Hfd revista, V. 5, n. 10, p. 73-90, ago/dez 2016 Uma análise crítica das condições de trabalho


O trabalho nas atividades ligadas à indústria da moda hoje



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O trabalho nas atividades ligadas à indústria da moda hoje
No século XX, com o estabelecimento de normas de segurança e leis trabalhis-
tas, muitas foram as melhorias nas atividades ligadas a indústria têxtil. Entretanto, 
ainda no início do século uma tragédia envolveu trabalhadoras de uma fábrica em 
Nova York. Em 25 de março de 1911, a Triangle Shirtwaist Company incendiou, ma-
tando 145 trabalhadores, a maioria meninas imigrantes. A tentativa de deixar o prédio 
falhou porque as portas que davam para as escadas estavam trancadas por fora para 
evitar o roubo de material. (HISTORY.COM STAFF, 2009; BURNS e BRYANT, 2007).
Os gastos relacionados com o trabalho, segundo Burns e Bryant (2007), são fun-
damentais na tomada de decisão de uma empresa. Assim, questões como quantidade 
de trabalhadores, fabricação nacional ou estrangeira e qual é o investimento neces-
sário para a produção são discutidas a fim de definir a estratégia de produção de cada 
empresa. Isso porque a fase de criação e desenvolvimento do produto de moda exige 
tecnologia e pessoal altamente qualificado. Diante disso empresas americanas e eu-
ropeias investem fortemente na fase de desenvolvimento de produto e publicidade 
da marca, deixando a fase de produção a cargo de empresas terceirizadas, em países 
cujos custos totais são muito inferiores aos praticados no país de origem da marca. 
De acordo com Sheng Lu (2015) o valor mais alto da hora de trabalho na indústria 
têxtil pode chegar a $ 51.36 na Suíça e o mais baixo pode ser de $ 0.62 em Bangladesh 
e no Paquistão . 
Conforme Kunz e Garner (2010), enquanto países desenvolvidos têm trabalhado 
para um comércio mais livre nos últimos cinquenta anos, o mesmo não ocorre quan-
do se trata de imigrantes. No caso do vestuário, na Califórnia e na Flórida, é comum 
o emprego de mão de obra de imigrantes legais e ilegais. Dos que chegam a diversos 
países da Europa, muitos são transportados em navios de carga, escondidos entre 
os contâiners, ou transportados em pequenas embarcações, em número superior 
ao que o veículo suporta normalmente, levando a perda de vidas pelo caminho. Es-
sas pessoas saem de seus países em função de guerras e outras demandas políticas 
e econômicas e ao chegar em países da Europa ou nos Estados Unidos se deixam 
explorar de muitas maneiras, suportando desde trabalho escravo até exploração se-
xual, uma vez que existe o risco de serem deportados. A exploração do ser humano 
é possível porque existem segmentos da população que são vulneráveis e, por outro 
lado, existem pessoas especializadas em tirar vantagem disso. Fatores que contri-
buem para essa vulnerabilidade incluem pobreza, gênero, idade e/ou origem étnica.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo a Human Rights Watch 
(2016), estima que 168 milhões de crianças estejam envolvidas em trabalho infantil 
globalmente, e destas, 85 milhões em trabalhos perigosos que põe em risco a sua 
saúde ou segurança. O trabalho infantil em cadeias globais de suprimentos foi o tema 
do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, em 12 de junho de 2016, em Genebra. Atu-
almente, por exemplo, existem crianças trabalhando em minas de ouro nas Filipinas 
e na Tanzânia, tecelagem de tapetes no Afeganistão, em campos de tabaco nos Esta-
dos Unidos e em assentamentos agrícolas na Cisjordânia.


Tatiana Castro Longhi
Flávio Anthero Nunes Vianna dos Santos
Uma análise crítica das condições de trabalho na indústria têxtil desde 
a industrialização do setor até os dias atuais

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