Geografia volume 3 Manual do Professor



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Manual do Professor
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A visão tradicional da natureza-objeto versus homem-sujeito parece ignorar que a palavra sujeito 
comporta mais que um significado: ser sujeito quase sempre é ser ativo, ser dono do seu destino. Mas o 
termo indica também que podemos ser ou estar sujeitos – submetidos – a determinadas circunstâncias 
e, neste caso, a palavra tem acepção negativa... A ação tem sua contrapartida na submissão. (PORTO-
-GONÇALVES, 1990, p. 27)
Ainda segundo este mesmo autor, a afirmação da oposição homem-natureza, no Ocidente, ocorreu em anta-
gonismo a outras formas de pensamento e práticas sociais, não pela superioridade, mas por ser mais racional que 
as outras concepções. No século XIX prevalece essa concepção dicotômica, fazendo triunfar o mundo pragmático 
em que a ciência e a técnica adquirem, como nunca, um significado central na vida dos homens, relegando a 
natureza a objeto a ser possuído. 
Surge, assim, a fragmentação das áreas do conhecimento. Para isso, o homem teve de se colocar como não 
natureza. A partir do século XIX, as ciências do homem e as da natureza tomaram caminhos próprios, o que se 
refletiu diretamente na Geografia, fazendo com que esta promovesse uma crescente separação entre a Geografia 
Física e a Geografia Humana.
A leitura do complexo e dinâmico mundo em que vivemos exige da Geografia e de todas as ciências novos 
paradigmas e fundamentos teórico-metodológicos com a profundidade requerida por essa problemática. Esses 
novos paradigmas devem ser capazes de não tomar homem e natureza como polos antagônicos e excludentes, mas 
possibilitar uma abordagem crítica das práticas concretas dos homens que organizam e transformam o espaço.
A preocupação com a produção social do espaço geográfico e com a relação sociedade-natureza volta à tona 
diante da rapidez com que as transformações socioespaciais ocorrem atualmente. Diante disso, o geógrafo deve 
considerar que a relação sociedade-natureza trata fundamentalmente de processos, e não de estágios. Nesse 
caso, os estágios nada mais são do que momentos da apropriação e reapropriação da natureza pelo homem 
(GONÇALVES, 1990). Entende-se, pois, que é também responsabilidade dos profissionais da área de Geografia 
contribuir para a construção de um conhecimento que auxilie a sociedade na sua busca pela superação das 
limitações e contradições que a desafiam neste tempo histórico.
Leff (2002) aponta para a necessidade de uma “reapropriação social da natureza” que, além de concebê-la 
como mais do que um simples conjunto de externalidades econômicas, incorpora as lutas sociais por melhores 
condições de sustentabilidade e de qualidade de vida. 
Diante do exposto, entendemos que, em vez de insistir num saber dirigido, o momento atual da história da 
humanidade precisa de professores que promovam a força libertadora da reflexão e, para a Geografia, o enfren-
tamento e a compreensão da relação sociedade-natureza impõem-se como pressupostos fundamentais.
Outra questão apontada anteriormente e que deve fazer parte das perspectivas na área de ensino de Geografia 
é a relação entre o local e o global. As grandes transformações sociais que verificamos nas últimas décadas, com 
a formação do meio técnico-científico-informacional (SANTOS, 1999), trazem novos desafios e possibilidades em 
diversos âmbitos das atividades humanas. As novas tecnologias de comunicação, principalmente, trazem mudanças 
à categoria tempo, relativizando-o ou apresentado-o em diferentes escalas, nas quais os acontecimentos ocorrem 
e são veiculados e percebidos de diferentes maneiras e “velocidades”.
Da mesma forma, o espaço geográfico torna-se cada vez mais complexo, sobrepondo e inter-relacionando 
diferentes escalas geográficas (que não correspondem às escalas cartográficas) de transformação, do local ao 
global. O local é influenciado pelo global, que, por sua vez, não existiria sem o local.
Partindo da premissa de que o local contém elementos globais transformadores, precisamos desenvolver a 
nossa capacidade de fazer a leitura crítica desse espaço-tempo do qual fazemos parte e que se apresenta em 
toda a sua complexidade e riqueza de possibilidades. Nesse sentido, a escola e, em especial, o conhecimento 
geográfico desenvolvido na escola têm um papel fundamental, uma vez que a leitura do mundo requer uma 
“alfabetização” específica. Em outras palavras: são necessários conhecimentos gerais e específicos que permitam 

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