Geografia volume 3 Manual do Professor



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Geografia
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24/05/13 09:15


que concerne à importação de aço brasileiro, sem falar das negociações tensas envolvendo o comércio e o sistema de 
incentivos ao setor de automóveis.
Voltamos assim, ao ponto de partida: a ausência de uma integração nacional devido às grandes disparidades regionais 
e desigualdades sociais continua emperrando o caminho de uma integração regional, sob o signo de reformas e de con-
solidação da democracia. Chegando tardiamente ao desenvolvimento capitalista, as sociedades latino-americanas não 
conseguiram completar o processo de formação de sociedades abertas, pluralistas e democráticas. Passam por fases de 
transição sem rumos definidos e sem as transformações estruturais necessárias para a construção das nações modernas. 
A maioria da população continua à margem dos processos políticos, incapaz de constituir-se em uma sociedade civil 
atuante, como contrapeso ao Estado centralizador, sempre a reboque do capital financeiro transnacional.
Vislumbramos o Mercosul como um projeto de construção de uma América Latina integrada, não somente por laços 
comerciais e financeiros, mas também culturais e políticos, o que levaria à conquista de uma posição de independência 
e soberania em suas decisões frente aos outros blocos regionais e aos organismos internacionais.
Um primeiro passo nessa direção seria a regulamentação e o direcionamento dos investimentos externos, a partir 
de um plano de desenvolvimento regional em benefícios das populações e não apenas dos conglomerados e corpora-
ções transnacionais atraídos pela redução das tarifas e as facilidades de remessa de lucros e dividendos. A expansão e 
relocação de suas fábricas e escritórios de venda em escala global não resulta, necessariamente em melhoria das con-
dições de vida das populações, oneradas por políticas injustificáveis de concessão de incentivos, subsídios e isenções 
fiscais-tributárias. Efetivamente, os fluxos de investimentos externos diretos têm se dirigido preferencialmente para os 
países mais ricos, que controlam quase 75% do comércio mundial e das transações financeiras internacionais. O capital 
estrangeiro é atraído pelas inúmeras vantagens concedidas pelos governos dos países “emergentes”, sob a forma de 
infraestrutura de comunicação, energia e transportes baratos e pelos baixos salários resultantes de uma política perversa 
de terceirização e precarização das relações de trabalho.
Além de enfraquecer os governos internamente, na possibilidade de justificar, à luz de todas as evidências políticas 
que objetivamente resultam em espoliação da riqueza nacional e na pauperização das populações, trabalhadores e 
classe média, diminui paulatinamente a capacidade de resistir às pressões das corporações transnacionais que buscam 
vantagens e privilégios inéditos e onerosos. Fica cada vez mais difícil implantar uma política industrial criteriosa e 
seletiva, que admita investimentos externos exclusivamente em setores produtivos (e não especulativos), de preferên-
cia em joint-ventures (e não eliminando empresas nacionais) e orientadas totalmente à exportação (em vez de fazer 
concorrência às empresas nacionais).
Ademais, a alienação, através de um processo de privatizações espúrias das empresas de infraestrutura nacionais, 
em vez de constituir-se em uma “isca” para atrair capitais produtivos, não tem aliviado, mesmo temporariamente, as 
contas externas e internas, fato amplamente demonstrado pela desvalorização da moeda nacional e pela persistência 
do déficit fiscal, acima do nível acordado com o FMI.
Ao seguir nesta trilha, o projeto de integração regional evidencia seus limites de forma cada vez mais insofismável. 
Os parceiros que prosperaram no período de bonança, pouca inclinação e interesse demonstram de cerrar fileiras e 
enfrentar juntos a nova conjuntura. Carecendo de uma política de longo prazo, fixando metas que possam mobilizar 
a identificação e o apoio da população, os governos não enxergam além de medidas casuísticas, que os deixam mais 
vulneráveis diante das pressões das corporações cada vez mais impertinentes com a provável aprovação do AMI – 
Acordo Multilateral sobre os Investimentos, em discussão na OCDE e OMC, e à espera da próxima investida dos 
Estados Unidos para a incorporação do Mercosul no seio da Alca – Associação de Livre-Comércio das Américas, se-
lando definitivamente os anseios para um desenvolvimento autônomo e independente, mas irmanados em seu destino 
comum, dos povos latino-americanos.
Fonte: RATTNER, Henrique. Mercosul e Alca: o futuro incerto dos países sul-americanos. São Paulo: Edusp, 2002. p. 81-84.

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