História da arquitetura grega



Baixar 248.76 Kb.
Pdf preview
Página4/15
Encontro25.05.2021
Tamanho248.76 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15
Campos técnicos 

Cidade, cidadela 

 

A  colina  turca  de  Hissarlik  tem,  depositada  sobre  ela,  onze  camadas  de  uma 



cidadela  que  foi,  ao  longo  do  tempo,  reconstruída  sobre  si-mesma.  Esta  formação  é 

denominada  por  tell  ,  ou  as  camadas  existentes  no  mesmo  sítio  urbano  derivadas  das 

reconstruções da cidade. As cidades eram construídas com pedra, madeira e tijolos de barro 

secos ao sol, e eram destruídas pelo tempo, ou por acidentes naturais, como terremotos, ou 

por invasões. 

O sítio era, então, aplainado com cobertura de terra e uma nova cidade se construía 

sobre  a  outra.  Assim  se  encontram,  no  tell  referente  à  Tróia,  as  onze  cidades  que  relatam 

uma  história  que  recebe  desde  uma  civilização  que  ainda  não  é  a  civilização  grega  ,  uma 

ocupação feita pela própria civilização grega , até um último assentamento realizado pelos 

romanos na época de Augusto (31 a.C. a 14 d.C.). 

 

Fig. 1 Corte das  escavações  de Tróia, reparar nas muralhas em  preto  referente à Tróia VI 



predecessora imediata da cidadela que sofreu o cerco dos Aqueus. 

 

As  escavações  realizadas  por  Schliemann  em  1871,  encontraram  uma  cidade  que 



erroneamente foi confundida com a Tróia mencionada por Homero além de terem destruído 

parte da construção remanescente .  




 

As ocupações sucessivas deste mesmo lugar não configuram a história de Homero, 



já que o conjunto da história referente à Tróia indica a sua tomada e total destruição pelos 

aqueus (gregos). Mesmo a datação antiga da Guerra de Tróia, tida como 1250 a.C., não tem 

uma  referência  arqueológica  que  a  justifique,  assim  como  a  descrição  da  importância  do 

cerco  realizado  pelos  aqueus  não  se  verifica  necessária  diante  da  real  condição  da  cidade 

que  se  tem  como  a  histórica  Tróia.  A  cidadela  homérica  possuiu  pouca  importância,  não 

passando  o  Assentamento  de  15.000  m2.  Podemos  ter  uma  noção  da  relação  entre  as 

Cidades através das observações de Naquet (2002, p. 24) : 

 

A  Tróia  do  ‘Tesouro  de  Príamo’  é  a  Tróia  II,  que  prosperou  nos 



Dardanelos entre 2500 e 2200 a.C. Um bom milênio antes da Tróia, 

segundo a datação dos antigos. A Tróia que existiu no século XIII ou 

XII  a.C.  e  que  foi  destruída  pelos  homens  é  aquela  que  recebeu  o 

nome  de  Tróia  VIIa,  depois  de  suas  ruínas  terem  sido 

minuciosamente  examinadas  pelos  arqueólogos:  trata-se  de  uma 

cidade  medíocre,  cujas  muralhas  não  teriam  condições  de  resistir 

durante dez anos. É difícil imaginar que os aqueus precisassem juntar 

forças para se apossar daquele sítio pouco impressionante. Tróia VI é 

mais  atraente  e  tem  muros  que  ainda  cumprem,  de  certo  modo,  sua 

função.  Infelizmente  essa  cidade,  arruinada  por  um  terremoto  por 

volta de 1275 a.C., não pode ter sido destruída no final de um cerco, 

pois  ,  então,  teríamos  de  nos  entregar  a  contorções  intelectuais 

absurdas.    

 

Embora as controvérsias façam com que a arqueologia e a história homérica não se alinhem 



numa única direção, elas potencializam a força de um quebra-cabeças composto por ruínas 

e imagens, pedras e valores, que permite inúmeras interpretações. 

Das  sexta  e  sétima  cidades  restaram  apenas  o  anel  externo  composto  pelos  muros  da 

fortificação  e  por  algumas  edificações.  O  topo  da  colina  foi  aplainado  pelos  engenheiros 

romanos com a intenção de edificarem a cidade de Augusto, apagando, assim, os vestígios 

do Palácio de Príamo. 

O remanescente, no entanto, permite algumas identificações quanto à forma espacial 

do  megaron  e  da  apropriação  do  sítio  como  ambiente  coletivo.O  assentamento  Tróia  II  , 

embora  tenha  sofrido  com  as  escavações,  oferece  um  dos  maiores  conjuntos  no  que 

concerne  à  estrutura vital  como  espaços privado  e coletivo.  Não podemos imaginar que  a 

nossa  forma  e  conceito  quanto  à  qualidade  de  espaços  coletivo  e  privado  possa  ser 



 

identificada  com  estas  construções  que  remontam  mais  de  3000  anos,  mas  podemos 



procurar reunir peças, mesmo que poucas, de um contexto que se funda nestas escavações. 

Em nenhuma das fases dos Assentamentos existe a possibilidade de visualizar a existência 

de uma cidade, um conjunto de praça, templos, mercado, residências. O que existe, sim, é 

um conjunto de fortificações que mais se assemelham a cidadelas, formas acasteladas com 

o sentido de proteção à invasão com corpos centrais construídos relacionados com a forma 

descrita por Homero como megaron. 

O conjunto de construções indica uma forma social hierarquizada , com a presença 

de uma corte e súditos a julgar pela presença do megaron , de pátio  e locais que podem ter 

servido  a  atividades  públicas.  Um  propileu,  portão  de  entrada  com  caráter  defensivo, 

prenuncia a presença de um megaron (II A ) que se vincula ao propileu e à muralha através 

de um pátio, para onde se voltam espaços ligados à muralha que podem ter sido destinados 

a  aposentos.  Na  direção  oeste,  e  junto  à  muralha  que  limita  este  assentamento,  há  um 

conjunto de 3 ou 4 aposentos provavelmente destinados a quartos, pertencentes a outra fase 

do mesmo assentamento. 

Ao lado do megaron II A existiu uma construção semelhante, classificada como IIB, 

que  demonstra  uma  preocupação  estética  quanto  à  intenção  de  estabelecer  um  conjunto 

através da organização espacial e forma final. O megaron II B é um pouco menor, tanto na 

largura quanto no comprimento, que o megaron II A  e está lateral ao eixo que une o portão 

frontal  da  cidadela,  ou  propileu,  ao  megaron  II  A.  Já  se  estabelece,  por  tamanho  e 

localização,  uma  relação  de  conjunto  baseada  na  hierarquia  das  construções  ,  que 

demonstra, também, uma hierarquia das atividades possivelmente executadas nestes locais.  

O  megaron  II  B  ,  tendo  sido  construído  mais  estreito  e  curto  que  o  megaron  II  A, 

tinha  avanços  nas  suas  paredes  laterais  de  forma  a  diminuir  o  efeito  da  diferença  de 

tamanho  entre  eles.  Estes  prolongamentos  das  paredes  permitam  equilibrar  a  diferença  de 

seis metros entre os pórticos dos dois megarons. O pórtico dava passagem a uma ante-sala 

que  conduzia  ao  salão  principal.  As  paredes  também  se  prolongavam  na  parte  posterior 

sendo que o prolongamento do megaron II B era maior que o prolongamento do megaron II 

A.  



 

 



Fig. 2 parte de Tróia II e o conjunto de megarons, pátio e propileu. 

 

A profundidade do pórtico e o prolongamento das paredes posteriores são os fatores 



que proporcionam equilíbrio e hierarquia no conjunto composto pelos megarons, muralha , 

propileu e pátio. Evidenciam ,assim  , uma intenção formal  que altera  a  plástica do objeto 

em busca de um nexo na formulação espacial.  

Das  sexta  e  sétima  Cidades,  como  já  exposto,  restaram  apenas  as  construções 

existentes  nas  áreas  envoltórias  próximas  às  muralhas  de  proteção.  A  sexta  Cidade  é  um 

dos principais Assentamentos troianos cuja força pode ser vista pelo conjunto arqueológico 

das  muralhas  e  pelos  vestígios  das  construções  sendo  a  Construção  C  ,  um  megaron,  um 

dos exemplos mais marcantes. 

As muralhas desta Cidade são escalonadas e permitem a construção da cidadela em 

terraços  concêntricos  que  ficaram  encobertos  pela  terra  até  as  escavações.  As  muralhas 

reveladas são um indício da força da civilização que ocupou Tróia nesta época já típica da 

civilização micênica.  

As  muralhas  mostram  um  conjunto  forte  construído  de  pedras  empilhadas  que 

contorna  parte  da  colina  da  Hissarlik  desde  o  século  XIII  a.C.  O  megaron  denominado 

Construção C é uma importante construção de pórtico e cella , o salão principal, que chega 

a medir 10,30 m por 20,00m. O cuidadoso conjunto arquitetônico de muralhas e megarons 

da  Sexta  Cidade  não  se  repetiu  na  Sétima  Cidade,  o  que  demonstra,  também,  a  provável 

variação da população que ocupava este sítio.  




 

 






Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal