Géssica Cristina Cortacio Bezerra educaçÃo matemática: concepçÕes e prática docente no terceiro ano do ensino fundamental



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CAPÍTULO 2: METODOLOGIA

2.1 – A abordagem qualitativa

Mesmo que não seja a intensão desta pesquisa realizar um estudo comparativo, no decorrer do curso de Pedagogia, durante as aulas de matemática, meus primeiros questionamentos referentes à prática pedagógica na qual fui inserida na infância começaram a surgir. A frase: “Por que não me ensinaram assim naquela época?” se tornou cada vez mais constante.

Pensar o dia a dia do ensino da matemática no contexto atual me fez crer na necessidade de desenvolver um trabalho de pesquisa no qual o foco principal seria a evolução do trabalho do professor junto aos seus alunos.

Porém, para tal, não seria suficiente apenas um estudo teórico ou uma pesquisa com dados quantitativos e questionários a serem respondidos pelos docentes. Neste caso, o mais adequado seria ir a campo observar o dia a dia e optar pela abordagem qualitativa devido ao seu potencial no estudo de fatos e acontecimentos do cotidiano escolar, como explica Lüdke e André4 (1986, apud Thees, 2015, p. 67),

De acordo com (BOGDAN e BIKLEN5 1994, apud Thees, 2015, p. 68),

A abordagem da investigação qualitativa exige que o mundo seja examinado com a ideia de que nada é trivial, que tudo tem potencial para constituir uma pista que nos permita estabelecer uma compreensão mais esclarecedora do nosso objeto de estudo. (ibidem)

Dentro desta perspectiva, procurei incluir-me no dia a dia das turmas pesquisadas adotando uma postura ética e respeitosa, porém ativa e crítica considerando não somente o modo que o professor abordava determinado conteúdo, mas procurando atentar para as situações diversas que ocorreram durante o período de observação nos mais variados momentos. Para Bogdan e Biklen (ibid, p.68), o pesquisador “introduz-se no mundo das pessoas que pretende estudar, tenta conhecê-las, dar-se a conhecer e ganhar sua confiança”

Outro aspecto que considero importante destacar é que ao optar por trabalhar qualitativamente, foi necessário compreender que, ao analisar os dados coletados, seria necessário que minha interpretação de cada situação não considerasse minha realidade, mas a do objeto da pesquisa em seu contexto, não optando pela neutralidade, mas sim pela compreensão do cotidiano e de cada situação observada.

Para realizar a investigação no campo, durante a investigação constituí um caderno de campo como instrumento de coleta de dados onde descrevi de forma sistemática cada situação observada, assim como minhas percepções e críticas referente aos momentos que vivenciei como pesquisadora.

No decorrer da minha pesquisa, optei pelo estudo do cotidiano dentro da abordagem qualitativa. Segundo Sampaio6 (2006 apud Thees, 2015, p. 71) “registrar e discutir cenas do cotidiano escolar é dar [garantir] voz a esses sujeitos encarnados – autores/ autoras de uma história ‘miúda’ que se faz no dia-a-dia da escola e da sala de aula”.

Minha opção por este método se justifica, pois foi observando o dia a dia da escola que meus questionamentos iniciais foram se esclarecendo no decorrer do trabalho, além de outros que foram surgindo.

Segundo Garcia e Alves7 (2006, apud Thees, 2015, p. 73):

na sala de aula a teoria se atualiza, confirmada ou negada, na busca de soluções para o que enfrentam sujeitos empenhados em ensinar e aprender. Nenhuma teoria dá conta da totalidade de tão complexo processo. Explica alguma coisa, mas não explica outras, exatamente porque cada sujeito e cada situação são únicos, diferentes do já conhecido e teorizado. (ibidem)

Seguindo esta metodologia e considerando a missão8 do Colégio, que é a de “Promover a educação de excelência, pública, gratuita e laica, por meio da indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão, formando pessoas capazes de intervir de forma responsável na sociedade”, lembro que a perspectiva de uma abordagem crítica está presente não somente devido ao referencial de Paulo Freire, mas também devido a natreza do colégio.

Além do estudo do cotidiano, o estudo de caso também cabe como metodologia para este trabalho, visto que segundo Thees (2015, p. 70): “tem como propósito compreender, de forma abrangente, os sujeitos em estudo, além de tentar desenvolver afirmações teóricas sobre o que foi observado, as regularidades do processo e suas dinâmicas sociais” . Acredito que o estudo de caso associado com algumas inspirações do estudo do cotidiano imprimem a forma como o trabalho foi realizado na escola e a utilização do caderno de campo como instrumento de apoio auxilia no registro dos casos observados para posterior análise.





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