Histórico e contextualização do Programa



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PROPOSTA DO PROGRAMA

2016

Histórico e contextualização do Programa

O ensino da antropologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS teve seu início em 1942, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e a cátedra de Antropologia e Etnologia, no curso de graduação em História e Geografia. Em sua origem, a antropologia possuía uma marca predominantemente física e biológica, com ênfase na etnologia e na arqueologia. Os primeiros catedráticos foram médicos e sacerdotes católicos, autodidatas, que não possuíam formação formal específica em antropologia. As primeiras disciplinas ministradas foram Etnologia Geral, Etnologia do Brasil e Antropologia Física/Biológica. Esta marca muda, no entanto, quando, a partir da década de 1960, são designados como assistentes na Cátedra de Antropologia professores com formação em história.


Em 1970, com a Reforma Universitária, a faculdade foi transformada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, com quatro departamentos: Filosofia, Psicologia, História e Ciências Sociais e foi suprimido o regime de cátedra. Neste novo contexto institucional, foi criada a primeira vaga específica para antropologia, ocupada por um professor com formação em ciências sociais. Quatro anos depois, seria criado o Curso de Especialização em Antropologia Social, marco do início do Programa. Em 1979, foi criado o curso de Mestrado e, em 1991, o curso de Doutorado em Antropologia Social.
Desde sua criação, o PPGAS/UFRGS destacou-se no que diz respeito à relevância, originalidade e repercussão de sua produção científica, dirigida inicialmente aos campos da urbanização, sociedade e cultura, corpo e saúde, religião e família, gênero e grupos populares. Foi constante a inserção de seus pesquisadores nas políticas de gestão científica e em órgãos representativos como a Associação Brasileira de Antropologia e Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais, bem como a formação de pesquisadores que hoje ocupam posições relevantes no campo nacional, especialmente posicionados atualmente em programas de pós-graduação da região Sul do Brasil. Já evidente desde os seus primórdios também está uma política simultânea de internacionalização da pesquisa e atenção aos problemas nacionais, manifestada, sobretudo, na produção de projetos de pesquisa com captação de recursos de instituições internacionais, como, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde (projeto Who Body, na década de 1990), os quais foram decisivos para a abertura de novos campos de trabalho, como aquele relacionado à antropologia do corpo e da saúde.
Mais de quarenta anos depois de seu início, o PPGAS/UFRGS destaca-se no cenário nacional e internacional pela sua inserção social, pela formação de pesquisadores e pela cooperação de pesquisa com outras instituições acadêmicas do país e do exterior, especialmente (mas não exclusivamente) no âmbito do Mercosul, o que evidencia a repercussão de sua produção científica. A sua excelência acadêmica é reconhecida pela Capes que, em 2013, concedeu-lhe a nota 07 (sete), depois de ter mantido, nos três triênios anteriores, a nota 06 (seis). A diversidade e a originalidade de suas linhas de pesquisa abarcam atualmente campos de debate em torno dos direitos humanos, economia e política, urbanização, cultura e diversidade social, antropologia visual, estudos sociais sobre ciência e tecnologia, antropologia do corpo e da saúde, relações humano-animais, religião e modernidade e ética em pesquisa antropológica. Tais linhas de pesquisa articulam-se em torno de um projeto coletivo que dá identidade ao PPGAS/UFRGS e também projeção nacional e internacional, evidenciada na proposição de grupos de trabalho, mesas redondas e jornadas e reuniões científicas nacionais e internacionais, assim como na produção de novos campos de trabalho acadêmico relacionados à ciência, direitos humanos e tecnologias de governo e relações humano animais, que se adicionam às demais problemáticas de estudo já clássicas no PPGAS/UFRGS e ora mencionadas. Periodicamente, o PPGAS/UFRGS é organizador de eventos científicos importantes da área, em colaboração com outras redes de pesquisa, como a Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia, as Jornadas da Infância e Família, o Seminário Olhares Diversos e Contemporâneos e os Colóquios Individualismo, Sociabilidade e Memória.
A internacionalização do PPGAS/UFRGS se expressa na produção científica de seus pesquisadores, na sua força de atração de estudantes estrangeiros de mestrado, doutorado e pós-doutorado, na abrangência de seu campo de pesquisa empírica - que abarca, hoje, os cinco continentes -, na presença contínua de professores visitantes de diversos países no quadro de seus docentes temporários e na proposição de projetos de pesquisa e redes de colaboração nacionais e internacionais. A vinculação de seus pesquisadores em organizações científicas e editorias e revisões de periódicos nacionais e internacionais evidencia a relação do PPGAS/UFRGS nas políticas de gestão e de produção científica. A partir de 2016 o PPGAS adotou uma política de ações afirmativas dirigidas ao ingresso e permanência de indígenas, negros e pessoas com deficiência, incrementando suas práticas de inserção social e de atenção aos problemas políticos nacionais de equidade e justiça social. Tais práticas também se expressam na contínua produção de cursos de extensão, consultorias e projetos de pesquisa dirigidos a entidades e organizações públicas, com relevância para a elaboração de políticas públicas de impacto social e comunicação com a sociedade.

Esta comunicação é efetivada, ainda, através da relevante característica do PPGAS/UFRGS de edição de vários periódicos científicos com mérito reconhecido pelas instituições de gestão acadêmica. O PPGAS/UFRGS conta com a edição de quatro periódicos científicos, o que manifesta a sua influência nas políticas de divulgação científica. O Programa publica, desde 1995, a revista Horizontes Antropológicos, classificada pelo sistema Qualis da Capes como A1, e as revistas dos núcleos do programa, todas elas também com boas classificações no sistema de certificação: Debates do NER (Qualis B1), Espaço Ameríndio (Qualis B1) e Iluminuras (Qualis B1). Outro meio de comunicação eficaz com a sociedade mais ampla é o próprio site do PPGAS, em que está divulgada tanto a política institucional do Programa quanto os eventos, bancas de trabalhos de conclusão e cursos oferecidos.


No que diz respeito à formação de pesquisadores, os professores e estudantes podem usufruir de uma ampla infraestrutura para pesquisa, com o acervo de uma das bibliotecas mais importantes em ciências sociais do país. Professores e estudantes contam com bolsas de mestrado, doutorado, pós-doutorado e produtividade em pesquisa financiadas, em sua maioria, pela CAPES e pelo CNPq, bem como com auxílios fornecidos pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG) da UFRGS e pelo próprio PPGAS/UFRGS para pesquisa de campo e para participação em eventos científicos. Aos professores, estimula-se a participação em editais de projetos de pesquisa, extensão e produtividade em pesquisa, lançados pela CAPES, CNPq e PROPG/UFRGS, além da periódica realização de pós-doutoramentos. No ano de 2016, três docentes estiveram envolvidos em pós-doutoramentos (dois na Holanda e um em Portugal), além de um docente que esteve envolvido em estágio sênior no exterior (nos Estados Unidos), o que revela uma política de aprimoramento de quadros.
Todo este incentivo na participação em atividades de pesquisa e capacitação de quadros manifesta-se, sobretudo, na reconhecida produtividade de seus docentes. Ao final de 2015, o Programa contava com 16 docentes permanentes; mais de 90% do corpo de docentes permanentes possuíam bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq, sendo 50% desses em nível de bolsa PQ 1. Com a aposentadoria de uma professora e o ingresso de dois docentes ao longo do ano de 2016, o Programa conta com 17 docentes permanentes, sendo que mais de 80% desses possuem bolsa de produtividade em pesquisa, mantendo-se a distribuição de 50% em nível PQ1. Estes dados demonstram a renovação do quadro docente, efetivada com equilíbrio em termos de excelência de pessoal. Esta afirmação é corroborada quando se analisa o ingresso de docentes no PPGAS/UFRGS nos últimos dez anos, que evidencia um ingresso de seis novos professores (cerca de 30% de seu quadro atual, portanto), sendo que 50% desses ingressaram no PPGAS/UFRGS já com bolsa PQ, o que também expressa a excelência do Programa em termos de atração de novos profissionais.
Outro aspecto a ser ressaltado é a própria diversidade dos docentes permanentes em termos de locais de formação. Considerando-se o local de doutoramento dos 17 docentes permanentes, é possível perceber que cerca de 90% do quadro de docentes permanentes efetivou seu doutorado em outras instituições que não o PPGAS/UFRGS (15 docentes), sendo mais de 40% desses (7 docentes) em instituições fora do Brasil. O corpo docente do PPGAS/UFRGS é também equilibrado em termos de tempo decorrido desde o doutorado, havendo 9 professores com tempo de doutorado menor do que 15 anos (52% do total) e 8 professores com tempo de titulação de doutorado há mais de 15 anos (48% do total).
No que diz respeito à formação de recursos humanos, há a produção de editais internos, periódicos (semestrais), para o financiamento de pesquisa de campo e para participação em eventos científicos de estudantes, o que representa a efetivação de uma política institucional que estimula a interlocução com grupos e redes de pesquisa nacionais e internacionais, além da realização de etnografias com focos mais amplos do que aqueles relacionados ao Rio Grande do Sul e ao Brasil. Em 2016, ainda, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFRGS, sensibilizada com os cortes orçamentários para a pós-graduação e os atrasos no envio de recursos por parte das entidades financiadoras nacionais, destinou cerca de 50% do recurso anual usualmente atribuído pela CAPES ao PPGAS/UFRGS para auxiliar em despesas de custeio. O PPGAS/UFRGS destinou cerca de 90% desse recurso ao financiamento de despesas de trabalho de campo e participação em eventos científicos de alunos. Normalmente, cerca de 30% dos recursos de custeio provenientes do PROEX/CAPES é destinado a esses auxílios para discentes, o que expressa um investimento significativo na formação de recursos humanos.
A partir da implementação das políticas afirmativas em 2016, o PPGAS/UFRGS também modificou sua política de concessão de bolsas de estudo, adicionando ao mérito das notas de ingresso na seleção para mestrado e doutorado os critérios de ingresso por ações afirmativas e situação socioeconômica e familiar que justifique a necessidade da bolsa. A composição desses elementos visa estimular a formação de pesquisadores de forma a associar claramente política e ciência, simultaneamente enfatizando práticas de equidade e justiça social com mecanismos de incentivo a excelência acadêmica, de forma a produzir ricas aberturas para novos saberes e práticas em pesquisa antropológica. A continuidade dessas práticas é um desafio para o PPGAS/UFRGS que conta com a defesa, ao longo de sua existência, de 117 teses de doutorado - sendo 10 teses de doutorado defendidas em 2016 - e 299 dissertações de mestrado no Programa - sendo 14 dissertações de mestrado defendidas em 2016.
No que diz respeito a sua estrutura institucional, o PPGAS/UFRGS está fundado sobre o seu Conselho de Pós-Graduação – formado no final de 2016 por 17 docentes permanentes, três docentes colaboradores e quatro representantes discentes – e sobre sua Comissão de Pós-Graduação, composta pela coordenadora, pelo coordenador substituto e pela representante docente – eleita pelos docentes do Conselho – e por uma representante discente, eleita pelos alunos e alunas. O Programa também conta com uma Comissão de Bolsas, responsável pela distribuição anual das bolsas de estudo para os estudantes e pela implementação da política de bolsas do Programa, assim como uma Comissão de Ações Afirmativas e uma Comissão de Acessibilidade, ambas criadas no ano de 2015, com o objetivo de promover o acesso e a permanência de negros, indígenas e deficientes na pós-graduação em antropologia da UFRGS. Todas as comissões são compostas por discentes e docentes do Programa. A Equipe Administrativa é formada por um secretário executivo e por duas bolsistas que auxiliam na secretaria.
Por fim, o Programa conta com ainda com o Laboratório de Antropologia Social e com diversos núcleos e grupos de investigação que desenvolvem projetos de pesquisa, de extensão e consultorias em áreas clássicas e inovadoras da antropologia. Destaca-se a importância dos núcleos e grupos de pesquisa para o projeto de qualificação, inserção social e internacionalização do PPGAS/UFRGS, uma vez que proporcionam a contínua coletivização do conhecimento e abertura para interlocuções criativas entre os próprios docentes, entre docentes e discentes, entre pesquisadores de vários graus de formação (proporcionando a relação da pós-graduação com a graduação) e entre a pós-graduação e organizações e instituições públicas (através de projetos de pesquisa, consultorias e cursos de extensão). Atualmente, o Programa conta com atividades dos seguintes núcleos e grupos de pesquisa:
- NACi – Núcleo de Antropologia e Cidadania: O NACi foi criado em 1995, tendo como principal preocupação entender os processos de construção da cidadania e da democracia brasileira e sul americana. O núcleo visa realizar uma análise crítica das noções de cidadania e justiça nas suas intersecções com a produção da vida social. Toma como objeto de investigação legislações e novos “direitos”, assim como projetos e programas de intervenção entre grupos populares urbanos, rurais e de minorias étnicas. Também, empreende-se a análise das moralidades e subjetividades implicadas na conformação de práticas de governo de indivíduos e populações, assim como dos saberes, tecnologias e ciências. Temas como imigrações, identidade social, etnicidade, direitos étnicos, infância, adolescência, cidadania, direitos humanos e práticas de justiça têm sido os eixos de discussão constante nas produções do núcleo. O núcleo está integrado ao Departamento de Antropologia Social e ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS. Participam dele estudantes da graduação e da pós-graduação, assim como professores e pesquisadores vinculados a UFRGS ou a outras instituições de ensino superior do Brasil e do exterior.

 

Navisual – Núcleo de Antropologia Visual: O Navisual tem por objetivo desenvolver estudos em antropologia fazendo recurso de instrumentos audiovisuais. Tem por meta dar suporte teórico e metodológico aos projetos e linhas de pesquisa dos professores, de pesquisadores e dos discentes de mestrado e doutorado interessados em antropologia visual. Empenha-se igualmente na formação de alunos(as) de iniciação científica e de qualquer interessado(a) na produção científica em antropologia visual. Prioriza-se a pesquisa etnográfica relacionada a captação de imagens, edição, publicação ou circulação da produção científica. Estimula igualmente o aprendizado conceitual da teoria da imagem e antropológica e o conhecimento técnico no uso de equipamentos para a pesquisa de campo e elaboração de produtos. O Navisual mantém intercâmbios nacionais e parcerias internacionais, participa de congressos e promove eventos divulgando a produção científica dos pesquisadores do núcleo. Tem como atividades reuniões de formação e orientações de pesquisa, cursos de aprendizado, ateliês e oficinas semanais, organização de acervo documental (vídeos, exposições fotográficas, livros, periódicos, discos, DVDs, fotografias).





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