-
camente em dois países, a República Tcheca e a Eslováquia.
Um dos poucos regimes comunistas que caíram violentamente 
foi o da
 
Romênia. O governo de Nicolae Ceausescu, marcado 
pelo autoritarismo e pela corrupção, chegou ao fim depois 
que a população prendeu e executou o ditador e sua 
esposa, em dezembro de 1989.
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inteRpRetandO dOcuMentOs: textO
O trecho a seguir é um 
fragmento da obra O Fim 
do Homem Soviético, escrito por Svetlana Alek-
siévitch, ganhadora do Prêmio Nobel de Lite-
ratura em 2015. Ela nasceu na região da União 
Soviética, em 1948. A partir dessas informa-
ções e da leitura do trecho a seguir, responda 
ao que se pede:
Relato 1
Uma noite, vínhamos do cinema, um homem jazia numa 
poça de sangue. Nas costas tinha um buraco de bala na gabardi-
na. Ao lado dele estava um polícia. Foi a primeira vez que vi uma 
pessoa assassinada. Depressa me acostumei a isso. [...] Todas as 
manhãs encontravam um cadáver no pátio e nós já nem estre-
mecíamos. Tinha começado o capitalismo a sério. Com sangue. 
Eu esperava sentir um choque, mas não sentia. Depois de Stalin 
ficamos com uma atitude diferente em relação ao sangue… 
Lembramo-nos de como os nossos matavam os nossos… E das 
mortes em massa de pessoas que não sabiam por que as mata-
vam… Isso manteve-se, está presente na nossa vida. Crescemos 
entre carrascos e vítimas… Para nós é normal vivermos juntos. 
Não há fronteira entre o estado de paz e o estado de guerra. 
Relato 2
Por que não condenamos Stalin? Eu dou-lhe a resposta… 
Para condenar Stalin, era preciso condenar os nossos familia-
res e conhecidos. As pessoas mais chegadas. Falo-lhe da minha 
família… O meu pai foi preso em trinta e sete; graças a Deus, 
voltou, mas cumpriu dez anos. Voltou e tinha muita vontade 
de viver… Ele próprio se admirava de querer viver depois de 
tudo o que tinha visto… Isso não acontecia a todos, nem de 
longe… A minha geração cresceu com os pais que voltavam 
das prisões ou da guerra. A única coisa que eles nos podiam 
contar era acerca da violência. Da morte. Raramente se riam
estavam muito tempo calados. E bebiam… bebiam… No fim 
de contas tornavam-se alcoólicos. Uma segunda variante… 
Aqueles que não eram presos receavam que os prendessem. 
Tudo isto durava não um mês ou dois, mas anos – anos! E se 
não os prendiam, punha-se a questão: por que é que prendem 
todos, e a mim não? O que é que eu faço de errado? Podiam 
prender, ou podiam mandar trabalhar para o Ministério do 
Interior… O Partido pede, o Partido ordena. A escolha era de-
sagradável, mas muitos tinham de fazê-la. E agora acerca dos 
carrascos… Pessoas comuns, não horríveis. O meu pai foi de-
nunciado por um vizinho… o tio Iura… Por uma ninharia, como 
dizia a minha mãe. Eu tinha 7 anos. O tio Iura levava-me à pesca 
com os filhos dele, levava-me no cavalo. Consertava a nossa 
vedação. Compreende, temos um retrato completamente di-
ferente do carrasco – um homem comum, até bondoso… Nor-
mal… Prenderam o meu pai e alguns meses depois levaram um 
irmão dele, meu tio. No tempo de Iéltsin deram-me o processo 
dele, havia lá diversas denúncias, uma delas assinada pela tia 
Ólia… Uma sobrinha… Uma mulher bonita, alegre… Cantava 
bem… Quando ela já era velha, perguntei-lhe: ‘Tia Ólia, fala-
-me do ano de trinta e sete…’ ‘Esse foi um ano feliz na minha 
vida. Estava apaixonada’, respondeu-me ela… O irmão do meu 
pai não voltou para casa. Desapareceu. Na prisão ou num cam-
po de detenção, não se sabe. Para mim era difícil, mas mesmo 
assim fiz a pergunta que me atormentava: ‘Tia Ólia, por que 
é que fizeste isso?’ ‘Onde é que viste uma pessoa honesta no 
tempo de Stalin?!’ (Silêncio) E havia ainda o tio Pável, que ser-
via na Sibéria, nas tropas do Ministério do Interior… Compre-
ende, não existe o mal quimicamente puro… Não eram apenas 
Stalin, Beria… Era também o tio Iura, e a bonita tia Ólia…
ALEKSIÉVITCH, Svetlana. O fim do homem soviético.
Portugal: Porto Editora, 2015.
a) De que maneira o primeiro relato descreve 
a passagem do comunismo ao capitalismo 
na região da União Soviética? No relato, 
há uma valorização do período comunista 
como um período de paz e segurança para 
os indivíduos que viviam na União Soviética?
b) O segundo relato é uma reflexão sobre os 
crimes cometidos pelo regime stalinista e 
o envolvimento de pessoas comuns nessa 
questão. De que modo a pessoa entrevis-
tada justifica que a população da União 
Soviética nunca tenha condenado Stalin 
por seus crimes?

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