Hfd revista, V. 5, n. 10, p. 73-90, ago/dez 2016 Uma análise crítica das condições de trabalho


HFD Revista, v.5, n.10, p.73-90, ago/dez 2016 Tatiana Castro Longhi Flávio Anthero Nunes Vianna dos Santos Introdução



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HFD Revista, v.5, n.10, p.73-90, ago/dez 2016
Tatiana Castro Longhi
Flávio Anthero Nunes Vianna dos Santos
Introdução
O trabalho é uma forma de atividade humana, resultante de um conjunto de 
esforços (físico, intelectual, social, psicológico, motor, cognitivo etc) provenientes do 
ser humano. Nas palavras de Guérin et al. (2001, p. 16), “Sem atividade humana não há 
trabalho, mas pode haver uma produção”. 
A indústria têxtil, desde os primórdios da Revolução Industrial em meados do 
século XVIII, se desenvolveu baseada em dois pilares fundamentais – a gradativa evo-
lução das máquinas e a mão de obra abundante e barata disponível. Essa disponibi-
lidade de pessoas existia em função das condições sociais e políticas da época, uma 
vez que além de famílias inteiras que se ofereciam para trabalhar ainda havia uma 
massa de imigrantes em busca de qualquer trabalho. Assim, a mão de obra dispo-
nível dividia-se basicamente em duas categorias – famílias que viviam no campo e 
imigrantes, principalmente irlandeses. As famílias inglesas eram compostas pelo pai, 
pela mãe e pelas crianças e todos, a partir dos cinco anos de idade, já buscavam al-
gum tipo de trabalho nas décadas iniciais da industrialização.
Nesse período, a produção era pautada pelo desempenho e limitações das má-
quinas e não das pessoas. Dessa forma, conforme os engenheiros e mecânicos pro-
viam uma máquina com alguma melhoria técnica, essa mudança também modificava 
o modus operandi das fábricas e oficinas. Para algumas máquinas era preciso um 
operário principal e vários ajudantes; para outras, somente dois operadores. Toda a 
oportunidade de substituir o trabalho dos homens ingleses pelo de mulheres, crian-
ças e imigrantes era imediatamente aproveitada a fim de limitar os gastos com pes-
soal.
Durante esse período ainda não havia noções de sanitarismo e segurança no 
trabalho, pois segundo Dul e Weerdmeester (2004), a ergonomia só se desenvolveria 
como uma ciência durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nesse período, 
todos os esforços foram feitos no sentido de reunir tecnologia, ciências humanas e 
biológicas na solução de problemas de projeto, nesse caso na operação de equipa-
mentos militares complexos. O trabalho conjunto de médicos, psicólogos, antropó-
logos e engenheiros foi tão frutífero que determinou o desenvolvimento da Ergono-
mia como ciência, que seria utilizada pela indústria em geral.
A ergonomia é a ciência que busca adaptar o trabalho ao homem, considerando 
as suas habilidades e limitações. No entanto, conforme Guérin et al. (2001), existem 
muitas situações em que devido a aspectos financeiros, técnicos ou organizacio-
nais não existe uma reflexão sobre o lugar do ser humano no sistema de produção. 
Sem considerar as limitações humanas em função do próprio ambiente de trabalho, 
quando ocorrem incidentes, frequentemente culpam-se os próprios trabalhadores 
de descuido ou inépcia.
Metodologia
A metodologia do trabalho dividiu a pesquisa em dois recortes temporais:
1) O trabalho na indústria têxtil desde os primórdios da revolução industrial, a 


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Uma análise crítica das condições de trabalho na indústria têxtil desde 
a industrialização do setor até os dias atuais
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