História do Tempo Presente: oralidade, memória, mídia



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mails e twitts influenciaram tais processos históricos empurrou os
historiadores contra a parede.
Em meio a tudo isto, conforme Daniel Cohen e Roy Rosenzweig,
a história sofreu importantes transformações. As tais novas
tecnologias, com participação destacada da Internet, obrigaram
os historiadores – ainda que a contragosto – a considerarem as
implicações destas inovações nas formas de pesquisar, escrever,
difundir e ensinar acerca do passado (COHEN; ROSENZWEIG,
2006, p. 2). Mas historiadores – e aqui entramos no delicado terreno
que envolve a profissionalização – ainda podem ser definidos de
maneira ampla. Sob esta “rubrica” podem ser encontrados
diletantes, jornalistas, professores da educação básica,
memorialistas, cineastas, literatos, acadêmicos das mais diversas
áreas (COHEN; ROSENZWEIG, 2006, p. 3). Sendo assim, uma
pergunta adequada seria: de que modos os tempos digitais
influenciam o ofício do historiador?


História do Tempo Presente:oralidade, memória, mídia
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Acompanhamos aqui os professores Daniel Cohen e Roy
Rosenzweig, que delimitam 7 qualidades na produção da História
em tempos digitais. São elas: capacidade, acessibilidade,
flexibilidade, diversidade, manipulabilidade, interatividade e
hipertextualidade. Entre tais traços, é possível identificar mudanças
de ordem “aditiva” ou quantitativa e mudanças de ordem qualitativa
ou “expressiva”. Vejamos, ainda que sinteticamente, cada uma
delas.
Uma primeira qualidade apontada por Cohen e Rosenzweig, e
dita acima, é a capacidade. Em tempos de novas mídias, os
historiadores se veem diante da possibilidade de trabalhar com
muitos dados em pouco espaço e, em grande maioria, a baixo
custo (COHEN; ROSENZWEIG, 2006, p. 228). Com as novas
tecnologias, os arquivos tiveram ampliadas as possibilidades de
armazenamento. Evidentemente a mera condição de estocar
registros não constitui um arquivo, mas é inegável o horizonte que
suportes tanto físicos quanto virtuais abriram para a conservação
de dados das mais diferentes naturezas, isto é, de uma diversidade
antes impensável: áudios, vídeos, infográficos, imagens
digitalizadas, animações, jogos eletrônicos etc. As mídias digitais
podem condensar uma quantidade sem precedentes de dados. Em
contrapartida, como se produz uma história se toda a evidência
possível estiver disponível ao historiador?
A questão acima abre espaço para o debate sobre a
acessibilidade, pois de nada adianta guardar material se ele não
estiver disponibilizado. Cohen e Rosenzweig observam que a
obtenção de um público mais amplo é uma das preocupações
frequentes entre os historiadores. E esta pretensão ganha, com a
Internet e as novas tecnologias da informação, um importante
auxiliar para concretizar-se. Por outro lado, o acesso instantâneo a
fontes primárias e secundárias, bem como a habilidade para muito
rapidamente produzir conexões, provocam mudanças significativas
na forma de pesquisar e de escrever a história (COHEN;
ROSENZWEIG, 2006, p. 4). Consequentemente, a Internet permite
aos historiadores falar a um público mais vasto, mais disperso,


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sem que os custos para isto sejam ampliados. Importantes
iniciativas têm possibilitado a democratização de acervos
4
.
Outra característica que novas mídias e principalmente a Internet
permitiram aos registros refere-se à flexibilidade – o passado pode
se tornar mais rico quando o registro assume diferentes formas. A
flexibilidade conferida aos registros digitais, marcante na Internet,
possibilita que um mesmo dado seja rearranjado, servindo a
comparações, contrastes, complementações (COHEN;
ROSENZWEIG, 2006, p. 5). E assim ela transforma a experiência
de consumir a História e as circunstâncias para a produção da
História. Por exemplo: a Internet não apenas se tornou mais aberta
para novos leitores, como também se abriu para novos narradores
de história. Como resultado, o número de autores de páginas
dedicadas à História tende hoje a ser muito superior ao número de
autores de livros de História. Tais autores, é preciso que se lembre,
formam um público diversificado (e assim a hierarquia é quebrada).
As críticas e as reclamações são grandes por parte dos historiadores
profissionais, por aqueles assentados em respeitadas instituições
de pesquisa, diante da constatação de que parte considerável dos



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