Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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Interdisciplinaridade História
Geopolítica
Até meados do século XIX, logo após o período de sua unificação, o Japão viveu certo isolamento em relação ao mundo, o que provocou um grande atraso econômico e tecnológico.
A partir de então, em um período conhecido como Era Meiji, iniciou-se uma modernização responsável pela transformação do Japão – de uma sociedade feudal para uma das principais nações industrializadas do mundo. Uma revolução feita nos setores da educação, das ciências, da comunicação e da cultura. Tecnologias ocidentais foram introduzidas em grande escala, transformando rapidamente o país em uma grande potência militar também.
Esse desenvolvimento levou o Japão a uma política imperialista, com vitórias sobre a China, no fim do século XIX, sobre a Península da Coreia, que ficou sob seu domínio, e sobre os russos, no início do século XX.
Política imperialista: política de expansão e domínio territorial, cultural e econômico de uma nação sobre outras.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão esteve junto da Alemanha e da Itália, compondo o chamado Eixo. Em 1941, ocorreu o ataque japonês contra a base estadunidense de Pearl Harbor, o que provocou o ingresso dos Estados Unidos na guerra. Esse país lançou, em 1945, as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki.
Após a guerra, o Japão perdeu suas colônias no Pacífico, foi ocupado por tropas e governado pelas Potências Aliadas até 1952, quando foi permitido ao país, entre outras medidas: o direito à organização partidária, a liberdade de imprensa, o voto por parte de mulheres com mais de 20 anos, a reforma agrária, a renúncia à guerra e a elaboração de uma nova Constituição.
Todas essas mudanças promovidas na política interna do Japão foram responsáveis pelo fortalecimento da democracia e contribuíram para o desenvolvimento da economia de mercado no país ao longo da segunda metade do século XX. Esse período de prosperidade ficou conhecido como “milagre econômico japonês”.
Economia
Entre os fatores responsáveis por esse milagre, podemos destacar a ajuda financeira dos Estados Unidos para a reconstrução do país; a reorganização da economia e a recomposição dos grandes grupos empresariais (zaibatsu), que haviam sido dissolvidos; o investimento no parque industrial, priorizando as indústrias de ponta, como a automobilística, eletrônica, naval, entre outras; a presença de mão de obra abundante, barata e extremamente disciplinada; o aumento significativo da produtividade e maior competitividade de seus produtos no mercado externo por causa da qualidade e dos menores preços, e ainda os investimentos no setor educacional, priorizando as pesquisas científicas e tecnológicas voltadas para a produção industrial.
Tudo isso levou o Japão, no período de 1960 a 1980, a se tornar a terceira maior nação exportadora de bens manufaturados do mundo, com um crescimento anual em torno de 7,5%, ultrapassando os índices das outras nações industrializadas.

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THE ASAHI SHIMBUN/GETTY IMAGES
Diante da reduzida área do seu território, os japoneses aterram parte das zonas litorâneas – os chamados pôlderes – para aumentar a área disponível para a construção de centros industriais, comerciais, portos e aeroportos. Na foto, o aeroporto de Kobe, 2007.
O produto agrícola de maior destaque é o arroz, base da alimentação japonesa e único bem agrícola no qual o país é autossuficiente. Apesar de o país ter cultivos de algumas frutas, cereais, legumes e hortaliças, grande parcela dos alimentos é importada.
O país apresenta ainda a maior frota pesqueira do planeta. Seus navios recolhem e processam milhões de toneladas de pescados todos os anos, o que gera conflito com outros países do Pacífico.
O Japão importa praticamente todo o petróleo que consome, além de carvão, bauxita, cobre, ferro e outros minérios. Grande parte dessa matéria-prima é utilizada na indústria local; o restante é exportado como produto semimanufaturado.
Semimanufaturado: produto resultante de fabricação parcialmente industrial ou mecanizada.
O estabelecimento de um parque produtivo altamente automatizado e robotizado, que diminuiu gastos com mão de obra e permitiu aumentar significativamente a produção, foi determinante para que o Japão se tornasse a grande potência econômica mundial de hoje.
Vale ressaltar que o processo de robotização das atividades industriais nesse país atinge altos índices, e mais de um terço das máquinas do mundo todo se encontra no Japão. No ramo dos eletroeletrônicos, a indústria nipônica é uma das mais avançadas, merecendo destaque, ainda, os setores automobilístico, naval, siderúrgico, químico e de informática.
Muitas empresas japonesas estão presentes na economia brasileira, com filiais instaladas em nosso país, como no setor automobilístico (Toyota, Honda, Nissan e Mitsubishi) e de eletrônicos (Sony, Semp Toshiba).

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MAPS WORLD
Fonte: FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico escolar: espaço mundial. São Paulo: Moderna, 2013. p. 106. (Adaptado).
População
Depois de um período de crescimento populacional acelerado na primeira metade do século XX, o Japão adotou políticas antinatalistas e emigratórias para aliviar a pressão demográfica e as tensões sociais no país. Como resultado, muitos japoneses deixaram suas terras em busca de melhores condições de vida em outros países, como Estados Unidos, Brasil, Canadá e Austrália. No Brasil, por exemplo, eles chegaram a partir de 1908, para trabalhar nas fazendas de café. Atualmente, os japoneses e seus descendentes representam mais de 1,5 milhão da população brasileira, metade residindo no estado de São Paulo.
Hoje, o crescimento demográfico japonês é negativo, em torno de 0,2% ao ano. O fator responsável por isso é a baixa taxa de fecundidade, que corresponde a, estatisticamente falando, 1,4 filho por mulher.
Por causa do baixo crescimento vegetativo, há a necessidade de mão de obra estrangeira, principalmente para atividades que não exigem elevada qualificação. Milhares de trabalhadores brasileiros, descendentes de japoneses, os chamados decasséguis, vão para o Japão a fim de trabalhar em

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fábricas de autopeças e alimentação, como ajudantes de obras, garçons etc. Estima-se que atualmente cerca de 175 mil brasileiros estejam morando no Japão. Essa comunidade já foi de pouco mais de 300 mil, mas com a crise que atingiu o mundo a partir de 2008, responsável por uma considerável retração do PIB japonês, muitos resolveram voltar para o Brasil.

TON KOENE/ZUMA PRESS/GLOW IMAGES
Decasséguis brasileiros trabalhando no Japão, 2015.
Austrália e Nova Zelândia
A influência cultural japonesa no Brasil pode ser verificada nas artes visuais (tako, kirigami e ikebana, por exemplo), na música, como a prática do karaoke e do taiko (os tambores japoneses), na culinária (sushi e sashimi, por exemplo) e nas artes marciais (caratê, sumô, judô, entre outras). Veja sugestões de leitura no Manual do Professor.
Tema transversal
Os dois principais países da Oceania, apesar de também terem sido colônias, apresentam IDH elevado e são as únicas nações pertencentes ao grupo dos países desenvolvidos ou do Norte, mesmo estando localizadas ao sul da linha do Equador.
Os povos nativos, os aborígines e maoris, tinham uma cultura rica e complexa, registrada por meio de pinturas rupestres e utensílios de caça e coleta. A partir do século XVII, com a chegada dos europeus, muitos desses povos foram exterminados ou obrigados a viver em reservas delimitadas pelos colonizadores. Uma grande parcela foi escravizada ou, mais tarde, empregada como mão de obra barata no campo ou nas cidades, onde foram e são, ainda hoje, vítimas de preconceito e segregação racial.


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