Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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Interdisciplinaridade História
Das religiões com maior número de fiéis atualmente, as mais antigas são a hinduísta na Índia, as do Extremo Oriente, como o taoismo e o confucionismo, praticadas na China, e o xintoísmo e o budismo, no Japão. Acredita-se que as religiões ancestrais chinesas tenham surgido há mais de 5 mil anos, mesmo assim, não se difundiram especialmente além de sua área de origem.
No Ocidente, a relação entre Igreja e Estado influenciou a organização do espaço geográfico. Essa ligação teve grande intensidade principalmente durante o período da colonização, quando o cristianismo constituía o poder estatal, o que lhe possibilitava influenciar na organização territorial tanto na Europa quanto nas colônias. Esse fenômeno pode ser observado na análise dos projetos de expansão das metrópoles. No período colonial, os jesuítas eram o “braço direito” das metrópoles portuguesa e espanhola na América. Eram eles que conduziam a educação e difundiam os ideais que interessavam à Igreja e aos Estados colonizadores.
A ruptura entre Estado e Igreja, nos países que adotavam a doutrina cristã, ocorreu em especial a partir do século XIX, após as revoluções liberais e a constituição dos Estados nacionais, quando essas duas instituições tomaram caminhos distintos, tendo em vista a defesa de um Estado laico. Como ocorreu nos Estados Unidos, na França e mesmo no Brasil.
A Reforma Protestante, iniciada no século XVI por Martinho Lutero e João Calvino, que questionavam as práticas da Igreja Católica, deu origem a outras igrejas cristãs. Hoje, os protestantes, como são genericamente
Reforma Protestante: movimento reformista cristão do século XVI, liderado por Martinho Lutero, que se caracterizou por questionar dogmas da Igreja Católica e por propor uma reforma no catolicismo, criando uma nova religião cristã.

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denominados os seguidores das igrejas “reformadas”, incluem anglicanos, metodistas, batistas, adventistas, mórmons e outros, e compõem mais de 350 milhões de seguidores.

LUCAS CARVALHO/GEOIMAGENS
Basílica de São Pedro no Vaticano, sede da Igreja Romana, 2015.
O islamismo, por sua vez, surgiu no século VII, na Península Arábica. Essa religião teve vários períodos de crescimento e sua difusão esteve vinculada a conquistas de territórios e ao expansionismo comercial dos povos árabes, nos continentes africano, europeu e asiático. Para essa religião, a relação intrínseca entre Estado e Igreja permanece até os dias atuais em muitos países árabes. Atualmente, segundo o instituto de pesquisa Pew Research Center, é a religião que mais cresce no mundo e, até 2050, poderá se aproximar do número de cristãos. Essa religião tem crescido especialmente em países da Europa, África e Ásia.
Ao observar as bandeiras e os nomes oficiais de muitas nações árabes, podemos perceber uma relação direta entre o islamismo e o Estado, como ocorre na República Islâmica do Paquistão, por exemplo. Assim, nota-se que há uma relação direta entre Estado, território e religião.
Infelizmente, o poder que as religiões exercem sobre seus fiéis e seu papel na organização do espaço geográfico mundial têm suscitado muitos conflitos. Na primeira década do século XXI, ainda assistimos a um número considerável de embates motivados por questões religiosas. Praticamente todos esses conflitos objetivam a organização de determinados territórios por meio do domínio de uma cultura sobre outra.
No processo colonizador muitas religiões nacionais, como as célticas, germano-escandinavas, e as religiões primais, como as indígenas brasileiras, pré-colombianas e africanas, desapareceram ou praticamente foram extintas. Mesmo assim, há movimentos que buscam o resgate de parte dessas culturas, e muitas religiões minoritárias ainda resistem em diversos pontos do planeta. No Brasil, assim como em outros países, é comum a fusão de duas ou mais religiões, em um processo conhecido como sincretismo religioso.
Religiões nacionais: inclui, nesse caso, um grande número de religiões históricas que não são mais praticadas.
Religiões primais: religiões que se encontram, ou se encontravam, em culturas ágrafas.
Sincretismo religioso: mistura de várias práticas religiosas e sistemas de crenças. É característico de muitas religiões orientais e ocidentais, que, para coexistir, acabaram assimilando rituais, orações, meditações e festividades de origens distintas.
Outro grupo representado na divisão do mundo por religiões é composto de ateus e de pessoas que não seguem nenhuma religião nem têm interesse por nenhuma doutrina. Essa tendência é comum entre habitantes de todo o mundo, mas em especial na Europa e na China, em parte influenciados por uma educação que desestimula essas práticas, considerando-as alienantes.
Como se pôde observar, a distribuição espacial das religiões pelo mundo pode ser um critério cultural de regionalização espacial, tendo em vista sua importância para fundamentar análises geográficas referentes a fenômenos contemporâneos, como reorganização de territórios, migrações, entre outros.

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