Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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VÁ FUNDO!
Leia:
História da África e dos africanos, de Analucia Pereira e Paulo Fagundes Vicentini. Petrópolis: Vozes, 2013.
O livro aborda a política internacional, especialmente a diplomacia interafricana e os contatos com os novos atores presentes nesse continente.

Página 151


Do ponto de vista econômico, apenas a África do Sul, a Nigéria e algumas regiões do norte do continente apresentam algum nível de industrialização. O restante dos países africanos tem uma economia baseada no setor primário, com destaque para a agropecuária e a exploração mineral, como podemos verificar no mapa da próxima página.
Por ser um continente rico em minérios, como ouro, bauxita, cobre, cromo, estanho, ferro e diamante, a África sempre foi objeto de exploração por parte de grandes empresas mineradoras estrangeiras, que destinam seus vultosos lucros aos países ricos. Em algumas áreas sedimentares ocorrem também jazidas de petróleo e de gás natural, como na Líbia, Argélia, Angola e Nigéria, países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo
(Opep).

IONUT SENDROIU/DEMOTIX/CORBIS/LATINSTOCK
Plataforma de produção de petróleo em Angola, 2010.

Dados de alguns países da África – 2014

País

Área (km²)

População (milhões hab.)

PIB (bilhões US$)

RNB per capita (US$)

África do Sul

1 219090

54 000

350,0

6 800

Angola

1 246 700

24 230

138,4

640

Argélia

2 381 740

38 930

213,5

5 490

Egito

1 001 450

89 580

286,5

3 050

Etiópia

1104 300

96 960

55,6

550

Líbia

1 759 540

6 259

41,1

7 820

Moçambique

799 380

27 220

15,9

600

Níger

1 267 000

19 110

8,1

410

Nigéria

923 770

177 500

568,5

2 970

Rep. Dem. Congo

2 344 860

74 880

33,1

380

Seicheles

460

91

1,4

14 100

Sudão

1 861 484

39 350

73,8

1 710

Fontes: The World Bank. Disponível em: . Acesso em: 2 fev. 2016.

Página 152



MARIO YOSHIDA
Fonte: Istituto De Agostini. Atlante Geografico di Base. Novara: Istituto De Agostini, 2013. p. 133. (Adaptado).
CARTOGRAFANDO
Relacionando aspectos físicos e econômicos
Conforme visto anteriormente em outros capítulos deste livro e nos estudos dos volumes 1 e 2 desta coleção, os mapas econômicos integram diferentes informações.
Esses mapas representam fenômenos zonais, como aqueles relativos aos cultivos, pastagens e florestas; e pontuais, como a localização de centros industriais ou de extração de petróleo. Observe novamente essas informações no mapa acima.
Ao fazer uma leitura atenta dessas informações, podemos relacionar alguns aspectos físicos do continente africano, aos econômicos. Nesse caso, precisamos desvendar as camadas ou layers que sobrepõem mais de uma informação. Por exemplo, grande parte dos países que compõem a África Setentrional é coberta pelo Deserto do Saara, representado em amarelo no mapa. Pelo fato de ser uma região árida, percebemos que sobre ele não há ocorrência de culturas agrícolas, com exceção das margens férteis do Rio Nilo, a leste. Já as zonas tropicais e equatoriais são propícias ao cultivo de culturas como o cacau, a banana e de coco.
É possível notar também que determinadas produções, como de uva e frutos cítricos, se dão em áreas de latitudes acima dos trópicos.
Em muitos mapas de economia, como você já notou, não há somente a extração dos recursos naturais, mas também é representado o uso do solo, como as áreas de cultivo agrícola ou destinadas à pastagem para criação de animais.

Página 153


Agricultura e equilíbrio alimentar
A agropecuária é uma importante atividade econômica dos países africanos. Antes da efetiva ocupação europeia, os povos que habitavam essa região exploravam a terra de forma coletiva, visando à subsistência. Atualmente, os produtos mais cultivados na agricultura de subsistência são arroz, sorgo, milho, banana, batata e inhame.
Sorgo: cereal conhecido em algumas regiões do Brasil por milho-zaburro; é utilizado para produzir farinha voltada à alimentação humana, ração animal ou produção de álcool.
De modo geral, a agricultura de subsistência desenvolve-se em pequenas e médias propriedades e utiliza técnicas rudimentares de plantio. Apresenta baixa produtividade e, caso não sejam feitas as correções adequadas, promove o desgaste do solo em pouco tempo. A irregularidade das chuvas, as pragas e a falta de adubação podem corroborar para que a produção agrícola seja pequena, incompatível com as necessidades básicas da população.
A pecuária se concentra principalmente nas áreas localizadas logo ao sul do Deserto do Saara, com destaque para o Sudão, que está entre os maiores criadores de bovinos, caprinos e ovinos do mundo.
Deve-se salientar que, antes da chegada dos europeus, os povos africanos apresentavam um relativo equilíbrio alimentar, em virtude das trocas de produtos entre agricultores e criadores de gado. Isso lhes possibilitava ingerir proteínas animais e vegetais fundamentais à nutrição.
Com a chegada do europeu, surgiu uma nova forma de exploração da terra: a agricultura comercial (plantation), que foi introduzida para atender aos interesses estrangeiros. Grandes plantações, destinadas a abastecer o mercado externo, passaram a ocupar as melhores terras, onde antes se praticava a agricultura familiar.

PIERRE-JEAN DURIEU/SHUTTERSTOCK
Agricultura familiar em Madagascar, 2015.

LUC GNAGO/REUTERS/LATINSTOCK
O uso de máquinas e técnicas agrícolas mais avançadas foi responsável pelo aumento da produção agrícola. Contudo, o problema da fome nessa região não foi resolvido, uma vez que essa produção tem como destino o mercado externo. Cacau, café, abacaxi e banana, além do algodão, estão entre os produtos mais exportados. Na foto, sacas de cacau para exportação no Porto de Abidjan, na Costa do Marfim, 2011.

Página 154


Assim, esse processo desestruturou a produção interna e levou boa parte da população – que não se beneficiou da nova organização agrária – a ser expulsa do campo. Muitos agricultores familiares abandonaram suas terras para trabalhar como assalariados nas grandes plantações ou nas cidades.

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