História do Tempo Presente: oralidade, memória, mídia



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História do Tempo
Presente nos
programas estaduais
para a high school nos
Estados Unidos da
América:
comentários sobre a vulgata histórica
nacional e transnacional (1999-2014)
Itamar Freitas
Neste texto, apresentamos alguns resultados da pesquisa
empreendida no Programa de Pós-Graduação em História
da Universidade de Brasília, intitulada História do tempo
presente na formação de pessoas: prescrições brasileiras,
francesas e estadunidenses para o ensino secundário (1999-


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2014)
1
, cujo objetivo é explorar os usos públicos da história, as
distinções entre passado e presente operadas por várias culturas e
historiografias (BEVERNAGE; LORENZ, 2013), bem como as
relações entre política, história, Estado e produção do conhecimento
histórico (MARTINS, 2006), em perspectiva transnacional
(MARTINS, 2011).
Aqui, o tempo presente ideal típico corresponde à experiência
dos séculos XX e XXI. A temática, entretanto, adequável às
circunstâncias dessa mesa redonda
2
, está restrita a uma questão,
respondida mediante a análise dos cinquenta programas estaduais
para o ensino de história no secundário superior dos EUA: qual a
natureza dos conteúdos substantivos, no que diz respeito à
experiência transnacional?
O predomínio do contemporâneo
Antes de apresentar o sentido de História do Tempo Presente
(HTP) no secundário estadunidense, digamos algumas palavras
sobre o espaço ocupado pela mesma nos programas da high
school. Iniciemos rememorando que a produção de currículos nos
EUA é descentralizada, variando, portanto, em termos de critérios
de distribuição e de quantidade de expectativas de aprendizagem.
Os programas podem apresentar apenas seis expectativas, como
em Delaware e Maine, ou chegar a oitocentas, no caso da Virgínia.
A maioria deles (82%) anuncia até cem expectativas. O restante
dos Estados apresenta entre 100 e 200 (10%), entre 200 e 500
(4%) e entre 500 e 800 expectativas (4%).
1
Pesquisa financiada pelo Programa Nacional de Pós-Doutorado, da
Coordenação de Pessoal de Nível Superior (PNPD/CAPES), sob a supervisão
do Prof. Dr. Arthur Alfaix Assis.
2
Mesa redonda Ensino de História, usos do passado e cultura histórica,
composta pelos professores doutores Ana Maria Monteiro, Itamar Freitas de
Oliveira e Cristiani Bereta da Silva, que integrou o II Seminário Internacional
História do Tempo Presente, promovido pelo PPGH-UDESC e realizado em
Florianópolis, SC, entre 13 e 15 de outubro de 2014. (Nota da organizadora)


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Pelo primeiro indicador que informa sobre o lugar da HTP nesses
dispositivos – o recorte temporal –, podemos perceber, em termos
gerais, o predomínio do tempo presente, principalmente quando
excluímos as expectativas atemporais, que chegam a 100% nos
estados de Connecticut, Montana, Nebraska e Vermont. No
conjunto dos demais Estados, as expectativas reservadas à HTP e
ao contemporâneo são, respectivamente, 49% e 29%, restando
22% para os períodos moderno e pré-histórico/antigo/moderno. Em
uma análise caso a caso, tal frequência é confirmada. São 34 os
Estados que reservam maior espaço ao exame dos séculos XX e
XXI. A proporção, contudo, é bastante desigual. Enquanto
Maryland e Wisconsin são totalmente “presentistas”, Texas, New
York, Minnesota, Kentucky e Illinois, na outra ponta, reservam
apenas um terço do espaço para a HTP.
Outra nota importante, além da variedade entre os currículos,
diz respeito a uma ideia muito difundida entre os historiadores, de
que a ênfase no aprendizado da história nacional teria declinado,
sobretudo, em países que comandaram (ou que mais auferiram
lucros com) os processos de globalização. A resposta a esse quase
senso comum é não, se considerarmos o que expressam os números
das expectativas de aprendizagem de cada elemento da federação.
Para chegar a esta afirmação, tipificamos as expectativas em cinco
categorias, que representam as escalas mais recorrentes: (1) mundo,
(2) país, (3) localidade, (4) mundo/estado, (5) mundo/estado/
localidade e (6) país/localidade.
A análise e a classificação demonstram que 50% dos Estados
dedicam maior espaço à história dos EUA, enquanto em outros
40% vence a história mundial. A história local, com 7%, e as
histórias de escalas cruzadas (4, 5 e 6), com 3%, completam o
quadro. Considerem que reunimos todas as expectativas datadas
e excluímos os Estados que não possibilitam tal mensuração
(Connecticut, Georgia, Montana, Nebraska e Vermont). Quando
isolamos apenas as expectativas destinadas à HTP, a experiência
nacional é ainda mais destacada. Os números apontam: história
dos EUA – 59%, história mundial – 32%, história local – 5% e


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história com escalas cruzadas – 3%.
Analisados um por um, os Estados também apresentam
diferenças de ênfase: Idaho, Maryland, Carolina do Sul são
plenamente nacionalistas, posto que reservam 100% do currículo
à história dos EUA, enquanto Michigan e Dakota do Norte fazem
o extremo contrário, em benefício da história do mundo. Oklahoma
e Rhode Island, relativamente, distribuem de forma equilibrada as
expectativas entre as histórias do mundo, dos EUA e local. Os que
privilegiam as escalas cruzadas são Nevada (67%) e Wisconsin
(40%). Detenhamo-nos agora sobre a natureza da HTP.
Os grandes temas da historiografia
estadunidense
Nos EUA, portanto, história nacional e história extranacional
têm espaços reservados, em detrimento da história local e daquelas
que misturam as três escalas. A partir desta singularidade, uma
pergunta nos norteia: existe, como no Brasil e na França, uma
vulgata para as histórias dos EUA e do mundo?
Buscando respostas, como poderão acompanhar, privilegiamos
a literatura sobre a história da historiografia, sobretudo a que não
esteve preocupada com o que se passava nos currículos da
escolarização básica dos EUA. Nosso objetivo foi inventariar os
temas destacados e selecionar alguns deles, para aferir o grau de
correspondência entre as grandes questões enfrentadas pela pesquisa
acadêmica e as prescrições para a escolarização básica.
Examinando recentes trabalhos panorâmicos sobre a
historiografia contemporânea, que têm o século XX como objeto e
que foram publicados no período imediatamente anterior ao
estabelecimento do primeiro programa estadual de história aqui
analisado, observamos que eles divergem e se assemelham,
obviamente, em alguns pontos, acerca das maiores preocupações
dos historiadores dos EUA.  Gerald N. Grob e George Athan Billias,
que editam, desde 1962, o clássico Interpretações da história



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