História da arquitetura grega



Baixar 248.76 Kb.
Pdf preview
Página14/15
Encontro25.05.2021
Tamanho248.76 Kb.
1   ...   7   8   9   10   11   12   13   14   15
CONCLUSÃO 

 

Ao  longo  de  vários  séculos  foram  estabelecidos  valores  na  civilização  grega  que 



produziram enorme influência no mundo ocidental. 

É  quase  impossível  enumerar  quantas  vezes  a  filosofia  ,  a  arte,  a  arquitetura  e  a  política 

gregas  foram  fundamentalmente  revistas  para  compreender  o  mundo  que  nos  cerca, 

interpretá-lo e modificá-lo. 

Entendo  ser  desnecessário  classificar  alguns  destes  valores  mas  apenas  abrir  um  campo 

crítico  sobre  o  nosso  próprio  pensamento  e  como  podemos  reconstruir  o  nosso  próprio 

universo através da interpretação histórica. 

À  luz  da  interpretação  analítica  foi  possível  determinar  como  os  indícios  do  passado 

produzem  uma  estratégia  de  leitura  que  permite  recompor  um  fato  dentro  de  um 

determinado contexto que o explique e nos dê a sensação do seu entendimento, na verdade 

uma interpretação. 



 

32 


Desta maneira podemos ver autores como Robertson se enganarem quanto à veracidade dos 

relatos homéricos referentes à Tróia. Não é possível tomar como realidade a descrição feita 

do palácio de Príamo e outras construções troianas.  

As escavações competem em mistério com os versos do poema. 

As  construções,  ou  seus  indícios,  encontradas  mostram  um  largo  desenvolvimento  da 

cidade e a existência de um princípio estético nos espaços e suas proporções. 

As construções da Grécia continental, ocidental, possui formas e detalhes que se referem às 

construções  de  Tróia  I  e  II.  Não  há  relações  concretas  desta  causalidade,  apenas  uma 

linearidade proposta pelas suas existências.  

Percebe-se,  no  entanto,  um  lento  e  franco  desenvolvimento  que  se  faz  de  2200  a.C.  até  o 

período clássico.  Nisto se aportam os exemplos dos megarons pré-históricos e dos templos 

clássicos que polarizam uma linha de desenvolvimento desta tipologia. 

Mas  a  influência  de  Tróia  se  faz  nos  valores  espirituais  expostos  na  Ilíada  que  serão 

formadores  do  homem  clássico  e  das  formas  urbanas  representativas  destes  valores.  Se  a 

cidade homérica é uma forma perdida no seu tempo,  a cidade clássica  grega  é a base das 

cidades do ocidente. 

O  exemplo  de  dualidade  que  lemos  em  Tróia  é  uma  forma  de  leitura  da  cidade  antiga  ao 

mesmo tempo que oferece uma forma de leitura das nossas próprias cidades. 

As  nossas  expressões  materiais  não  estão  necessariamente  ligadas  com  nosso  universo 

espiritual, ou nossa cidade ideal não é consoante à cidade real. Os nossos sonhos de mundo 

provém  de  campos  diferentes  do  desenvolvimento  urbano  ao  mesmo  tempo  que  se 

enraízam no nosso tempo e recriam nossas intenções de lugar. 

Um mundo de paixão e razão, espírito e matéria, é um sistema de fortes tensões que existe 

neste universo da cidade de Tróia e permite que vejamos o nosso próprio mundo como este 

sistema de estranho movimento descontínuo. 

Creio  apenas  que  não  podemos  abandonar  a  possibilidade  de  exercer  uma  crítica  sobre  o 

nosso  mundo  através  de  seus  paradigmas.  Paradigmas  que  alternam  e  dão  o  sentido  do 

nosso  tempo  e,  muitas  vezes,  nos  dão  uma  sensação  de  impotência  diante  do  nosso 

‘destino’. 

Um  dos  últimos  versos  da  Ilíada  é  o  encontro  do  velho  Príamo  ,  pai  de  Heitor,  diante  de 

Aquiles,  o  jovem  e  forte  guerreiro.  Pede  o  corpo  do  filho  morto  para  que  se  façam  os 



 

33 


funerais e Aquiles, diante do velho abraçado aos seus joelhos, cede o corpo de Heitor. Este 

comovente verso expõe a força deste momento. 

Na  confrontação  do  velho  e  do  novo,  a  força  deste  momento,  paradigma  de  ação,  é  o 

sentimento que resulta entre os dois. Não há razão ou paixão, mas o amor que Aquiles tem 

ao seu próprio pai e vê no velho a extensão deste amor. 

Talvez seja a melhor forma de ver o nosso tempo, o nosso lugar. 

Esta  é  a  força  da  leitura  da  Ilíada  e  da  compreensão  de  seu  desenvolvimento  que  dá  ao 

ocidente  a  profundidade  de  suas  idéias  e  que,  velho  como  Príamo,  continua  a  abraçar  os 

joelhos de Aquiles, Homero. 

 




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   7   8   9   10   11   12   13   14   15


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal