Histórico e contextualização do Programa


Informo a seguir em quais pontos o Programa pode melhorar



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Informo a seguir em quais pontos o Programa pode melhorar:


O primeiro ponto a destacar diz respeito à infraestrutura física para o seu funcionamento. Os prédios que abrigam o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) são os mesmos da década de 1970, quando os programas de pós-graduação atuais ainda não existiam. O IFCH está restrito ao mesmo espaço físico de 40 anos atrás, sendo que neste período de tempo foram criados um curso de graduação em Políticas Públicas e 06 programas de pós-graduação: Antropologia e Sociologia (CAPES notas 7); Filosofia e História (CAPES notas 6); Ciência Política (CAPES nota 5) e Políticas Públicas (CAPES nota 5). A UFRGS não tem conseguido responder às necessidades impostas pelo crescimento e a conquista dos níveis de excelência de sua pós-graduação. No caso da Antropologia, as salas da maioria dos professores se tornaram núcleos de pesquisa, os quais abrigam os alunos de graduação, de pós-graduação, os pós-doutorandos e os professores visitantes em estágio sênior.
Um dos problemas mais significativos do IFCH é a falta de condições de acessibilidade para estudantes deficientes. Em 2015, o PPGAS da UFRGS passou a contar com uma Comissão de Acessibilidade que, entre outras tarefas, está reunindo relatos de alunos deficientes e suas dificuldades de acesso aos prédios e equipamentos da universidade. Tal Comissão vem constatando a inadequação das estruturas existentes, assim como a necessidade de transformações significativas nos prédios, salas e banheiros, para adequar-se ao uso de pessoas deficientes. A ideia é, de um lado, provocar o debate institucional para a necessidade de transformações nos espaços existentes e, de outro lado, incentivar a acolhida dos direitos das pessoas deficientes nos espaços da pós-graduação em antropologia. Para que isto possa ser feito com sucesso, a mudança da infraestrutura física do IFCH é fundamental.
Associada à precariedade do espaço físico, está à precariedade do suporte técnico-administrativo que a UFRGS oferece para o funcionamento da pós-graduação, particularmente para as demandas dos cursos CAPES/PROEX. Quando o Programa iniciou suas atividades de mestrado, em 1979, contava com uma secretária. Neste ínterim, foi criado o doutorado, foram incorporados novos professores, o número de alunos foi multiplicado por 20, surgiram os núcleos, os grupos de pesquisa, foram galgados todos os estratos de excelência até alcançar a nota 7 e o ingresso no CAPES/PROEX, no entanto, o Programa continua com uma única secretária. A gestão das 4 revistas do PPGAS também se realiza sem o suporte de um profissional administrativo, contanto com a disponibilidade, colaboração e comprometimento dos docentes editores dos periódicos.
Ressaltamos aqui, também, a volumosa transferência de serviços e atividades administrativas das Pró-Reitorias para os Programas CAPES/PROEX. Cito alguns: prestação de contas direta a CAPES, gerenciamento das bolsas CAPES de doutorado e mestrado; compra de passagens e reserva de hotéis para professores visitantes e participantes de bancas; compra de material de custeio e permanente, que exigem fazer empenhos e licitações, a gerência de recursos disponibilizados aos alunos em editais de participação em eventos e de trabalho de campo etc. Ao lado destas atividades, diretamente vinculadas ao gerenciamento, a excelência e a internacionalização exigem que o Programa tenha projetos de pesquisa, aprovados em editais nacionais e internacionais, que também demandam o gerenciamento por parte da secretaria. A resposta a tais demandas, dada pela UFRGS, por meio da alocação de estudantes com bolsa trabalho para auxiliar a secretaria e a coordenação do Programa é insuficiente para a demanda de trabalho que a gerência e a secretaria de um Programa CAPES/PROEX exigem. Além de terem uma grande rotatividade, os bolsistas precisam ser acompanhados e supervisionados nas atividades que lhes são atribuídas, visto que a responsabilidade recai necessariamente sobre a coordenação e a secretaria do Programa.
Outra dificuldade que presenciamos é refere-se ao fato da internacionalização dos programas de antropologia demandar que o trabalho de campo não fique restrito ao contexto nacional. É próprio da antropologia a comparação de culturas e a pesquisa empírica em sociedades distantes daquela em que o antropólogo foi socializado. No entanto, pelas regras da CAPES, o Programa não tem como dar recursos para que seus alunos possam realizar trabalho de campo por um período de um ou dois anos no exterior. O Programa entende como uma urgência a CAPES buscar, no âmbito do PROEX, um marco legal que permita o financiamento e realização de trabalho de campo de média e longa duração fora do país ou em sociedades distantes da sua localização. O Programa tem mantido relações internacionais e intercâmbios com a América Latina, Estados Unidos, África e Europa. Contudo, faz-se necessário ampliar os circuitos de interlocução, de modo a incluir países como Índia, China e Austrália. Tais relações deveriam concentrar-se não somente por meio da realização de trabalhos de campo, o que já vem ocorrendo, mas também a partir do diálogo com as perspectivas teóricas produzidas naqueles contextos.
Da mesma forma, dada a discussão sobre as políticas afirmativas no âmbito do PPGAS, iniciada em 2015, urge demandar com seriedade a colocação em prática de possibilidades de fomento de pesquisas nesta área e, fundamental e prioritariamente, afirmar compromissos institucionais para além dos próprios programas de pós-graduação, na destinação de bolsas de estudo específicas para os alunos cotistas. Trata-se de se comprometer com uma política de inclusão e promoção de direitos que não pode, simplesmente, ficar a cargo dos programas de pós-graduação. O PPGAS da UFRGS está engajado, através do trabalho conjunto entre a coordenação do programa e a Comissão de Ações Afirmativas, para encontrar soluções criativas que permitam a criação de possibilidades de inclusão e permanência de alunos cotistas, mas refere que uma política mais ampla, para além das vontades individuais de cada programa, é fundamental para o sucesso de uma política de pós-graduação inclusiva e socialmente justa.






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