Historia da Ciencia e Ensino das Ciencias



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CFQ do E.S., Abril, 1995, p.5). 

No Programa actual de Física e Química A, do ensino secundário, refere-se: “De modo a evidenciar 

o  carácter  dinâmico  da  Ciência,  deverá  mostrar-se  como  as  teorias  consideradas  hoje  correctas 

substituíram outras que, por sua  vez, já teriam dado lugar a outras, em cada época consideradas 

mais plausíveis. Por isso, tal como no 10º ano, a História da Física tem particular destaque como 

motor  da  compreensão  da  natureza  do  conhecimento  científico  e  da  importância  da  Física  na 

sociedade”  e  “A  componente  de  Química  dos  10º  e  11º  anos  procura  constituir-se  como  um 

caminho para que os alunos possam alcançar um modo de interpretação do mundo que os rodeia 

naquilo  que  o  constitui  hoje,  no  quanto  e  como  se  afasta  do  que  foi  no  passado  e  de  possíveis 

cenários  de  evolução  futura.  Procurar-se-á  também  confrontar  explicações  aceites  em  diferentes 

épocas como forma de evidenciar o carácter dinâmico da Ciência, assente mais em reformulações 

e ajustes do que em rupturas paradigmáticas” (Programas de FQA do ES, 2001 e 2003). 

Porém,  as  intenções,  mesmo  que  explícitas  das  finalidades  e  objectivos  dos  Programas,  nem 

sempre  se  traduzem  em  consequentes  propostas  de  actividades,  orientações  metodológicas  e/ou 

objectivos  específicos,  no  que  à  organização  do  ensino  e  da  aprendizagem  diz  respeito,  assim 

como, relativamente à produção de materiais didácticos, “de acordo com o programa oficial”, como 

é o caso dos manuais escolares (Campos, 1996).  

De  facto,  numa  perspectiva  externalista  da  Ciência,  esta  não  pode  ser  dissociada  do  ambiente 

socioeconómico  e  cultural  em  que  é  produzida  e,  muito  menos,  desligada  das  outras  áreas  do 

saber. No último século, produziram-se profundas mudanças na actividade científica e no estatuto 

do cientista, caracterizadas pela progressiva industrialização da Ciência, ou seja, a Ciência emerge 

actualmente como uma força produtiva, como Tecnociência (Brotons, 1983; Fourez, 1992). A ideia 

de  uma  Ciência  neutra,  desinteressada  e  alheia  aos  problemas  sociais,  políticos,  económicos  e 

éticos  da  actualidade,  só  servirá  para  desenvolvimento  de  uma  consciência  tecnocrática  junto  de 

professores e alunos. 

Neste  contexto,  o  ensino  da  Ciência  deve  contribuir  para  desmistificar  possíveis  intenções 

subjacentes  a  este  modelo  reducionista.  Assim,  ele  não  deve  limitar-se  à  transmissão  de 

"conhecimentos objectivos", nem tão pouco à aprendizagem de um "método científico" apresentado 




                        

           

  

 

 



Centro de Formação de Associação das Escolas de Matosinhos                                                                                                                          Escola-Sede: Escola Secundária Augusto Gomes 

 

 



 

e-revista 

 

ISSN 1645-9180



 

Nº 


14

  

Educação em Ciência - A História da Ciência no seu Ensino: o tema Ácido-Base 



 

 



R. Damão 4450-107 MATOSINHOS   tel. 229399260  Ext. 44   fax. 229389686     E-mail: cfaematosinhos@mail.telepac.pt     http://www.cfaematosinhos.eu 

como  fórmula  mágica,  ou  receita  magistral  para  incorporar  a  realidade  no  nosso  entendimento 

(Fernandez & Escandall, 1986). 

Diversas  razões  têm  sido  apontadas  em  favor  da  utilização  da  História  da  Ciência  no  ensino  das 

ciências (Matthews, 1994)

1. Promove uma melhor compreensão dos conceitos científicos e da metodologia da Ciência. 

2.  As  abordagens  históricas  interligam  o  desenvolvimento  do  pensamento  individual  com  o 

desenvolvimento das ideias científicas. 

3.  A  História  da  Ciência  é  válida  por  si  mesma,  no  sentido  de  ilustrar  episódios  importantes  da 

história  da  cultura,  como  por  exemplo  a  Revolução  Científica,  o  Darwinismo,  a  descoberta  da 

penicilina, etc., que deviam ser familiares a todos os estudantes. 

4. A História da Ciência é necessária à compreensão da sua natureza. 

5. A História da Ciência combate o cientismo e o dogmatismo, que é frequente nos textos científicos 

e nas aulas de ciências. 

6.  Ao  examinar  a  vida  e  o  tempo  em  que  viveram  os  cientistas  individualmente,  humaniza-se  o 

tratamento  dos  assuntos  científicos,  tornando-os  menos  abstractos  e  mais  atraentes  para  os 

estudantes. 

7.  Ela  permite  estabelecer  ligações  entre  as  várias  disciplinas  científicas,  assim  como  com  outras 

disciplinas  académicas;  ela  permite  integrar  e  mostrar  a  interdependência  dos  saberes  nas 

realizações da humanidade. 

 

Porém, o uso da História da Ciência no ensino das ciências, não é isento de controvérsia. Têm sido 



apontados  os  seguintes  problemas  quanto  à  sua  utilização  (Kauffman,  1989;  Sequeira  &  Leite, 

1988): 

1.  A extensão dos programas torna difícil a utilização de estratégias com abordagem histórica;  

2.  Dificuldade em encontrar materiais sobre a história dos diversos tópicos programáticos;  

3.  Dificuldade em avaliar os alunos sobre aqueles materiais históricos;  

4.  Corre-se  o  risco  do  "whiggismo"  (Bizzo,  1993),  isto  é,  os  acontecimentos  históricos  são 

analisados  à  luz  dos  conhecimentos  científicos  actuais,  levando  os  alunos  a  pensar  que  o 

estabelecimento e a aceitação das leis e teorias foi óbvia e isenta de controvérsia;  



                        

           

  

 

 



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Educação em Ciência - A História da Ciência no seu Ensino: o tema Ácido-Base 



 

 



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5.  A História da Ciência pode influenciar negativamente os estudantes, ao apresentar a forma 

muitas  vezes  irracional,  a  falta  de  abertura  de  espírito  e  a  competição  interessada,  do 

comportamento dos cientistas. 

 

No  entanto,  alguns  destes  problemas,  colocam-se  também  em  relação  a  outros  materiais  e/ou 



estratégias,  sobre  os  quais  os  professores  devem  estar  conscientes  da  suas  vantagens  e 

desvantagens. 

A História da Ciência, quando bem utilizada, poderá contribuir para que os alunos se apercebam de 

que a Ciência é um empreendimento colectivo, socialmente análogo a outras actividades humanas. 

Poderá  combater  a visão heróica/individualista, muito comum entre os alunos, segundo a qual a 

Ciência é obra de génios. Através da figura deste ou daquele cientista, deve-se destacar um todo 

colectivo,  definido  não  só  pelas  suas relações  institucionais  e  práticas  comuns,  mas  também  pela  

participação  de  cada  um,  num  dado  corpo  teórico  (Bensaude-Vincent  &  Stengers,  1995).  Poderá 

realçar  o  carácter  provisório  das  leis  e  teorias  científicas,  assim  como  o  papel  da  comunidade 

científica na sua validação. 

A  utilização  da  História  da  Ciência  no  ensino  das  ciências,  tem  revestido,  no  essencial,  duas 

formas: uma, é a abordagem pontual, em que, por exemplo, um manual científico é acompanhado 

de  ‘caixas’  onde  se  faz  um  resumo  de  biografias  de  cientistas  ou  se  relata  um  ou  outro  episódio 

histórico,  à  parte  do  texto  principal;  uma  outra,  em  que  a  História  da  Ciência  é  integrada  nos 

conteúdos de um dado curso, como por exemplo o Harvard Project Physics (Projecto Física, 1978).  

Existem  na  literatura  diversas  propostas  de  estratégias  concretas,  que  vão  desde  o  uso  de 

biografias  de  cientistas,  realização  de  experiências  clássicas,  análise  critica  de  artigos  originais 

sobre  investigações,  leitura  e  discussão  de  livros  e  outros  textos  de  divulgação  científica,  até  ao 

estudo de casos na história da Ciência (Kauffman, 1989; Nielsen & Thomsen, 1990; Solomon et.al., 



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