Geologia estrutural da porçÃo noroeste da folha taperuaba (SB. 24-v-b-ii), região de taperuaba, sobral ceará Valber do Carmo de Souza Gaia



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Arcabouço estrutural

A campanha de campo da disciplina Estágio de Campo II, ano de 2010, do curso de Geologia da Universidade Federal do Pará, foi realizada na região noroeste do estado do Ceará, mais especificamente nas redondezas do distrito de Taperuaba, município de Sobral, porção NW da folha Taperuaba. A área está incluída no Domínio Estrutural Ceará Central da Província Borborema. A trama estrutural da região segue o padrão complexo e emaranhado da província. A partir do mapeamento geológico e tratamento dos dados obtidos nos levantamentos de campo foram identificadas estruturas tectógenas originadas em regimes deformacionais dúcteis e rúpteis.

A deformação sob regime dúctil registrado nas rochas desta área é caracterizado principalmente por zona de cisalhamento, banda de cisalhamento, bandamento gnáissico, foliação milonítica, dobras e lineações de estiramento mineral - contidas nos planos das foliações. O regime rúptil está marcado pela existência de fraturas predominantemente do tipo de tensão, também de par cisalhante e a existência de falhas.

As zonas de cisalhamento são dúcteis com orientação NW-SE, marcadas pela presença de gnaisses com foliação milonítica e apresentam cinemática sinistral relacionadas às principais zonas de cisalhamento regional - Tróia e Groaíras -, sugerindo este padrão para as zonas em que não se conhece a cinemática.



Foram identificadas foliações do tipo bandamento gnáissico e foliação milonítica que, de modo geral, são as feições planares mais expressivas na área. A direção preferencial destas estruturas é NE-SW e mais raramente NW-SE, com mergulhos baixos a moderados para o quadrante NW (fig. 1).

Fig. 1 – Estereograma de pólos (A) e de contorno dos pólos (B) de foliações (de bandamento gnáissico e milonítico).

Inseridas nas foliações encontram-se estruturas lineares do tipo lineação de estiramento mineral, que constituem um tipo de elemento de trama. Estas ocorrem de forma penetrativa em massas rochosas e são definidas por cristais ou agregados de quartzo, feldspato e sillimanita estirados e alongados durante a deformação cisalhante. As lineações estão contidas no plano da foliação milonítica e do bandamento gnáissico e, em geral, apresentam caimentos suaves a moderados (13°-24°) para NW.

A relação entre a foliação (com mergulho de 25 a 30° para NW) e a lineação de estiramento contida nesses planos, com média na posição 300° Az e mergulho em torno de 21°, mostra uma tendência de alta angularidade expressa no valor do “rake”, em torno de 90º (fig. 2A). Este arranjo indica cinemática frontal de blocos indicando, portanto cavalgamento com movimento de massa de WNW para ESE (fig. 2B).



Fig. 2 – A) concentração das lineações e a relação foliação x lineação. O plano médio (vermelho) da foliação e a lineação média (seta verde) em posição (21/300°). B) elipsóide de deformação proposto, onde: XY é o plano da foliação, X é o eixo de maior estiramento e Z o de maior encurtamento.

São observadas dobras em escala de afloramento de dimensões centimétricas a decimétricas e foram classificadas quanto ao seu estilo, em dobras de arrasto - formadas pela inflexão da foliação milonítica e/ou do bandamento gnáissico - e mesodobras intrafoliais em S e Z, observadas em níveis de composição quartzo-feldspáticas dobradas nos gnaisses.

Nas estruturas rúpteis ocorrem principalmente fraturas tanto dos tipos par cisalhante quanto famílias de juntas paralelas. Sua orientação principal é NNW-SSE e subordinadamente NE-SW (fig. 4).



Fig. 4 – Diagrama de roseta mostrando as direções principais de fraturas para as duas unidades litoestruturais da região: em A para a Complexo Ceará (NNW-SSE) e em B, o Complexo Tamboril-Santa Quitéria (NE-SW).



Em escala microscópica os efeitos da deformação também são evidenciados nas diversas rochas através das feições microestruturais (fig. 5). Dentre estas são observadas: feições de recuperação e recristalização nos cristais de quartzo; maclas distorcidas em cristais de plagioclásio; mica fish, cristais de micas orientadas, com clivagem dobrada e fraturados.

Fig. 5: principais microestruturas presentes: A) Quartzo com feições de recuperação e recristalização; B) maclas de plagiocásio contorcidas; C) micas orientadas; D) feição mica fish.






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