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aprendizagem: o debate entre Jean Piaget & Noan Chomsky. São Paulo: Cultrix, 1983.
Tradução de Álvaro Alencar.
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PIAGET, Jean; GARCIA, R. Psicogénesis e história de la ciência. México, DF: Siglo XXI,
1984.
RAMOZZI-CHIAROTTINO, Z. Psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget. São
Paulo: EPU, 1988.
REY, B. Les compétences transversales en question
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Les compétences transversales en question. Paris: ESF, 1998.
ROPÉ, F. Dos saberes às competências? o caso do francês. In: ROPÉ, Françoise;
TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na
empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 69-100. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos e
equipe ILA da PUC/RS.
______. Racionalização pedagógica e legitimidade política. In: ROPÉ, Françoise;
TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na
empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 25-67. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos e
equipe ILA da PUC/RS.
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Este texto tem a finalidade de contribuir
para reflexões de professores e
especialistas da área de Ciências Humanas
do Ensino Fundamental envolvidos com o
trabalho de avaliação de jovens e adultos.
Inicialmente, o texto apresenta História e
Geografia como disciplinas escolares do
Ensino Fundamental que aglutinam
conhecimentos das diferentes Ciências
Humanas, pontuando suas especificidades
na formação escolar humanística,
voltada para a cidadania. Na seqüência,
trata das características dos alunos da
EJA e do que se espera que dominem e
articulem de acordo com o conhecimento
da área, especificando tanto
competências e domínios conceituais,
como também metodologias de análise
das produções humanas presentes na
realidade e expressas na diversidade de
linguagens. Por fim, reflete sobre as
competências que são apresentadas
como referência para avaliação do aluno
da EJA no Ensino Fundamental em
Ciências Humanas, apresentando alguns
exemplos de seus desdobramentos no
domínio e análise de conteúdos de
abrangências diversas que incluem, por
exemplo, informações, conceitos,
valores, atitudes e procedimentos.
As Ciências Humanas - que abrangem a
Filosofia, a História, a Geografia, a
Política, a Economia, a Sociologia e a
Antropologia - estão presentes no
Ensino Fundamental por meio de duas
disciplinas escolares específicas :
História e Geografia. Assim, além de
contemplarem conteúdos e métodos
específicos de suas ciências de origem e
de manterem seus compromissos
educacionais com a formação para a
cidadania, a História e a Geografia
também incluem a responsabilidade do
desenvolvimento de estudos
interdisciplinares que favoreçam a
análise e compreensão da complexidade
da vida em sociedade.
No campo do conhecimento científico,
a tarefa de captar a totalidade da vida
social ou dar conta da realidade
História e Geografia - Ensino Fundamental
Antonia Terra de Calazans Fernandes
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Ensino Fundamental
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complexa tem sido realizada pelas
pesquisas das Ciências Humanas, seja
por meio de uma única área de estudo
que procura abarcá-la em perspectiva
ampla, seja por meio de propostas
interdisciplinares envolvendo duas ou
mais áreas de conhecimento. Por
exemplo, durante décadas a História e a
Geografia mantiveram proximidades
com a Economia e nos últimos vinte
anos fortaleceram por sua vez, seus
diálogos com a Antropologia.
Mais recentemente, tem prevalecido nas
Ciências Humanas um esforço
interdisciplinar fundamentado por
variados debates e intercâmbios entre
diferentes áreas. O historiador Hobsbawm
(1998) pontua que os estudos ligados à
história social implicam necessariamente
em análises interdisciplinares, porque a
compreensão das sociedades requer
perspectivas abrangentes da vivência
social, incluindo as diferentes relações
que os grupos estabelecem entre si e com
a natureza. A forma como as sociedades
garantem seu sustento, por exemplo,
estabelece vínculos com as relações
construídas entre as pessoas e os grupos,
com a organização do espaço de convívio
e trabalho, com as manifestações
culturais vivenciadas e expressas etc.:
A história social nunca pode ser mais
uma especialização, como a história
econômica ou outras hifenizadas, porque
seu tema não pode ser isolado. (...) O
historiador das idéias pode (por sua conta
e risco) não dar a mínima para a
economia, e o historiador econômico não
dar a mínima para Shakespeare, mas o
historiador social que negligencia um dos
dois não irá muito longe.
(Hobsbawm, 1998, p. 87)
A presença da História e da Geografia
no espaço escolar sempre agregou
reflexões e debates nas Ciências
Humanas; tais debates seguem,
tradicionalmente, a tendência de abarcar
conteúdos - temas e domínios -
interdisciplinares. Os Parâmetros
Curriculares Nacionais para a História
(Brasil, 1998)
 refletem atualmente essas
reflexões, pontuando a necessidade desse
campo estabelecer diálogos com outras
áreas de conhecimento para dar conta de
diferentes problemáticas contemporâneas
em suas dimensões temporais. Segundo
esses parâmetros, novos conteúdos
podem ser considerados em uma
perspectiva histórica por meio de
trabalhos interdisciplinares.
A História e a Geografia, dentre as
Ciências Humanas, contemplam hoje
perspectivas mais totalizantes de análise
das sociedades, tendo como objeto de
estudo tanto questões intrínsecas às
relações e organizações humanas,
quanto sua relação com a natureza.
Além disso, possibilitam o estudo do
mundo contemporâneo de modo
abrangente e também fornecem os
fundamentos para que as questões sejam
analisadas na perspectiva do passado e
das transformações realizadas pelas
sociedades no espaço.
Por outro lado, o compromisso do
Ensino Fundamental com a cidadania
também tem instigado essas áreas a
reverem conteúdos estritamente escolares
ou puramente disciplinares para
favorecerem uma formação mais
humanista ao estudante, permitindo-lhe
compreender, analisar criticamente e
atuar socialmente. Nos Parâmetros
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III. A área de ciências humanas no ENCCEJA
Curriculares Nacionais para a Geografia
(Brasil, 1998), isto fica explícito na
proposta de que
 cada cidadão, ao
conhecer as características sociais,
culturais e naturais do lugar onde vive,
bem como as de outros lugares, pode
comparar, explicar, compreender e
espacializar as múltiplas relações que
diferentes sociedades (...) estabelecem
com a natureza na construção de seu
espaço geográfico, adquirindo assim
conhecimentos que lhe
 permitem maior
consciência dos limites e
responsabilidades da ação individual e
coletiva com relação ao seu lugar e a
contextos mais amplos, da escala
nacional a mundial. (ibid., 1998, p. 33)
A
S
 C
IÊNCIAS
 H
UMANAS
 
E
A
 
FORMAÇÃO
 
PARA
 
A
 
CIDADANIA
Da perspectiva da formação para a
cidadania, a Proposta Curricular de
Jovens e Adultos (Brasil, 2002) também
contempla a preocupação de formar para
a participação política, entendendo-a
não unicamente como escolha de
representantes políticos, mas também
como participação em movimentos
sociais e  envolvimento com os temas e
questões da nação e em todos os níveis
da vida cotidiana. Defende a idéia de
que as mudanças no mundo atual
exigem uma compreensão melhor o
mundo em que vivemos para nele
atuarmos de maneira crítica, responsável
e transformadora. (ibid., 2002, p. 114 - 115)
Perseguindo essa meta, a área de
Ciências Humanas no Ensino
Fundamental favorece ao aluno a
análise de sua inserção no mundo
humano, dimensionando suas
temporalidades e suas relações com o
espaço a partir do desenvolvimento de
determinadas competências,
envolvendo estudos de uma diversidade
de conteúdos - informações, conceitos,
procedimentos, valores e atitudes.
Nessa linha, as disciplinas de História e
Geografia no Ensino Fundamental
pretendem imprimir à formação do
aluno uma tendência que priorize o
desenvolvimento de competências, tais
como:
compreender processos sociais,
utilizando conhecimentos históricos e
geográficos;
• compreender o papel das sociedades
no processo de produção do espaço, do
território, da paisagem e do lugar;
• compreender a importância do
patrimônio cultural e respeitar a
diversidade étnica;
• compreender e valorizar os fundamentos
da cidadania e da democracia, de forma a
favorecer uma atuação consciente do
indivíduo na sociedade;
• compreender o processo histórico de
ocupação do território e a formação da
sociedade brasileira;
• interpretar a formação e organização
do espaço geográfico brasileiro,
considerando diferentes escalas;
• perceber-se integrante, dependente e
agente transformador do ambiente;
• compreender a organização política e
econômica das sociedades contemporâneas;
• compreender os processos de
formação das instituições sociais e
políticas, a partir de diferentes formas
de regulamentação das sociedades e do
espaço geográfico.
Essas competências estão fundadas em
princípios que inter-relacionam o
domínio de linguagens, os conceitos das
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Ensino Fundamental
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Ciências Humanas e a formação para a
cidadania, ou seja, revelam a intenção e
o propósito de que os estudantes devam
ter a capacidade de articular
determinados saberes de ordem
intelectual que favoreçam a reflexão
sobre diferentes dimensões da realidade
social e a construção de julgamentos e
atuações em prol de atitudes sociais de
respeito e solidariedade.
O desdobramento dessas competências
nos conteúdos intrínsecos às Ciências
Humanas solicita que os estudantes
tenham acesso a saberes diversos que
incluam informações e conceitos sociais,
políticos, culturais, históricos e
geográficos; conhecimentos de como
proceder para colher informações e
realizar análises a partir de variadas
linguagens (mapas, imagens, diferentes
tipos de texto...). Também envolve
conhecimentos de como julgar e atuar
em favor da preservação de patrimônios,
do respeito à diversidade cultural, da
realização plena da democracia e do
reconhecimento da participação efetiva
dos indivíduos, grupos, classes, povos e
Estados na construção e transformação
da realidade vivida.
O
S
 
ALUNOS
 
DE
 EJA 
E
 
AS
 C
IÊNCIAS
 H
UMANAS
As Diretrizes Curriculares Nacionais para
a Educação de Jovens e Adultos
identificam os alunos de EJA como
sendo herdeiros de um processo
histórico cruel e moldado pela
segregação.
Suas raízes são de ordem histórico-
social. No Brasil, esta realidade resulta
do caráter subalterno atribuído pelas
elites dirigentes à educação escolar de
negros escravizados, índios reduzidos,
caboclos migrantes e trabalhadores
braçais, entre outros
3
. Impedidos da
plena cidadania, os descendentes destes
grupos ainda hoje sofrem as
conseqüências desta realidade histórica.
Disto nos dão prova as inúmeras
estatísticas oficiais. A rigor, esses
segmentos sociais, com especial razão
negros e índios, não eram considerados
como titulares do registro maior da
modernidade: uma igualdade que não
reconhece qualquer forma de
discriminação e de preconceito com base
em origem, raça, sexo, cor, idade,
religião e sangue, entre outros. Fazer a
reparação desta realidade, dívida inscrita
em nossa história social e na vida de
tantos indivíduos, é um imperativo e um
dos fins da EJA, porque reconhece o
advento para todos deste princípio de
igualdade (Diretrizes curriculares
nacionais para a educação de jovens e
adultos, 2000).
Como fruto dessa história, por
ingressarem ou regressarem à escola
como jovens e adultos, os alunos de EJA
possuem uma história pessoal marcada
pelo trabalho e por vivências sociais que
os diferenciam dos estudantes de idade
regular. Ao mesmo tempo, ao longo da
história da educação brasileira, essa
modalidade de ensino tem considerado
essa formação específica (desenhada pela
variação de idade e de cultura) nos seus
instrumentos didáticos e de avaliação.
As experiências com EJA têm sido ainda
um aprendizado quanto à intervenção
pedagógica e às relações do saber formal
com o conhecimento prévio no processo
de aprendizagem do aluno, de modo a
valorizar seu saber e, simultaneamente,
favorecer-lhe a apropriação também de
uma cultura exigida por determinados
setores sociais. Essa conciliação é



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