Hfd revista, V. 5, n. 10, p. 73-90, ago/dez 2016 Uma análise crítica das condições de trabalho


HFD Revista, v.5, n.10, p.73-90, ago/dez 2016 As condições de trabalho de mulheres e crianças



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HFD Revista, v.5, n.10, p.73-90, ago/dez 2016
As condições de trabalho de mulheres e crianças
Com o aperfeiçoamento da fiação, o setor de tecelagem manual teve de au-
mentar drasticamente os seus efetivos. Os trabalhadores rurais então abandonavam 
suas atividades camponesas e se apresentavam em grupos familiares nas fábricas, 
que contratava a família inteira para trabalhar. Isso durou enquanto as equipes de tra-
balho pequenas eram possíveis e vantajosas (um adulto ajudado por duas crianças). 
No caso da fiação, ao correr do século XIX, com o aperfeiçoamento das máquinas, 
seriam necessários até nove ajudantes. Já na tecelagem, ocorreu o contrário, pois o 
aperfeiçoamento das máquinas permitia que uma criança fizesse o trabalho de dois 
ou três homens, lançando milhares de desempregados á rua. (BRAUDEL, 1996).
Embora os salários fabris tendessem a ser mais altos que os da ‘indústria domésti-
ca’ (exceto os pagos a trabalhadores manuais altamente qualificados e versáteis), 
os trabalhadores relutavam em trabalhar nelas, pois ao fazê-los as pessoas per-
diam aquele direito com que haviam nascido – a independência. Na verdade, essa 
era uma das razões por que se contratavam de preferência mulheres e crianças, 
mais dóceis: em 1838 apenas 23% dos trabalhadores das fábricas de tecidos eram 
homens adultos. (HOBSBAWM, 2009, p. 64).
Na concepção de Engels (2008), as mulheres e crianças ocupando os postos de 
trabalho dos homens causava uma subversão na ordem familiar. Com a mulher tra-
balhando doze ou treze horas por dia e com o homem também ocupado, na fábrica 
ou em qualquer outro serviço, as crianças que ainda não podiam trabalhar, cresciam 
sem cuidados. Eram entregues à guarda alheia por 1 ou 1,5 shilling por semana. Era 
comum o emprego de narcóticos para manter as crianças sossegadas e essa era a 
principal causa dos numerosos casos de morte por convulsão. As mulheres, em sua 
maioria, voltavam ao trabalho três ou quatro dias após o parto, deixando o bebê em 
casa.
No início da industrialização, os fabricantes buscavam as crianças nas casas de 
assistência a infância pobre, que as alugavam em grupo, na condição de aprendizes. 
A partir de 1796, a opinião pública pronunciou-se contra esse sistema. Com a con-
corrência dos trabalhadores livres e o aperfeiçoamento das máquinas, gradualmente 
foi crescendo a oferta de trabalho para jovens e adultos. Assim, o número de crianças 
trabalhando reduziu-se proporcionalmente e a idade mínima dos trabalhadores rara-
mente era inferior a oito ou nove anos. (ENGELS, 2008).
Os maus tratos às crianças, segundo Engels (2008) incluíam socos e pontapés, 
principalmente pela manhã, no momento de serem retiradas das camas para traba-
lhar. Muitas dessas crianças e jovens, entre cinco e quinze anos não frequentava ne-
nhuma escola ou abandonavam os estudos muito cedo. Consequentemente, metade 
de todos os delitos era cometida por pessoas com menos de quinze anos.
Por outro lado, Hessen (2015), afirma que críticas como essas, colocam todo 
o problema social da época na responsabilidade das fábricas. Mas está implícita na 
condenação do trabalho da mulher, a noção de que seu lugar era em casa e que seu 
único papel era cuidar do lar, do marido e dos filhos. Ou seja, o trabalho encorajaria 
o desleixo com os cuidados domésticos, a falta de subordinação feminina e o desejo 


Uma análise crítica das condições de trabalho na indústria têxtil 
desde a industrialização do setor até os dias atuais
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Tatiana Castro Longhi
Flávio Anthero Nunes Vianna dos Santos
por bens supérfluos. A roupa pronta era um exemplo, pois era então comprada ao 
invés de feita por elas mesmas, já que o seu preço se tornara acessível, graças à re-
volução na produção têxtil.

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