Horizontes y dilemas del pensamiento contemporáneo en el sur global



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II Congreso Latinoamericano de Teoría Social y Teoría Política

“Horizontes y dilemas del pensamiento contemporáneo en el sur global” Buenos Aires, 2 al 4 de Agosto de 2017








II Congreso Latinoamericano de Teoría Social y Teoría Política

“Horizontes y dilemas del pensamiento contemporáneo en el sur global”

Buenos Aires, 2 al 4 de Agosto de 2017

Mesa 12 - Lenguaje, Deseo, Cultura. Perspectivas estructuralistas y posestructuralistas

“Foucault com Deleuze: o social, entre as resistências e as fugas”

Murilo Duarte Costa Corrêa

Correo electrónico:

Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil

Resumen

Este ensaio situa os encontros e desencontros entre Michel Foucault e Gilles Deleuze para estimar as aproximações e distanciamentos entre os conceitos que parecem sustentar suas visões do social. Seguindo uma metodologia construcionista, o primeiro item expõe as relações biográficas e conceituais que os uniram, e os desacertos que os distanciaram, a fim de propor, nos itens seguintes, as noções de resistências, em Foucault, e de linhas de fuga, em Deleuze, como categorias elementares de suas visões aparentemente heterogêneas sobre o social. Propomos que a análise dessas duas categorias, geralmente marginalizadas pelos comentadores desta relação, apreendidas segundo uma lógica diferencial (disjunção-inclusiva), é essencial para a compreensão dos pontos de contato e das diferenças que percorrem suas concepções do social. A partir de Désir et plaisir (1977), a carta em que Deleuze comenta os rumos da pesquisa foucaultiana a partir de La volonté de savoir (1976), retraçamos os rumos do aparente impasse em que Foucault ingressara com a publicação do primeiro volume de L’histoire de la sexualité; ainda, investigamos a saída criadora do último Foucault e suas específicas diferenças em face da concepção deleuziana do social, apresentada em outros textos, para além de Désir et plaisir. No último item, o ensaio se vale do diagnóstico de Bruno Latour sobre a dispersão da noção de social, e da recuperação da clássica polêmica entre Gabriel Tarde e Émile Durkheim, para problematizar, de maneira ainda embrionária, como as noções de resistências e de fugas poderiam contribuir para renovar as ciências e as teorias do social, propondo descrever o social como o que se passa entre as resistências e as fugas, tornando possível captar os pontos em que as resistências prenunciam fugas e devires, e em que as fugas podem consolidar-se em resistências, que dão forma a nosso corpo a corpo diário com os dispositivos de poder e controle.

Foucault com Deleuze:

o social, entre as resistências e as fugas

Murilo Duarte Costa Corrêa1

Je n'ai jamais rien écrit que des fictions...”

Michel Foucault

Mais jamais fiction n'a produit tant de vérité et de réalité”

Gilles Deleuze

1 Foucault com Deleuze. – “Eis como eu vejo as coisas: para mim, você é aquele que, na nossa geração, faz uma obra admirável e realmente nova. Eu me vejo mais como alguém cheio de uns bons 'trequinhos', mas comprometido por muitos pedaços ainda escolares demais (talvez isso tenha fim com a esquizofrenia, mas não estou certo)” (Deleuze 2015 : 68). É assim que Gilles Deleuze (1925-1995), um dos mais inovadores filósofos do século XX, define o trabalho de Michel Foucault em uma carta endereçada a ele, datada provavelmente do final do ano de 1970. Poucos meses antes, Foucault (2001a : 944) havia deixado para sempre inscrito no pórtico de seu Theatrum Philosophicum um dos maiores testemunhos de sua admiração pela filosofia de Deleuze: “Un jour, peut-être, le siècle sera deleuzien” – embora Deleuze (2008 : 111-112) creditasse a frase ora ao “humor diabólico” de Foucault, ora à profunda inocência que Foucault talvez encontrasse em sua primeira filosofia.

Era outubro de 1952. Na companhia de Jean-Pierre Bamberger, Deleuze assiste a uma conferência de Foucault, então assistente de psicologia na Universidade de Lille, e retém a impressão de que o que ouvira “era muito nitidamente de orientação marxista”. Mais tarde, em um jantar que parecia prenunciar uma relação “glacial e sem futuro” (Dosse 2010 : 255), entre os dois “não passa corrente” (Eribon 1989: 83).

O próximo encontro teria de esperar dez anos. Foucault havia se tornado professor em Clermont-Ferrand e terminava de publicar Raymond Roussel e La Naissance de la Clinique, enquanto Deleuze escrevia um Nietzsche que fascinaria Foucault a tal ponto que este recomendaria Deleuze para o lugar deixado por Jules Vuillemin, eleito para o Collège de France. Apesar da unanimidade no departamento de filosofia de Clermont-Ferrand, Deleuze terminaria preterido por uma indicação política e se instalaria em Lyon. Poucos anos mais tarde, ambos assinariam uma Introduction Générale (Foucault 2001a : 589-592) às Œuvres Complètes de Nietzsche, editadas pela Gallimard.

Esse encontro filosófico seminal em torno de Nietzsche, e da partilhada da amizade de Pierre Klossowski, se desdobraria em 1968. Escolhido para implantar o departamento de Filosofia da Université de Vincennes, Foucault recorre a Deleuze que, em um primeiro momento, recusa o convite por razões de saúde (Eribon 1989 : 215). No mesmo ano, Foucault consegue reunir althusserianos, lacanianos, estruturalistas e maoístas em torno da proposta interdisciplinar de Vincennes. É o caso de Judith Miller (filha de Jacques Lacan), Alain Badiou, Jacques Rancière, François Regnault, René Schèrer, Étienne Balibar e François Châtelet (Dosse 2010 : 285). Deleuze dará cursos em Vincennes até sua aposentadoria, mas apenas a partir de 1970 – ano em que Foucault é eleito para suceder Jean Hyppolite no Collège de France.

No início dos anos 70, Deleuze se aproxima de Foucault e participa ativamente do Grupo de Informações sobre as Prisões (GIP), um grupo de pesquisa descentralizado que, apesar de nascer ligado aos presos políticos do pós-Maio de 68, rapidamente se autonomiza. O interesse de Deleuze parecia repousar em sua forma de organização descentralizada, plural e efetivamente resistente (Deleuze 2008 : 110-111), atuando tanto nas prisões quanto em casos de racismo e repressão (Dosse 2010 : 257-258). As intervenções do GIP fornecerão a matéria para que Foucault e Deleuze (1972) restabeleçam o papel do intelectual, decretando o nascimento de novas relações entre teoria e prática (“Não há mais representação”, declarava Deleuze, “há tão somente ação”), mas também reconfigurando sua função: “lutar contra as formas de poder exatamente onde ele, como intelectual, é ao mesmo tempo o objeto e o instrumento” (Deleuze 2006 : 266). Assim, o intelectual deixava de ser universal para se tornar específico. Enquanto Foucault escreve Surveiller et punir (1974), e deduz da prática penitenciária sua microanálise do poder disciplinar, Deleuze conhece uma celebridade inédita com a publicação de L'Anti-Œdipe (1972), ao lado de Félix Guattari2.

A partir de 1977, desacordos de ordem política e filosófica marcam o início de um silêncio que durará até a morte de Foucault, em 1984. Há o caso Klaus Croissant, a questão israelo-palestina, a postura inconciliável diante do recém-eleito governo Mitterand, e do advento dos “novos filósofos”, a questão polonesa, a publicação de La volonté de savoir, e as notas de leitura confiadas a François Ewald, com que Deleuze lhe responde, e que parecem ter ferido Foucault profundamente: “Logo depois, Foucault decidiu nunca mais ver Deleuze” (Miller 1994 : 297). A publicação do primeiro volume de Histoire de la sexualité, em 1976, marcará a interrupção da pesquisa foucaultiana em curso. Esse texto, que segundo Miller (1994, p. 297) poderia ser lido como “uma crítica velada” à noção repressiva de poder presente no Anti-Édipo, suscitará reações adversas no meio intelectual francês, como a publicação de Oublier Foucault (1977), de Jean Baudrillard. Também assinalará o advento de uma crise pessoal e intelectual que acomete Foucault; uma espécie de “impasse” ao qual Deleuze tentará, após o desaparecimento do amigo, restituir força e sentido.3

Nos últimos anos, Deleuze (2008 : 105) tinha a impressão de que Foucault queria “estar só, ir para onde não pudessem segui-lo, exceto alguns íntimos”. Embora eles não tenham mais se visto, Foucault, ao saber que iria morrer, manifesta o desejo de se reconciliar com Deleuze (Dosse 2010 : 268). Todavia, Foucault não parte com o silêncio de Deleuze, nem carregando a extinção de sua amizade4. Durante as últimas homenagens, Daniel Defert – o companheiro de Foucault, a quem Deleuze dedicará o pequeno livro que leva o nome do amigo – convida Deleuze a tomar a palavra. Ele lê excertos de L'Usage des plaisirs.

Entre 1984 e 1986, Deleuze não cessou de falar de Foucault: em seu Foucault, em textos esparsos, colóquios, entrevistas, nos dois cursos de Vincennes que precederam sua aposentadoria: “[...] que Foucault existisse, com essa personalidade tão forte e tão misteriosa, que ele tenha escrito livros tão belos, com tal estilo, nunca senti em relação a isso senão alegria” (Deleuze 2008, p. 107). Nos anos que se seguiram ao desaparecimento de Foucault, Deleuze não cessou de afastar todos os mal-entendidos e as “bobagens raivosas” acerca de sua sua obra: da polêmica sobre a “morte do homem”, de Les mots et les choses, ao suposto “retorno ao sujeito”, que jamais existiu no último Foucault, em um dos mais profundos tributos de lealdade alegre a que sua geração assistiu.






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