Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano


d) Como era tratado pelas pessoas que eram entrevistadas? e)



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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d) Como era tratado pelas pessoas que eram entrevistadas?
e) Chegou a ser impedido de promover a entrevista ou foi mal recebido por algum entrevistado? Comente.
f) Houve alguma situação que considerou diferente das habituais (engraçada, triste, perigosa etc.)?

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Regionalização cultural e religiosa
A cultura de um povo diz respeito a tudo aquilo que ele é capaz de produzir, ou seja, bens materiais (artefatos, vestimentas, alimentação) ou imateriais (fé, costumes, idioma). Consideram-se bens culturais, portanto, as expressões musicais, as danças, a arquitetura, os adereços, as próprias relações sociais, entre tantos outros elementos.
Os povos, ao expressarem sua cultura na organização do espaço, possibilitam estabelecer regiões definidas com base em aspectos como etnia, idioma ou religião, entre outros. No passado, antes do desenvolvimento do mercantilismo, do processo de colonização e dos avanços tecnológicos dos meios de transporte e comunicação, essa influência cultural era mais restrita, pois as trocas eram pontuais e momentâneas, no entanto, isso mudou ao longo da história.
VÁ FUNDO!
Assista a:
A história das religiões
Direção: Michael D’Anna. Reino Unido/EUA, 1999. 50 min.
Documentário sobre a história das maiores religiões do planeta.
Interdisciplinaridade História Sociologia
Tema transversal
Idioma como critério de regionalização
As civilizações pré-colombianas, como a maia, a asteca e a inca, constituíram-se e mantiveram-se organizadas entre o período de 300 a.C. e 1500, porém o auge dessas ocorreu entre os séculos XIV e XV, com estrutura econômica, produtiva e de poder. Esses povos desenvolveram conhecimentos astronômicos, arquitetônicos, agrícolas, entre outros, antes da chegada dos colonizadores. Entretanto, parte desses impérios foi descaracterizada ou destruída após o contato com os europeus.
Com o processo de colonização dos continentes africano, asiático e americano, os povos subjugados foram obrigados a adotar idiomas distintos dos seus, cultuar religiões diferentes das suas, mudar seu ritmo de vida, produzir aquilo que não tinham hábito de consumir. Além disso, perderam a estrutura organizacional do espaço que dominavam. Na imagem a seguir observa-se que atividades econômicas ligadas ao turismo também estimulam o uso de idiomas estrangeiros.

GROBLER DU PREEZ/ISTOCK
Placa de boas-vindas escrita em três diferentes idiomas em uma estrada da África do Sul, 2015.

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Observe, no mapa a seguir, como os idiomas europeus (inglês, espanhol, português e francês) difundidos pelos colonizadores e outros difundidos em outros momentos e processos históricos, quando expressos espacialmente podem ser utilizados como critério de regionalização.

MARIO YOSHIDA
Fonte: BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. (Mapa anterior à independência do Sudão do Sul, ocorrida em 9 de julho de 2011.)
Embora os países colonizados tenham adotado oficialmente idiomas “estrangeiros”, em alguns as línguas locais não foram substituídas em sua totalidade. Parte dos africanos, principalmente na área rural, continua falando seu idioma de origem e usa inglês, francês e português na escola, em repartições públicas e em outras instituições oficiais. Mas é preciso destacar que as línguas locais perderam força e prestígio, com algumas diferenças de país para país. Em Angola, por exemplo, o português tomou o espaço das línguas maternas, e os jovens urbanos perderam o conhecimento de seu idioma ancestral. Essa situação não acontece no Congo, onde as pessoas estudam e falam o francês, mas também utilizam seu idioma em casa e mesmo na rua. Nas cidades da África Ocidental em geral, somente se pratica o francês ou o inglês, caso um desses idiomas seja solicitado.
Também se destacam as línguas francas, ou seja, as que foram trazidas pelas atividades comerciais ou originárias de grupos que se expandiram militarmente (haussá, lingala, mandinga, suaíli). Essas línguas são faladas por diversos grupos de origens variadas. Além disso, o árabe é falado em toda a África do Norte.

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Com o avanço do capitalismo e das novas tecnologias, houve a ocidentalização, ou seja, a massificação da cultura ocidental por meio da publicidade e da propaganda, das indústrias fonográfica e cinematográfica, do comércio de alimentos, da divulgação da moda, entre outros. A cultura ocidental passou a influenciar outras civilizações, resultando no que o cientista político estadunidense Samuel Huntington (1927-2008) chamou de choque de civilizações.
O processo mais contemporâneo de globalização foi responsável pela difusão do inglês como um dos idiomas mais falados no mundo. Apesar de as populações continuarem com os idiomas nacionais, as relações comerciais, diplomáticas, políticas, turísticas, de comunicação na internet entre outras têm sido feitas prioritariamente em inglês.
Tema transversal
Ocidente e Oriente: uma regionalização cultural
A divisão do mundo em Ocidente e Oriente decorre de vários processos históricos. De forma geral, os ocidentais estão ligados a três grandes culturas: grega, romana e judaico-cristã; já os orientais, genericamente, estão ligados ao confucionismo, budismo, xintoísmo e hinduísmo.
Do ponto de vista geográfico, essa regionalização encontra respaldo na tese de que, na Antiguidade, a palavra “Ásia” tinha o significado de “elevação” e estava relacionada ao Sol, ou seja, era “a terra onde o Sol se levanta”, nascente. Em oposição, “Europa” – termo utilizado depois na mitologia grega – seria “a terra onde o Sol se põe”.
Como essa era uma referência utilizada principalmente pelos gregos e por povos árabes do Oriente Médio, logo se convencionou que todas as regiões que estavam a leste formavam a Ásia (ou Oriente) e as que se situavam a oeste eram a Europa (ou Ocidente).
Essa divisão foi acentuada com o estabelecimento do Meridiano de Greenwich, linha imaginária que separa o mundo em dois hemisférios (Oriental e Ocidental). Essa linha resultou de um acordo mundial realizado em 1884, que considerou o poder que a Inglaterra exercia sobre o mundo no século XIX, estabelecendo que os países localizados a leste dela pertencem ao Hemisfério Oriental e os situados a oeste pertencem ao Hemisfério Ocidental.

MAJAIVA/ISTOCK
Marco simbólico em Greenwhich, em Londres, Reino Unido, por onde passa o meridiano inicial, 2012.

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No entanto, por questões socioculturais, mesmo estando a leste do Meridiano de Greenwich, grande parte da Europa é considerada ocidental. E quando nos referimos aos países de cultura árabe, que, apesar de estarem em sua maioria situados no Oriente, não são identificados como orientais, por isso as expressões “Oriente Próximo” e “Oriente Médio” são utilizadas pelos ocidentais para se referir àquela área do planeta. Assim, pode-se afirmar que o meridiano é uma definição que estabelece espaço geográfico, mas não necessariamente expressa os limites espaciais de cultura.
Mais contemporaneamente a mistura de hábitos e costumes, que deu origem a uma cultura híbrida, também tem sido utilizada para questionar o sentido dessa forma de regionalizar o mundo. Já que grande parte da população oriental incorporou hábitos ocidentais, como muitos jovens japoneses que se vestem e se comportam como ocidentais. No Ocidente, por sua vez, muitas pessoas adotam hábitos orientais na gastronomia, na religiosidade, nas atividades esportivas etc.
Essa forma de regionalizar o mundo é utilizada para se definir hemisférios, delimitações espaciais, culturas distintas e também quando se quer falar do outro, do desconhecido, daquele que tem outra cultura, que tem aparência e hábitos distintos.

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