Geografia volume 3 Manual do Professor



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Currículo
No presente item pretendemos oferecer alguns elementos para a contextualização histórica e teórica sobre 
currículo. Trata-se de uma discussão que vem ganhando força na área da Educação, o que requer uma aproximação 
dos educadores com essa temática.
Os estudos sobre o currículo tiveram início nos Estados Unidos, no final do século XIX e início do século XX. Na 
década de 1970, esse campo de estudo passou por profundas transformações e foi marcado pelo movimento de 
reconceitualização, descrito assim por Moreira: 
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Tratava-se de reconceituar o currículo. Enfatizando que a compreensão da natureza é mediatizada pela 
cultura, o grupo concebia reconceituação como o esforço por desvelar a tensão entre natureza e cultura
por descobrir as partes da cultura não guiadas pelas leis da natureza, assim como as partes da natureza 
que não eram necessariamente obstáculo à ação humana, mas sim produtos do que os homens fizeram 
e que poderiam, portanto, desfazer. No caso específico do currículo, a intenção central era identificar e 
ajudar a eliminar os aspectos que contribuíram para restringir a liberdade dos indivíduos e dos diversos 
grupos sociais (MOREIRA, 2002, p. 15). 
Desse movimento, surgiram dois grupos que se fundamentavam em tendências teóricas diferentes: os hu-
manistas, que têm na figura de William Pinar seu expoente; e os neomarxistas, que tinham como aporte a teoria 
crítica e foram trazidos para o Brasil por autores como Michael Apple e Henry Giroux (MOREIRA, 2002; SANTOS, 
2001; SILVA, 1999).
Esse movimento vai encontrar ressonância na Inglaterra quando da sistematização, naquele país, do que veio 
a ficar conhecido como Sociologia da Educação. Para tanto, foram de fundamental importância os trabalhos do 
sociólogo Michael Young (MOREIRA, 2002; SANTOS, 2001).
No Brasil, após os enfoques sobre currículo vinculados à Escola Nova, desenvolvidos nos anos 1920; do período 
de criação e influência do Inep sob a égide da ditadura Vargas, no final da década de 1930 e, posteriormente, das 
abordagens que resultaram do acordo assinado entre os Estados Unidos e o Brasil, para a fundação do Programa 
de Assistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar (PABAEE), no final dos anos 1950, uma nova visão curri-
cular, mais centrada no debate que então se evidenciava entre proposições mais gerais (capitalismo e socialismo), 
influenciou o campo educacional (MOREIRA, 1990).
Nos anos 1960 – momento intenso para os movimentos populares voltados para a Educação –, “propôs-se um 
movimento de alfabetização de adultos, criação de centros de cultura popular e organizou-se o movimento de 
Educação de base” (MOREIRA, 1990,). É nesse âmbito que surgiu, no Brasil, uma tendência crítica de análise da 
Educação, segundo Moreira, inicialmente baseada na prática de Paulo Freire e tendo como referencial teórico uma 
abordagem sociológica. É certo que a obra de Freire não busca construir teorias curriculares, mas é evidente que 
ela discute questões essencialmente ligadas ao currículo (SILVA, 1999).
Com o advento da ditadura militar no país, em 1964, esse movimento foi suplantado e substituído por uma 
visão tecnicista de Educação, sob influência estadunidense. Nesse período, com a reforma universitária de 1968, 
a disciplina “Currículo e Programas” foi introduzida nos cursos de Pedagogia das universidades brasileiras. Moreira 
(1990) lembra que na década de 1970, apesar da influência tecnicista imposta à Educação no país, o que se viu 
foi o desabrochar de uma postura eclética tanto para o campo da Educação como especificamente para as abor-
dagens curriculares.
O contexto social que emergia no país com a abertura política e a possibilidade de introdução da democracia 
também representou, para a Educação, a adoção de novas perspectivas e, para o campo específico do currículo, 
a emergência de um debate centrado na teoria crítica. 
Nos anos 1980, a influência de autores estadunidenses diminuiu à medida que a de autores europeus aumentou. 
De outro lado, a influência da redemocratização do país, com a criação de espaços institucionais para discussões 
e propostas críticas, foi elemento crucial na definição das principais tendências para as discussões curriculares 
desse período (MOREIRA, 2002, p. 161). 
O que se verifica nesse período no âmbito da Educação pública brasileira são políticas educacionais, um debate 
focado nos conteúdos curriculares e uma preocupação sistemática com os saberes e a cultura advinda das classes 
sociais menos favorecidas. 
Do ponto de vista teórico, aumentaram as distâncias entre aqueles que, apesar de concordarem que a escola 
devesse ser universalizada, apresentam proposições antagônicas sobre o currículo para a escola. Duas correntes 
teóricas e políticas se destacam nesse período: a Pedagogia crítico-social dos conteúdos, cujos defensores são 
conhecidos como conteudistas, tendo entre eles Dermeval Saviani, Carlos Roberto Cury, José Carlos Libâneo e 

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