Geraldo dos Santos Tavares 1


Keywords: Amazon, assai, market, Euterpe oleracea.    Introdução



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Keywords: Amazon, assai, market, Euterpe oleracea. 

 

Introdução 

O  famoso  ficcionista  francês  Júlio  Verne  (1828-

1905)  autor  do  clássico  “A 

volta ao mundo em oitenta dias” em 1872, lançou  a obra de ficção “A jangada” em 

1880, no qual descreve a viagem de Iquitos até a foz do rio Amazonas e faz menção 

                                                           

 

1



 Engenheiro agrônomo, especialista em fruticultura da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e 

da Pesca (SEDAP), Belém, Pará, Brasil. 

2

 Engenheiro agrônomo, especialista em economia agrícola, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Belém, 



Pará, Brasil.  


 

do uso do vinho de açaí. É impressionante a capacidade criativa do autor, fazer esta 



descrição  sem  nunca  ter  visitado  a  Amazônia.  Esta  paisagem  tranquila  das  casas 

ribeirinhas  com  palmeiras  de  açaizeiros  (Euterpe  oleracea)  ao  redor,  lembrando os 

quadros  idílicos  da  Polinésia  do  pintor  impressionista  francês  Paul  Gauguin  (1948-

1903), vem passando por grande transformação a partir do final da década de 1960. 

 

Para  atender  o  crescente  mercado  de  palmito  estas  áreas  de  ocorrência  de 



açaizeiros sofreram uma grande destruição que lembravam os campos pulverizados 

com agente laranja no Vietnã. Isto levou o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) a 

assinar  a  Lei  nº  6.576/1978,  proibindo  a  derrubada  de  açaizeiros  que  não  teve 

nenhum  efeito.  O  crescimento  do  mercado  do  fruto  de  açaí  a  partir  da  década  de 

1990, teve um efeito positivo na sua conservação e preservação. Isto traz um grande 

recado que o mercado pode induzir a destruição do meio ambiente, como garantir a 

sua  preservação  e  conservação,  que  deve  ser  estendido  para  outros  produtos  da 

Amazônia (HOMMA et al, 2006). 

 

O  assassinato  de  Chico  Mendes  (1944-1988)  com  vinda  de  jornalistas  do 



mundo  inteiro  chamou  a  atenção  para  diversas  frutas  amazônicas  que  tinham 

consumo  local  como  o  cupuaçu,  açaí,  bacuri,  pupunha,  etc.  Estas  frutas  pelas 

características  ímpares  do  cheiro,  sabor,  cor,  formato,  valor  nutritivo,  entre  outros, 

estimularam a sua venda para outras partes do país e para o exterior. O crescimento 

do  mercado  de  polpa  de  açaí,  induzido  pelo  processo  de  beneficiamento  e 

congelamento  quadruplicou  o  consumo  local,  antes  restrito  ao  período  da  safra.  O 

beneficiamento  efetuado  pelas  amassadeiras  de  açaí  foi  substituído  por  batedeiras 

elétricas e, atualmente, por modernas máquinas industriais de processamento dessa 

fruta.  

 

Existem três espécies de palmeiras que também produzem 



o vinho de “açaí”. 

A  Euterpe  oleracea  com  dominância  nos  Estados  do  Pará  e  Amapá,  responsável 

pela maior parte da produção, tem capacidade de produzir rebrotamentos; a Euterpe 

precatória,  com  dominância  no  Estado  do  Amazonas, 

conhecida  como  “açaí  do 

mato” e sem capacidade de perfilhamento e, a Euterpe edulis, com habitat na Mata 

Atlântica,  não  perfilha,  sofreu  forte  processo  de  destruição  para  a  retirada  de 

palmito. 

A  cadeia  do  açaí  envolve  extrativistas,  produtores,  intermediários,  indústrias  de 

beneficiamento  e  batedores  artesanais  é  de  importância  crucial  para  a  formação  de  renda 

de expressivo grupo de famílias de pequenos produtores.

 

 

Estamos  assistindo,  com  o  crescimento  do  mercado,  a  mudança  do  sistema 



extrativo que apresenta baixa produtividade (4,2t/ha), para o sistema manejado (8,4 

t/ha) e o irrigado que pode atingir 15 t/ha, com possibilidade de crescer ainda mais 

com as  inovações tecnológicas  (SANTOS  et  al.,  2012). O  interesse  pelo  plantio  de 

açaizeiro  irrigado  é  para  obter  a  produção  na  entressafra  onde  os  preços  são 

bastante  elevados.  Há  muita  variação  de  produtividade  e  de  lucro,  não  indicando 

que somente com a irrigação seria possível triplicar a produtividade do extrativismo. 

Como  fruto  de  Convênio  de  cooperação  técnico  firmado  entre  a  então  Secretaria 

Estadual de Agricultura do Estado do Pará (SAGRI) e a Embrapa Amazônia Oriental, 

foi  realizado  o  lançamento  da  cultivar  de  açaizeiro  BRS  Pará  em  2004  estimando 

que no período 2008 a 2014 a SAGRI tenha distribuído 22,7 toneladas de sementes 

selecionadas, o que permitiu a produção de pelo menos 10,7 milhões de mudas. Isto 

não significa que todas estas mudas foram aproveitadas de forma adequada. 

 

Reconhecendo  a  importância  do  açaí  para  a  economia    paraense  foi  criado 



em  2011  pelo  Governo  do  Estado  o  Programa  Estadual  de  Qualidade  do  Açaí, 

objeto do Decreto Estadual nº 250/11 coordenado pela atual Secretaria de Estado de 

Desenvolvimento  Agropecuário  e  da  Pesca  (SEDAP)  e  envolve  14  instituições,  de 



 

natureza  pública  e  privada,  têm  por  objetivo  a  introdução  de  boas  práticas  na 



extração/produção, transporte, comercialização, fabricação artesanal e industrial, de 

modo a garantir padrão de qualidade do produto. 

Feita  esta  breve  introdução,  este  artigo  procura  responder  três  questões 

básicas  que  tem  sido  a  razão  do  interesse  de  diversos  produtores  no  plantio  do 

açaizeiro. Os altos preços pagos pelos consumidores locais, chegando R$ 30,00/litro 

de açaí grosso, conduz ao questionamento quanto ao mercado para este produto. É 

melhor  manejar  ou  efetuar  o  plantio  de  açaizeiro  irrigado?  Quais  são  os  desafios 

para transformarmos o açaizeiro com a consolidação da produção? 

 




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