História do Tempo Presente: oralidade, memória, mídia


partir da utilização de suportes que talvez não sejam popularizados



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partir da utilização de suportes que talvez não sejam popularizados,
justamente por lidarem com registros que não mais interessarão.
Precisamos lembrar que certos programas foram e são criados para
serem lidos em versões específicas de máquinas, como jogos para
consoles do tipo Playstation 2, Atari 2600 ou X-Box. Ou CD-ROMs
interativos produzidos para serem lidos em plataformas que
trabalhavam com os limites da tecnologia dos anos 1990, em termos
de som, imagem e velocidade. Desta forma, arquivos gerados em
computadores com Windows 98 tendem a não ser lidos por aqueles
produzidos em 1995, por ambientes MS-DOS e assim por diante.
As dificuldades para aqueles que trabalham com registros que foram
guardados em disquetes, em fitas cassetes e, em certos casos, em


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CDs, já são grandes. O que ocorrerá quando as máquinas leitoras
se tornarem ainda mais raras? Experimentamos, por outro lado,
por meio de redes como o Facebook, a musealização da vida
cotidiana, como afirmou Andreas Huyssen (2014). E tal
metamorfose traz consigo uma pergunta fundamental: quem é o
responsável por preservar o registro histórico na era digital?
Outra percepção a ser adotada é a de que, embora a preservação
não seja possível quando tratamos da experiência original, podemos
e devemos explorar aquelas implicações que de fato fazem a
diferença (WELLER, 2013, p. 11). A ideia de que não se pode
pesquisar a Internet por não se poder dar conta dela integralmente
é ingênua, remetendo a um positivismo rasteiro. Ora, o historiador
lida com registros do passado, com evidências de um tempo que
não é mais o seu. A própria existência deste ofício resulta da
incapacidade de retermos tudo, da impossibilidade de imobilizarmos
o passado. Cientes desta dinâmica, não temos como criticar a
ausência de uma capacidade infinita da Internet ou das novas
mídias de tudo guardar. Não pudemos preservar as tropas de
Napoleão, mas nem por isto se deixa de estudar Waterloo, tampouco
se aponta o fim de pesquisas sobre a Amazônia porque parte
significativa dos seus historiadores sequer percorreu 5% daquele
território. Em diversos lugares, parte da história do rádio tem sido
feita sem registros sonoros disponíveis simplesmente porque eles
não existem. Em que medida tais casos se diferenciam dos
problemas enfrentados pela Internet?
Por outro lado, a existência de falsificações também não pode
servir como argumento para que os trabalhos em torno da web
sejam desaconselhados. Basta uma rápida consulta aos manuais
e relembraremos que os problemas em torno dos falsos documentos
ocupam os historiadores há tempos. Confrontar registros, verificar
a sua autenticidade, é parte do nosso ofício. Como utilizá-los agora
para imobilizar possíveis pesquisas? Assim sendo, como Weller
(2013, p. 12) reforça, diante de desafios e problemas é mais
proveitoso que consideremos a necessidade de domínio de
habilidades básicas.


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As ferramentas digitais têm alterado a produção e a
disseminação do conhecimento. O seu uso adequado implica a
compreensão, mas não necessariamente o profundo entendimento
das mesmas. Não precisamos mais dominar enormes fórmulas
para operar computadores. E isto é algo muito bom. Contudo,
além desta importante constatação, é pertinente atentarmos para
pontos centrais da arquitetura das novas tecnologias, em especial
a Internet, considerando as suas potencialidades e os riscos que
elas podem implicar.
Evidentemente muitas das promessas em torno do universo
digital não se cumpriram. Graças a isto, o Apocalipse sugerido por
William Gibson (2008), em seu Neuromancer, não se realizou. E
para o espanto de alguns, os professores não desapareceram. A
História não teve fim. Ao contrário, acontecimentos como o 11 de
setembro de 2001, a crise econômica de 2008, as eleições de
governantes de esquerda na América do Sul e a Primavera Árabe
são exemplos de como uma forte demanda social se formou em
torno não apenas da pesquisa histórica, mas do seu ensino. A
necessidade de pensar como celulares, tablets, computadores, e-



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