Geografia volume 3 Manual do Professor



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Geografia
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Os manuais didáticos produzidos nessa época (século XIX), ao tratar de Geografia brasileira, em geral não 
trabalhavam com uma regionalização do país e também não seguiam os métodos de pesquisa em Geografia que 
estavam em discussão no continente europeu, fundamentados em proposições pedagógicas que valorizavam a 
memorização. Temos, como exemplos, as obras de Aires de Casal, as publicações do Instituto Histórico e Geográfico 
Brasileiro, algumas revistas raras como a Dous Mundos, e alguns dicionários e almanaques elaborados nas províncias. 
Eram raros os autores de livros didáticos que tinham contato com a produção científica europeia da época.
No Brasil, antes do século XIX, nas escolas de Primeiras Letras, ensinavam-se noções gerais de Geografia, difun-
didas nos livros de leitura. Em uma pesquisa, foi encontrada uma publicação destinada ao ensino de Geografia
denominada Compêndio de Geografia Elementar, de José Saturnino, 1836; a obra destinava-se ao ensino militar. Mas 
foi somente com a fundação do Colégio Pedro II, em 1837, que o país passou a ter uma produção mais sistemática 
de Geografia destinada às escolas e uma organização do currículo em nível nacional. 
A chegada do professor Delgado de Carvalho (1884-1990) ao país, oriundo de importantes universidades eu-
ropeias, trouxe um novo ânimo para a disciplina. Com a publicação do livro Geografia do Brasil, em 1913, Carvalho 
introduziu uma regionalização do país e propunha novas metodologias de ensino. Quando publicou Methodologia 
de Ensino Geographico, em 1925, estabeleceu uma nova marca à Geografia que se ensinava nas escolas brasileiras. 
Nesta obra ele criticava a maneira como a disciplina era lecionada e como os conteúdos eram abordados. Suas 
críticas parecem bem atuais, pois, já naquela época, ele combatia o método mnemônico, os conteúdos distantes 
da realidade dos alunos e o excesso de nomenclaturas. Propunha iniciar os trabalhos escolares com conteúdos que 
se relacionavam à realidade do aluno, para então abordar temáticas mais distantes do seu universo. Fundamentava 
a sua teoria pedagógica nos pressupostos da Escola Nova.
Carvalho, juntamente com outros membros do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, foi respon-
sável pela criação de um dos primeiros cursos de formação de professores de Geografia no Brasil, o Curso Livre 
de Geografia e História. Isso mostra a sua preocupação com a formação do educador de Geografia, que até então 
tinha um quadro de professores composto de profissionais liberais, como advogados, engenheiros e outros que 
tivessem interesse por temas relacionados à Geografia. Ele também participou de várias conferências pelo país 
para divulgar seu método de ensino.
Nesse período já se percebe uma relação intrínseca entre a produção científica e a escolar; passamos a ter 
no Brasil a difusão de ideias sistematizadas com base em métodos específicos e em fundamentações teóricas. 
Os professores que lecionavam Geografia elaboraram, juntamente com Delgado de Carvalho, um currículo que 
imprimia essas mudanças para o ensino da disciplina no país. Porém, é importante ressaltar que essa renovação 
metodológica se dava mais especificamente no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e em algumas escolas espa-
lhadas pelo país, que eram obrigadas a seguir o currículo desse importante colégio. Eram poucas as experiências 
fora desse circuito que traziam essa inovação. 
Neste contexto, com base na necessidade de criar um curso de formação de professores, a disciplina escolar 
buscará uma resposta acadêmica para as suas necessidades. A formação de professores para lecionar nas escolas 
também foi o objetivo traçado com a fundação do primeiro curso superior de Geografia no país, o curso de 
História e Geografia da Universidade de São Paulo, em 1934, e, no ano seguinte, o da Universidade do Brasil, no 
Rio de Janeiro.
Com a instalação desses cursos superiores, a relação entre a produção acadêmica e a produção escolar se tornou 
mais próxima, pois alguns autores de livros didáticos, como Aroldo de Azevedo (1910-1974), formados nestes 
cursos, passaram a lecionar em tais instituições superiores e a elaborar e publicar manuais didáticos destinados 
ao ensino básico de Geografia. O próprio Aroldo publicou e comercializou livros de Geografia, da década de 1930 
até a de 1970, o que mostra a duração e a permanência da sua abordagem. Outros autores tiveram destaque nesse 
período, entre eles o geógrafo pernambucano Manuel Correia de Andrade (1922-2007). 
Sobre a relação entre a academia e a produção dos saberes escolares, é importante ressaltar que a produção 
geográfica acadêmica brasileira dessa época, e mais especificamente a que foi feita em São Paulo, estava atrelada 
aos preceitos da Geografia francesa de Vidal de La Blache. Essa passou a ser a fundamentação acadêmica de 

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