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3 Também opor obstáculos ao acesso de mulheres à cultura letrada faz parte da tradição patriarcal e machista
que, por longo tempo, preponderou entre  muitas famílias no Brasil.
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III. A área de ciências humanas no ENCCEJA
fundamental no sentido de permitir o
acesso do indivíduo a melhores
oportunidades de trabalho, melhoria na
sua qualidade de vida e domínio político
para intervir em prol de sociedades mais
justas e igualitárias. Como afirma a
Proposta Curricular para Jovens e
Adultos, um dos maiores desafios dos
cursos de educação de jovens e adultos
consiste em articular o conhecimento
vivido por esses alunos aos
conhecimentos da ciência formal, da
cultura letrada, das artes clássicas, isto é,
à produção cultural, intelectual e política
das sociedades. (op.cit., 2002)
Nesse complexo processo de diálogos
culturais, intencionalidades educativas e
indicadores de aprendizagem, a área de
Ciências Humanas assume um papel
importante por favorecer o debate sobre a
identidade social, cultural, geográfica e
histórica e por conter as categorias
teóricas e os métodos para “evidenciar” a
pluralidade das culturas internas às
sociedades, sua segmentação, seus
conflitos e seus acordos. Um outro papel
é o de refletir sobre a diversidade de
modos de vida, crenças e concepções
políticas construída historicamente nas
variedades de convivências e nas relações
plurais com o espaço geográfico.
A área de Ciências Humanas enfrenta
ainda o desafio de criar situações
didáticas e instrumentos de avaliação
para que o estudante se confronte com o
seu próprio universo cultural e social,
com sua própria formação, com sua
história, avaliando e ponderando seus
conhecimentos e reconhecendo o valor
intrínseco desse saber para condução e
compreensão da realidade.
Simultaneamente, tem a
responsabilidade de sensibilizar o
estudante para os limites do que
aprendeu unicamente na esfera da vida
social, por estarem inclusas nestas
vivências dimensões de subjetividade,
determinados valores culturais, ou
mesmo ideologias difundidas no senso
comum.
A interação dos alunos da EJA com
novos conhecimentos tem solicitado
cuidados didáticos específicos e
instrumentos de avaliação diferenciados,
principalmente nas circunstâncias em
que se realiza por meio de estudos
individuais — leitura de textos e
programas de televisão e rádio — e
aquisição de certificados por processos
de avaliação em grande escala, como é o
caso dos exames estaduais. De qualquer
modo, seja em situações de sala de aula
com a presença do professor, seja na
situação de estudos solitários, o ritmo de
aprendizagem, a maneira como as
informações e conceitos são
apresentados e os mecanismos de avaliar
os domínios adquiridos têm sido objeto
de atenção por parte de educadores.
Existem outras recomendações para o
uso de estratégias didáticas e questões de
avaliação nas quais o aluno possa se
questionar primeiro sobre o que sabe e
levantar hipóteses, confrontar suas
opiniões com outras, extrair informações
de textos, gráficos, imagens, e organizar
as informações coletadas antes de
concluir idéias.
Dessa perspectiva didática e de
avaliação, as Ciências Humanas
assumem a responsabilidade de valorizar
a pluralidade de idéias, pontos de vista e
valores diferentes e concepções de
mundo variadas. Pautam-se por
premissas postas pelo mundo
contemporâneo que solicitam de todos
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Ensino Fundamental
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atitudes de alteridade, ou seja, a
construção de uma sensibilidade ou a
consolidação de uma vontade de
acolher a produção interna das
diferenças e de moldar valores de
respeito por elas. (Brasil, 1998, p. 35)
L
INGUAGENS

METODOLOGIAS
E
 
CONCEITOS
 
NO
 
DOMÍNIO
 
DE
CONTEÚDOS
 
DAS
 C
IÊNCIAS
 H
UMANAS
Por ter como objeto de estudo a vida em
sociedade e suas relações com a
natureza, as Ciências Humanas são as
ciências que fornecem ao estudante os
conhecimentos necessários para
interpretar as relações humanas e como,
a partir delas, se constituem as
realidades sociais, históricas e
geográficas. Por isso, são próprios de sua
esfera de conhecimento os instrumentos
e as metodologias para identificar,
caracterizar e analisar as convivências
entre indivíduos, grupos, classes sociais,
povos, nações e Estados, moldadas nas
relações com o mundo natural e com o
espaço geográfico, entrelaçadas ao longo
de processos históricos e representadas
em variadas linguagens.
O estudo das Ciências Humanas inclui,
assim, domínios de metodologias para o
indivíduo saber interpretar diferentes
linguagens presentes no seu cotidiano,
as quais expressam modelos, valores e
significados construídos para as relações
históricas e geograficamente
constituídas. Este é o caso, por
exemplo, da leitura e análise de
informações de um jornal de circulação
diária. Para um cidadão brasileiro saber
depreender opiniões dos autores dos
textos e do próprio jornal, conflitos
entre grupos sociais presentes nos
acontecimentos relatados, ou como a
desvalorização da moeda afeta o custo
das mercadorias que consome, ele
precisa saber identificar diferentes
estilos de textos, colher informações de
tabelas, interpretar fotos, questionar,
organizar dados, estabelecer relações
entre informações da atualidade e de
outras épocas e entre acontecimentos
de locais diferentes, bem como saber
lidar com conceitos que interpretam e
dão significado a esses acontecimentos.
Os alunos da EJA necessitam, então, de
saberes específicos para analisarem e
compreenderem diferentes linguagens
nas suas potencialidades comunicativas.
Precisam saber usar, colher dados e
interpretar mapas, linhas de tempo,
cronologias, tabelas, gráficos, fotos de
satélite, fotografias, gravuras e obras de
arte, caricaturas, charges e diferentes
estilos de textos, como jornalísticos,
literários, científicos, legislativos.
Ainda, para organizar e relacionar as
informações que colhem nas suas
vivências sociais, nos meios de
comunicação e em estudos escolares, os
estudantes da EJA precisam dominar
alguns conceitos construídos e debatidos
pelas Ciências Humanas, principalmente
aqueles que estruturam noções de tempo,
espaço e sociedade e aqueles que
contribuem para a compreensão e
análise do mundo contemporâneo.
Os alunos da EJA devem, então, saber
observar e colher informações de variadas
linguagens e utilizá-las, organizar
acontecimentos no tempo em linhas
cronológicas, analisar textos
constitucionais, identificar técnicas
construtivas, comparar padrões culturais
de sociedades. Devem ainda dominar
diferentes conceitos para dimensionar
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III. A área de ciências humanas no ENCCEJA
perspectivas mais globais e analíticas das
sociedades contemporâneas e suas
relações com sociedades de outros
tempos, refletindo e escolhendo atitudes
que contribuam para atuações conscientes
em prol de sociedades melhores.
R
EFERÊNCIAS
 
PARA
 
AVALIAÇÃO
Como foi visto, são inúmeras e
fundamentais as considerações para a
definição 
do que e como avaliar os
conhecimentos do estudante da EJA em
um processo de certificação nacional. A
diversidade cultural das pessoas e as
modalidades formais e informais de
acesso ao saber permitem estabelecer
algumas referências abrangentes quanto
às expectativas de seus domínios e seus
saberes, pautados em competências
específicas das Ciências Humanas no
Ensino Fundamental.
As competências abaixo procuram dar
conta de domínios amplos e específicos
pertinentes aos conhecimentos esperados
de estudantes da EJA do Ensino
Fundamental.
1. Compreender processos sociais
utilizando conhecimentos históricos e
geográficos.
Trabalhar com essa competência implica
a apreensão da noção de processo social,
a partir do domínio de diferentes
conceitos históricos e geográficos e de
relações entre acontecimentos sociais no
tempo. Tal apreensão requer do
estudante a percepção de encadeamentos
e relações históricas entre
acontecimentos intrínsecos a
determinados espaços, que se constituem
e se modelam pela ação humana. Por
exemplo, pretende-se que o estudante
saiba relacionar os diferentes conflitos e
lutas entre povos indígenas e europeus
no processo de constituição do território
brasileiro.
2. Compreender o papel das sociedades
no processo de produção do espaço, do
território, da paisagem e do lugar.
Nesse caso, espera-se que o estudante
compreenda o papel das sociedades no
processo de constituição do espaço ao
longo de sua história, transformando
territórios e paisagens e organizando os
modos de vida dos lugares. Um exemplo
disso é o estudante analisar as mudanças
ocorridas na organização de espaços e
nos costumes das populações em função
dos deslocamentos populacionais.
3. Compreender a importância do
patrimônio cultural e respeitar a
diversidade étnica.
Trata-se nesse caso de o estudante
dominar saberes diversos, relativos a
diferentes campos das Ciências
Humanas, que ressaltem a questão do
respeito à diversidade de manifestações
culturais pertencentes aos mais variados
grupos étnicos e que, simultaneamente,
o despertem para a valorização e o
respeito por seus patrimônios. Por
exemplo, espera-se que o estudante seja
capaz de reconhecer a presença de
comunidades quilombolas no Brasil e a
necessidade premente de respeitar o
território e a cultura das mesmas como
premissas intrínsecas à sobrevivência
dessas comunidades.
4. Compreender e valorizar os
fundamentos da cidadania e da
democracia, de forma a favorecer uma
atuação consciente do indivíduo na
sociedade.
Essa competência implica o estudante
saber discernir os conceitos de
cidadania e de democracia,
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Ensino Fundamental
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reconhecendo-os como conceitos
históricos e, portanto, mutáveis e
dependentes dos contextos políticos e
sociais das sociedades. Ao mesmo
tempo, solicita que o estudante
reconheça a importância das lutas
empreendidas por diferentes grupos
sociais e seus embates na constituição e
implantação efetiva de sociedades
democráticas. Um exemplo dessa
competência é o estudante compreender
a história dos direitos trabalhistas no
Brasil e a participação ativa das
organizações de trabalhadores neste
processo.
5. Compreender o processo histórico de
ocupação do território e a formação da
sociedade brasileira.
Nesse caso, a competência explicitada
requer que o estudante domine e
compreenda os acontecimentos e
conceitos históricos referentes ao processo
de ocupação do território e da formação da
sociedade brasileira. Compreender a
história das populações indígenas no Brasil
em diferentes épocas, sua inserção na
sociedade nacional e suas lutas em prol da
integridade de seu território, de sua
sobrevivência e do reconhecimento de
suas particularidades culturais, constitui
um exemplo dessa competência.
6. Interpretar a formação e organização
do espaço geográfico brasileiro,
considerando diferentes escalas.
Do estudante da EJA é esperado que
tenha a capacidade de interpretar a
formação e a organização do espaço
geográfico brasileiro, considerando
diferentes escalas geográficas (local,
regional, nacional e mundial) e
percebendo que o espaço possui
intervenções históricas humanas, idades e
tempos diferenciados. Um exemplo dessa
competência é o estudante compreender
que os espaços são constituídos de
maneiras diferentes por conta de variados
fatores naturais e intervenções humanas.
7. Perceber-se integrante, dependente e
agente transformador do ambiente.
É necessário que o estudante seja capaz
de relacionar e integrar diferentes
informações oriundas desse ambiente
para, a partir dessas relações, elaborar
propostas que possam contribuir para a
sua transformação social, política e
econômica. Espera-se, por exemplo, que
ele saiba analisar e se posicionar diante
das mudanças ocorridas nos ambientes
em função da expansão da indústria e
do modo de vida urbano, podendo ainda
contribuir para novas transformações.
8. Compreender a organização política e
econômica das sociedades
contemporâneas.
Trata-se aqui de esperar que o estudante
seja capaz de identificar, nas organizações
políticas e econômicas das sociedades
contemporâneas, as múltiplas relações
construídas historicamente por diferentes
instâncias da sociedade - indivíduos,
grupos sociais, instituições e o próprio
Estado - que modelam e remodelam
modos de vida e espaços geográficos. Um
exemplo dessa competência é o estudante
identificar e analisar as transformações
nos costumes dos brasileiros a partir da
expansão da indústria no país e da
integração das diferentes localidades por
meio da implantação da infra-estrutura de
transporte.
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III. A área de ciências humanas no ENCCEJA
9. Compreender os processos de
formação das instituições sociais e
políticas, a partir de diferentes formas
de regulamentação das sociedades e do
espaço geográfico.
Nesse caso, pretende-se que o estudante
identifique as instituições sociais e
políticas brasileiras, compreendendo seu
processo de constituição e analisando as
diferentes formas de regulamentação das
sociedades e do espaço geográfico. Espera-
se, por exemplo, que o estudante conheça
e se posicione diante da legislação que
regulamenta a representatividade política
do povo brasileiro, inserindo-a em
perspectivas históricas.
Considerando a especificidade da área de
Ciências Humanas, que engloba
múltiplos conhecimentos, e
considerando as diversas competências
que são requeridas do estudante da EJA
para ser capaz de analisar as
organizações sociais e as relações dos
seres humanos com a natureza, elegeu-
se como estratégia pedagógica de
avaliação o uso de situações-problema
(Macedo, 2002). Desse modo, por meio
de situações-problema, os saberes do
estudante são avaliados tendo-se em
vista sua capacidade para analisar
problemáticas contemporâneas, as
quais, para serem compreendidas,
requerem domínios históricos e
geográficos que envolvem a realidade
brasileira e a conjuntura mundial.
Construir questões de avaliação na forma
de situações-problema implica que o
estudante se defronte com a realidade
social, histórica e geográfica na sua
complexidade e que mobilize recursos,
recuperando o que sabe e pensa; que
formule hipóteses e conjecturas,
confrontando e coordenando diferentes
perspectivas a partir da análise de grupos
sociais ou sociedades; que considere
fatores históricos e geográficos e reveja
valores e idéias, priorizando princípios
éticos, julgando conflitos e pensando em
soluções.
As situações-problema possibilitam
avaliar a capacidade de análise e
entendimento de linguagens, criando
condições para se verificar, por exemplo,
se o estudante da EJA sabe identificar
opiniões de diferentes autores nos textos
que lê e organizar acontecimentos
históricos em uma linha do tempo.
Nesse sentido, portanto, essa proposta
de avaliação parte da idéia de que o
estudante é um sujeito ativo, pensante,
que sempre está colocando em jogo
aquilo que sabe, estabelecendo relações,
chegando a conclusões ou tomando
decisões.
A concepção de aprendizagem proposta
como referência para essa forma de
avaliação inclui, assim, procedimentos
importantes ligados às Ciências
Humanas, verificando se os alunos
dominam conteúdos vinculados à
dimensão do 
saber fazer (saber pesquisar,
questionar, analisar, confrontar...),
relacionados à sua competência para
saber aprender com autonomia.
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Ensino Fundamental
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B
IBLIOGRAFIA
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria do Ensino Fundamental. Parâmetros



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