Geografia volume 3 Manual do Professor



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Manual do Professor
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parte das publicações didáticas. Do ponto de vista pedagógico, havia grande conservadorismo nos métodos e 
abordagens de conteúdos, fundamentados geralmente em práticas pedagógicas tradicionais. Entretanto, alguns 
autores de materiais didáticos trouxeram inovações para suas obras, como os professores para suas aulas. Esse 
período da disciplina escolar é atualmente denominado, de maneira geral, de Geografia Tradicional. Como se 
pode perceber, essa Geografia chegou às práticas escolares influenciada pela academia. 
Do ponto de vista teórico-pedagógico, a produção de Delgado de Carvalho, voltada para a escola, situava-se 
em oposição à de Aroldo de Azevedo. Delgado estava ligado aos precursores da “Escola Nova” no Brasil e chegou 
a assinar o Manifesto dos Pioneiros. Os intelectuais ligados à educação que assumiam esses preceitos eram con-
trários às práticas escolares tradicionais e as combatiam com veemência. 
Para compreendermos as transformações e as relações que caracterizaram a Geografia acadêmica e escolar 
brasileiras a partir da década de 1970, é importante compreender essa diversidade de posições. Entendemos 
que existiram e existem, até hoje, por exemplo, diversas Geografias “tradicionais”, pois não se pode dizer que a 
produção de Delgado e Aroldo faziam parte de um mesmo campo teórico, especialmente no que diz respeito às 
proposições pedagógicas. 
Com a Primeira e a Segunda Guerras, o mundo passou por transformações significativas que repercutiram 
na produção acadêmica, principalmente após a década de 1960. Algumas análises sobre a Geografia brasileira 
nesse período afirmam que as transformações tiveram início nas universidades, nas quais se difundiam as novas 
ideias sistematizadas no início dos anos 1960, mas posteriormente renovadas teoricamente pelas abordagens 
críticas, sejam elas de base marxista, fenomenológica ou mesmo anarquista, às quais se convencionou denominar 
“Geografias críticas”.
Vesentini (2004) afirma que importantes transformações tiveram início nas escolas e nos cursinhos, especial-
mente onde os grupos de professores estavam descontentes com a Geografia difundida no período. O próprio 
autor fazia parte desse grupo, que questionava o saber que então constituía a proposta e o currículo escolar da 
disciplina. Esse posicionamento levou à busca de novas fundamentações teóricas e de renovações das práticas 
pedagógicas, o que foi possível por meio de leituras ligadas às novas correntes do pensamento geográfico, como as 
produções dos autores Elisée Reclus e Yves Lacoste. Com isso, inverteu-se a análise até então difundida e surgiram 
discussões sobre novas práticas escolares.
Destacamos ainda as análises das proposições decorrentes da Geografia crítica. A crítica mais contundente é 
a de que uma parcela dessas abordagens pretendia difundir para a escola seus ideais revolucionários, anticapita-
listas e igualitários. Era uma visão que tinha a produção capitalista como centro do saber geográfico estabelecido 
para a escola e, em alguns casos, completamente distanciada das análises espaciais. Outra crítica significativa, 
relacionada mais diretamente à produção voltada para a escola, refere-se à supervalorização dos temas e à pouca 
interação com as pedagogias vigentes naquele momento. Isso não significa dizer que toda a Geografia crítica 
assim se posicionava.
O certo é que tivemos um aumento significativo de publicações didáticas de Geografia e também foram elabora-
dos, em muitos estados e municípios brasileiros, Propostas Curriculares de Geografia, muitas delas fundamentadas 
nas abordagens críticas, outras ainda arraigadas em abordagens tradicionais (MORAES, 1998).
Em meio a essas discussões, a partir da década de 1980, novas abordagens sobre a escola são traçadas. Um novo 
corpo teórico começa a ser sistematizado na academia, tanto no campo da Geografia quanto no da Pedagogia, e 
também na própria escola. Além disso, foram consideradas as influências das novas configurações espaciais e de 
poder, estabelecidas com o fim da Guerra Fria e com a queda do Muro de Berlim, e incluídas novas reivindicações 
sociais (questões de gênero, etnia, homossexualismo, ecologismo, movimentos por terra e moradia). As ciências 
e a escola tomaram novos impulsos. Para a Geografia escolar, esse quadro não foi diferente e somou-se a ele um 
debate mais significativo sobre as teorias da aprendizagem. Tudo isso trouxe um diferencial para as produções 
destinadas à escola. Além disso, houve uma crescente ampliação de publicações e teses sobre o ensino de Geografia, 
o que mostra a importância de a academia também refletir sobre si mesma a partir da Geografia escolar. É nesta 
perspectiva que a disciplina escolar se aproxima das proposições teóricas de Piaget e de Vygotsky.

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