Historico da Psicanalise



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Historico da Psicanalise”


por Sigmund Freud

Editado e com uma Introdução pelo Dr.A.A.Brill
Traduzido/Compilado por Roque Ehrhardt de Campos

Apresentação (12/99)

Roque Ehrhardt de Campos
A frase “Freud explica”, normalmente tem conotação de metáfora para algo complexo e inexplicável, ou melhor, que é para especialistas. Realmente, se para entender o que Freud explica tivermos que ler todos seus 23 volumes, escritos de 1886 a 1939, por um lado, e, por outro, passar por uma experiência “sensorial” de psicanálise, com direito a transferência e tudo o mais, fica difícil.

Se formos nos deter no vasto material que há para ler fica mais complicado ainda.

Quando tive este problema, há alguns anos, (1983) tive boa orientação, morava nos Estados Unidos e o que aqui vai, reflete aquela experiência, acrescida da melhoria de visibilidade que o tempo (e a Internet...) trouxeram.

Estou convencido que é possível um conhecimento intelectual, sem psicanálise, da explicação que Freud dá em seu modelo da nossa psique. Fiz isto muito mais por gosto de fazer esta compilação que qualquer outro motivo e, basicamente, procurei reunir um conjunto de escritos que permita a alguém interessado entender o que Freud explica (ou partir para montar uma crítica sobre minhas opções...).

Esta compilação supõe que o leitor ou leitora ou a leitora tenha lido, ou melhor, estudado, cuidadosamente o “Primer” deCalvin S. Hall.

No endereço de Freud em Viena, existe um Museu Freud, que dá para ser visitado pela Internet e é patrocinado pela Fundação que leva seu nome. Esta fundação, desde muitos anos patrocina bolsas “Fulbright” para alunos do mundo tudo. Calvin S.Hall foi um aluno Fulbrigh em 1953.

Porque esta coletânea do Dr.Brill?

Porque é barata, prática, pois enfeixa os volumes básicos de Freud e... por que foi ai que me iniciei...

O Dr. A.A.Brill esteve na primeira hora com Freud, na Clark University em 1909, e no congresso de Weimar, em 1911, junto com Jung e os primeiros seguidores e seguidoras do movimento psicanalista. Embora ele não tenha tido potência intelectual para criar algo novo em cima do que Freud propôs, como Jung, Adler e outros o fizeram, ele teve o mérito, que ele avocava para si ardorosamente, de introduzir em 1913 a primeira tradução da “Interpretação dos Sonhos”1 e esta compilação em 1938 sobre a psicanálise freudiana para o público americano.

Como é notório, estes cinco livros básicos selecionados pelo Dr. A.A.Brill, que dão origem ao corpus da concepção psicanalitica freudiana, são:

Livro 1: Psicopatologia da vida diária

Livro 2: A Interpretação dos Sonhos

Livro 3: Três contribuições para a Teoria do Sexo

Livro 4: Humor e sua Relação com o Inconsciente

Libro 5: Totem e Tabu

Desta edição, é muito interessante como ponto de partida, e traduzi, a introdução do Dr.Brill e a Historia do Movimento Psicanalítico, do próprio Freud.

Eu deixei os livros de fora, pois são facilmente conseguidos.

Dr.Brill também fundou uma das duas iniciais Associações de psicanálise americanas e, descobri posteriormente, não é uma “persona grata” aos meios psicanalíticos americanos ou quaisquer outros.2

Não que ele seja tão ruim, mas Ernest Jones, um dos biógrafos oficiais de Freud3 e fundador da outra associação de psicanálise que prevaleceu, promoveu as traduções de James Strachey, auxiliado por sua esposa Alix e Joan Riviere, que eram excelentes e acabaram prevalecendo aos olhos contemporâneos.

As notas de pé de página com REC são minhas e as sem indicação do Dr.Brill.

Minhas notas talvez reflitam o que acabou colocando Dr.Brill em segundo plano.

Lembro ao leitor ou leitora que este trabalho não é profissional, mas pessoal, daí a minha atitude em minhas observações. Se eu fosse publicar, agiria de forma diferente.

Muita coisa que o Dr.Brill afirma aqui sofreu alteração, adição, expansão, ficando essencialmente, porém, válido.

Pretendo sanar este problema com a tradução/compilação de um trabalho excelente do pessoal de psiquiatria de Harvard, editado em 1978, que chegou em minhas mãos naquela época e para este fim.

Temos uma lacuna em nossa língua sobre Freud, apesar de na última década terem surgido muitas traduções de trabalhos principalmente americanos, ou ingleses populares nos E.U.A.

A verdade, e isto até Roudinesco e Pion o admitem apesar da notória posição francesa com tudo que é “not invented here” (não inventado aqui), é que os Estados Unidos foram efetivamente quem colocou a psicanálise no universo intelectual do século XX.

Existem correntes contra e a favor após a consagração americana.

Freud ocupa e merece, a posição de um dos principais homens do século XX e, quiçá, da história da humanidade.

É incrível que ele tenha conseguido isto negando Deus e com um trabalho que extirpa cuidadosamente aspectos religiosos e filosóficos em sua essência. É de pasmar, que sua importância advenha principalmente da contra partida que ele coloca face à religião (especialmente quanto ao livre arbítrio, o mal e o sentido da vida), da filosofia e, “last, but not least” (por último mas não menos importante), da ética. Outro aspecto notável é a estatura moral dele. Apesar dos venenos que insinuam que ele era amante da cunhada e de “paranóias” como a de Jeffrey Moussaifeff Masson no “Atentado à Verdade”, a impressão que ficou, para mim, é que Freud além de genial e inatacável, tem uma estatura moral excepcional.

Porém, outra impressão que me ficou, é que a libido dele era meio fraca, ou talvez era consumida para criar a obra, e seu comportamento “inatacável” talvez fosse mais fruto de “canalização” de energia.

Talvez seu problema seja ter simplificado um pouco demais e criado um modelo que funciona como mecanismo de relojoaria. Não há espaço para o paradoxal...




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