Hfd revista, V. 5, n. 10, p. 73-90, ago/dez 2016 Uma análise crítica das condições de trabalho


partir de aproximadamente 1750, até a introdução da máquina de costura em 1850



Baixar 252.45 Kb.
Pdf preview
Página3/14
Encontro13.07.2022
Tamanho252.45 Kb.
#24247
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14
8832-Texto do artigo-28251-1-10-20161201

partir de aproximadamente 1750, até a introdução da máquina de costura em 1850;
2) O trabalho na indústria têxtil na atualidade, especialmente no caso de países 
e indústrias que ainda mantém condições de trabalho insalubres e remunerações 
muito baixas.
Por ser o centro mundial nesse momento histórico, optou-se por estudar os 
fenômenos ocorridos na Inglaterra, mantendo o recorte da pesquisa somente nesse 
país, embora fenômenos semelhantes tenham ocorrido em outros países. Quanto à 
abordagem contemporânea, a pesquisa não se deteve a nenhum país em especial e 
sim às condições de trabalho em atividades ligadas a indústria têxtil, com destaque 
para a confecção de vestuário.
Após apresentar o referencial teórico sobre os dois períodos, buscou-se traçar 
um paralelo entre os períodos abordados. A intenção é a de analisar, do ponto de 
vista da ergonomia, se as condições de trabalho se modificaram ou se práticas seme-
lhantes ainda vigoram em parte da indústria têxtil na atualidade. 
Fundamentação teórica
O principal produto impulsionador da evolução no maquinário 
fabril: o algodão
Diversos fatores influenciaram a Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, 
tais como a demanda e a disponibilidade da matéria prima, que no caso do ramo têx-
til era o algodão.
No século XVII, segundo Pezzolo (2007), navios europeus traziam carregamen-
tos de algodão estampado da Índia, comprados a peso de ouro pela nobreza e pela 
burguesia. A demanda crescente por esses tecidos, leves, brilhantes e com estampas 
exóticas, impulsionou a criação de manufaturas na Europa, que passaram a concor-
rer com a mercadoria indiana. Mas as primeiras tentativas de imitação foram medío-
cres, pois os artesãos indianos, além de extremamente habilidosos, possuíam conhe-
cimentos técnicos tradicionais que permitiam uma maior fixação da cor. Assim, de 
acordo com Hobsbawm (2009) ainda no final do século XVII, os fabricantes de têxteis 
obtiveram a proibição da importação de tecidos de algodão estrangeiros, o que pos-
sibilitou o fortalecimento do mercado interno, até que este ficasse forte o bastante 
para exigir a sua entrada no mercado de outros países.
Em 1750 Londres tinha em torno de 750.000 habitantes, o que a tornava a maior 
cidade da Cristandade, aproximadamente duas vezes maior que Paris, conforme 
Hobsbawm (2009). Nessa época havia uma crescente produção algodoeira alicer-
çada pelo trabalho escravo. Em 1753, segundo Pezzolo (2007), Londres recebeu o 
primeiro carregamento de algodão vindo dos Estados Unidos. Porém, foi somente 
em 1794 que os preços baixaram, com a invenção da máquina de descaroçar, pelo 
americano Eli Witney, que separava os grãos das fibras, trabalho que era feito à mão 
até então.
Em 1801, a indústria do vestuário na Europa consumia 78% de lã, 18% de linho 
e 4% de algodão. Um século depois, as proporções eram de 20% de lã, 6% de linho e 
74% de algodão. (PEZZOLO, 2007). De fato, segundo Yafa (2005 apud Burns e Bryant


Uma análise crítica das condições de trabalho na indústria têxtil 
desde a industrialização do setor até os dias atuais
77
HFD Revista, v.5, n.10, p.73-90, ago/dez 2016
Tatiana Castro Longhi
Flávio Anthero Nunes Vianna dos Santos
2007) em fins de 1890, 3/4 das roupas na Europa e nos Estados Unidos eram feitas de 
algodão.

Baixar 252.45 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal