Hfd revista, V. 5, n. 10, p. 73-90, ago/dez 2016 Uma análise crítica das condições de trabalho



Baixar 252.45 Kb.
Pdf preview
Página7/14
Encontro13.07.2022
Tamanho252.45 Kb.
#24247
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   14
8832-Texto do artigo-28251-1-10-20161201
A chegada da máquina de costura
O sistema de confecção de roupas em Londres, até a introdução da máquina de 
costura (1850) dividia-se em dois segmentos: o “elegante” e o “vulgar”. O segmento 
“elegante” contava com o trabalho de oficiais plenamente qualificados, a maioria de 
modo permanente, que trabalhavam nas instalações do patrão e recebiam por peça. 
No segmento “vulgar”, alfaiates e costureiras trabalhavam informalmente para gran-
des estabelecimentos com escassez de mão de obra e ainda havia a figura do swea-
ter. Este era um intermediário, que recebia a encomenda e repassava o trabalho para 
costureiras e alfaiates, a uma remuneração muito abaixo do previsto para a tarefa
além dos descontos de alimentação e alojamento. (FORTY, 2007).
Em 1849, segundo Forty (2007), aproximadamente seis em cada sete trabalha-
dores do setor de vestuário de Londres estavam empregados no segmento “vulgar”, 
como informais ou sweated, fazendo camisas prontas e sobretudos para grandes lo-
jas de roupas masculinas, além de uniformes e fardas.
Na concepção de Hobsbawm (2009, p.67), 
A industrialização edificou fábricas de móveis e roupas, mas também fez com 
que marceneiros hábeis e organizados se transformassem em trabalhadores sub
-remunerados e gerou aqueles exércitos de costureiras e camiseiras famintas e 
tuberculosas que comoviam a opinião da classe média mesmo naquela época ex-
tremamente insensível. 
Com a comercialização das máquinas de costura, que aumentavam em muito 
a produção de quem trabalhava com agulha, era vantajoso trabalhar numa oficina 
que as fornecesse, o que levou os trabalhadores a se tornarem operários em fábricas 
ao invés de trabalharem em casa. O padrão e o corte das roupas eram determinados 
pelos patrões e lojas de varejo. As costureiras a máquina ganhavam uma fração do 
que ganhavam as costureiras à mão, por uma quantidade de trabalho equivalente e
ambas, trabalhavam por 12 horas ou mais. (FORTY, 2007).
Além do crescimento populacional aliado à expansão dos centros urbanos, 
um dos fatores que contribuíram para a expansão da indústria do vestuário reside no 
campo das distinções entre as classes sociais. No século XVIII, o algodão estampado, 
por exemplo, era relativamente caro e era comprado por mulheres da classe média e 
alta. As mulheres da classe trabalhadora só usavam vestidos de algodão estampados 
de segunda mão, pois era mais comum entre a classe operária o uso de roupas de 
lã, em vez de algodão. Porém, com a grande expansão da indústria do algodão no 
século XIX, as mulheres das classes trabalhadoras puderam adquirir o produto, de tal 
modo que em 1818, constituíam quase todo o mercado interno consumidor do algo-
dão estampado. (FORTY, 2007). 
De fato, o algodão estampado era, segundo Engels (2008), um produto sujeito 
as flutuações da moda e por isso o trabalho não possuía um horário de operação 


Tatiana Castro Longhi
Flávio Anthero Nunes Vianna dos Santos
Uma análise crítica das condições de trabalho na indústria têxtil desde 
a industrialização do setor até os dias atuais
82
HFD Revista, v.5, n.10, p.73-90, ago/dez 2016
regular. Desse modo, se haviam poucas encomendas, operavam a meio tempo, mas 
se um de seus artigos entrava na moda e os negócios iam bem, operavam até as dez 
horas da noite, à meia-noite e, às vezes, sem parar.

Baixar 252.45 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   14




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal