Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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VÁ FUNDO!
Leia:
A riqueza e a pobreza das nações: por que algumas são tão ricas e outras são tão pobres, de David Landes. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
Este livro narra a fascinante história da riqueza e da pobreza, a trajetória de vencedores e perdedores, a ascensão e a queda de nações. O autor tenta compreender como as culturas do mundo atingiram ou retardaram o sucesso econômico e militar.

Página 59


Outros têm seus recursos provenientes da exploração do petróleo, como o Kuwait, que detém 8% de todas as reservas mundiais desse produto; outros ainda apresentam um desenvolvimento econômico mais recente, como é o caso de Portugal, que recebeu investimentos ao ingressar na União Europeia e, mesmo com a crise econômica, ainda conta com IDH muito elevado.
Os indicadores sociais considerados no cálculo do IDH revelam as boas condições de vida da maioria dos habitantes desse grupo de países.
Países de desenvolvimento humano elevado
O segundo grupo é formado por países que apresentam IDH elevado. Em geral, esses países têm uma produção econômica relevante, mas as condições sociais da maioria da população são baixas. Assim, são países com bom desempenho econômico, mas com muitos problemas sociais, o que lhes confere um nível de IDH mais baixo que o de países mais ricos. Esse grupo é formado, geralmente, por países considerados emergentes, como México, Brasil e China.
Emergente: diz-se de indivíduo ou país que se encontra em situação de ascensão social e econômica.

AGCUESTA/SHUTTERSTOCK
Cidade do México, 2014. Conforme cálculo de 2015 do IDH, o desenvolvimento humano do México é considerado elevado, apesar de ainda persistirem grandes desigualdades sociais.
A maioria desses países apresenta boa infraestrutura e um parque industrial significativo, mas é dependente de tecnologia. Parte deles apresenta índices elevados de RNB per capita, em alguns casos até mais elevados que os de países classificados como ricos. Entretanto, a distribuição de renda nem sempre é igualitária, o que desencadeia uma série de problemas sociais, como baixa expectativa de vida, acesso precário à escola para algumas crianças e grande número de analfabetos.
Países de desenvolvimento humano médio
Um terceiro grupo, que apresenta desenvolvimento humano médio, é constituído por países com sérios problemas sociais e alguns deles com grandes dificuldades econômicas. Apesar disso, todos demonstraram elevação no IDH nos últimos 30 anos.
Alguns desses países apresentam níveis elevados de produção, como a Índia e a África do Sul, economias consideradas emergentes. No entanto, existem problemas sociais recorrentes, como o analfabetismo e o acesso precário ao ensino básico e superior.

RADIOKAFKA/SHUTTERSTOCK
Calcutá, Índia, 2014.

Página 60


Países de desenvolvimento humano baixo
O quarto (e último grupo) apresenta os indicadores sociais mais baixos, agravados principalmente por conflitos internos e externos, como guerras civis e disputas territoriais. Além disso, faltam investimentos estrangeiros, visto que as grandes empresas não se interessam em investir em países que oferecem poucas condições para obter grandes lucros.
A maior parte desses países localiza-se no continente africano e apresenta problemas sociais bastante complexos; boa parte deles tem um PIB menor que o faturamento de algumas empresas transnacionais. Além da baixa produção econômica, há concentração de renda e problemas como a falta de assistência à saúde, o que desencadeia uma expectativa de vida baixa (em alguns países, ela está em torno de 50 anos). Problemas como a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis são recorrentes e, além disso, enfermidades já erradicadas em outras regiões continuam atingindo certas populações desses países, assunto que será aprofundado na Unidade 2.
A média de anos de estudo é baixa. Em alguns países, ela não passa de dois anos. Esses fatos dificultam o desenvolvimento de atividades econômicas decorrentes da Terceira Revolução Industrial, que requer níveis de escolaridade cada vez mais elevados.

HOLGER METTE/ISTOCK
Maputo, capital de Moçambique, 2012.
Tendências do IDH e desigualdades sociais
A comparação e a análise dos dados contidos no gráfico a seguir permitem detectar alguns aspectos e tendências do desenvolvimento socioeconômico mundial.

BRUNA FAVA
Fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Desenvolvimento Humano e IDH. Relatório de Desenvolvimento Humano Global 2015. Disponível em: . Acesso em: 21 jan. 2016.

Página 61


O gráfico mostra que houve uma tendência de melhoria do IDH entre 1990 e 2014 para todos os grupos de países. No entanto, o ritmo de desenvolvimento apresentado é muito lento, especialmente nos países mais pobres. Para os países de desenvolvimento elevado, observou-se também um processo de melhoria do IDH. O caso da China é mais emblemático dessa situação, pois passou do grupo de desenvolvimento médio, para o de desenvolvimento elevado. No entanto, esse país ainda enfrenta muitos problemas de desigualdades socioeconômicas.
No Relatório do PNUD 2014, ao se observar os indicadores específicos como o de esperança de vida ao nascer, verificam-se as diferenças entre os dois grupos extremos: os de desenvolvimento humano muito elevado e os de desenvolvimento humano baixo. No primeiro grupo, encontram-se índices de expectativa de vida bastante altos, variando entre 72 e 83 anos, respectivamente na Lituânia e no Japão; no grupo de países pobres, esses índices variam entre 45 e 68 anos, respectivamente em Serra Leoa e no Nepal.
Outros dados podem ainda mostrar a diferença entre os países com IDH extremos, como a média de anos de escolaridade – 12 anos para a Noruega e 1,4 ano para Chade –, e de renda per capita – aproximadamente 42 mil dólares na Austrália, enquanto em países como Libéria e República Centro- -Africana a população vive com renda inferior a mil dólares.
Todo esse quadro representa bem as desigualdades socioeconômicas entre os países do mundo, porém outros tipos de desigualdades também precisam ser observadas para que se possa elaborar e implementar políticas públicas destinadas aos grupos sociais mais vulneráveis.

LUCAS CARVALHO/GEOIMAGENS


LUCAS CARVALHO/GEOIMAGENS
Moradias populares em Trelew, à esquerda, em contraste com prédios de alto padrão, em Buenos Aires, Argentina, 2014, evidenciam as desigualdades internas que ocorrem no país, mesmo este apresentando IDH muito elevado em 2015.

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Desigualdades de gênero
Se observarmos os dados mais específicos difundidos no Relatório Anual do PNUD, verificaremos diferentes tipos de desigualdades internamente ou entre os países. Por exemplo, a desigualdade de gênero pode ser encontrada tanto em países com IDH muito elevado como em países com IDH baixo. Verifique esses dados na tabela a seguir:







IDH (2013)

Esperança de vida ao nascer (anos)

Média de anos de escolaridade (anos – 2002-2012)

Anos de escolaridade esperados (anos – 2002-2012)

RNB estimado per capita em 2013 (PPC em US$ de 2011)







feminino

masculino

feminino

masculino

feminino

masculino

feminino

masculino

feminino

masculino

IDH muito elevado































1

Noruega

0,94

0,943

83,6

79,4

12,7

12,6

18,2

16,9

56994

70 807

2

Austrália

0,92

0,944

84,8

80,3

12,5

13,1

20,3

19,4

35551

47553

3

Suíça

0,895

0,939

84,9

80,2

11,5

13,1

15,6

15,8

42561

65278

IDH elevado































64

Trinidad e Tobago

0,763

0,767

73,6

66,4

10,9

10,6

12,5

12,1

19 079

31713

65

Líbano

0,715

0,794

82,3

78,1

7,6

8,2

13

13,3

7199

25 038

65

Panamá

0,753

0,77

80,5

74,8

9,6

9,2

12,9

11,9

10 798

21850

IDH médio































109

Botsuana

0,669

0,694

66,8

62,1

8,7

9

11,7

11,6

11491

18 054

110

Egito

0,617

0,722

73,6

68,8

5,3

7,5

12,7

13,3

4225

16 522

111

Paraguai

0,664

0,687

74,6

70,1

7,5

7,9

12,2

11,7

5 984

9 150

IDH baixo































145

Nepal

0,514

0,564

69,6

67,3

2,4

4,2

12,5

12,2

1857

2554

146

Paquistão

0,447

0,596

67,5

65,7

3,3

6,1

6,9

8,4

1707

7439

147

Quênia

0,508

0,56

63,6

59,8

5,4

7,1

10,7

11,3

1763

2554

Fonte: Relatório Anual Pnud, 2014, p. 178-180. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2016.
Como se pode observar na tabela, não existe entre os países analisados equidade de gênero. Apesar dos avanços e conquistas das mulheres até os dias atuais, mesmo nos países com IDH muito elevado as desigualdades estão presentes. Mas, naqueles em que o IDH é mais baixo, esse problema é ainda mais relevante. Com isso, pode-se concluir que a desigualdade de gênero é um obstáculo ao desenvolvimento humano. E com o reconhecimento desses dados, é possível buscar soluções contra a desigualdade e a discriminação contra a mulher.

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