Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano


Saiba mais Tema transversal O que caracteriza o capitalismo



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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Tema transversal
O que caracteriza o capitalismo
Primeiro, o capitalismo expande-se continuamente pela Geografia e História das nações e continentes atravessando mares e oceanos. [...] Revoluciona contínua ou periodicamente as condições sociais, econômicas, políticas e culturais de povos e civilizações não capitalistas. [...] Sob certos aspectos, pode-se dizer que o Novo Mundo, a África, a Ásia e a Oceania que conhecemos são invenções do capitalismo, sempre concebido como um modo de produção material e espiritual, como um processo civilizatório universal.
Segundo, a mesma dinâmica do capitalismo cria e recria as forças produtivas e as relações de produção, tanto nas colônias, nos países dependentes e associados, como nos próprios países dominantes, metropolitanos ou imperialistas. [...]
Terceiro, o desenvolvimento intensivo e extensivo do capitalismo, em escala mundial, implica simultaneamente concentração e centralização do capital, também em escala mundial. A reinvenção continuada dos ganhos, lucros ou mais-valia é algo inerente à dinâmica do capital; assim como a continuada absorção e reabsorção de capitais menores ou mesmo semelhantes pelos capitais mais dinâmicos, situados em condições privilegiadas de reprodução.
Em outros termos, o modo capitalista de produção envolve a reprodução ampliada do capital em escala cada vez mais ampla, simultaneamente nacional, continental e global.
Fonte: IANNI, Otávio. A sociedade global. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. p. 53-55.

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Sabendo que a expansão é inerente ao capitalismo e ele tanto adapta como modifica as relações, é preciso compreender como ocorre seu processo de desenvolvimento na atual fase da globalização e como o mesmo influencia a organização do espaço geográfico.
Em primeiro lugar, verifica-se que a produção e o consumo caminham lado a lado. Se em períodos anteriores o consumo se destinava a um número limitado de pessoas, atualmente o mercado consumidor tende a expandir-se continuamente e até mesmo a ser criado deliberadamente. Porém, é preciso destacar que não existe consumo sem produção e sem renda, mesmo que esta seja mínima. Partindo desse pressuposto, pode-se compreender a difusão de um número crescente de empresas transnacionais pelos países do mundo, abrindo postos de emprego e estimulando o consumo.
Retomemos o exemplo do gênero de comida fast-food, como o hambúrguer e a batata frita. Na década de 1970, foi instalada a primeira lanchonete de uma famosa rede desse tipo de alimentação em Tóquio, no Japão; na década de 1980, na China; e em 1994, no Egito, África. Nesses países, o hambúrguer não era, até aquele momento, alimento servido corriqueiramente. Essa empresa estimulou novos hábitos alimentares, difundiu aspectos da cultura ocidental e criou um mercado consumidor, passando a incentivar a produção das matérias-primas necessárias à fabricação desses alimentos, modificando a agricultura, a pecuária e as relações de trabalho local. Aliou-se a isso uma poderosa campanha publicitária para divulgar seus produtos. Dentro da lógica capitalista, com o tempo, o número de lojas dessa rede de lanchonetes aumentou, expandiu a produção e estimulou ainda mais o consumo de seus produtos pelo mundo.

SORBIS/SHUTTERSTOCK
Fila de jovens chineses para comprar hambúrgueres em uma lanchonete de Hong Kong, China, em 2015. A expansão capitalista modificou hábitos de consumo em parte da população desse país.
Outro exemplo do processo de expansão capitalista são os tecnopolos, como a Zona Franca de Manaus, no Brasil. Com o objetivo de estimular e garantir a expansão de empresas transnacionais no desenvolvimento econômico de determinada região, esses polos recebem investimentos governamentais e privados, nacionais e internacionais. Desse modo, a ação do capitalismo atinge todas as escalas do espaço geográfico: global, nacional, regional e local.
Com a produção e o consumo difundidos por grande parte do planeta, o que se percebe é a expansão das atividades comerciais. O comércio internacional se tornou tão poderoso que foi criada uma instituição para sua regulação, a Organização Mundial do Comércio (OMC), ligada à ONU. O objetivo da OMC é regular as relações comerciais entre os países pertencentes a essa instituição.
Para produzir e para estimular o consumo, é necessário o financiamento destas atividades. Nesse contexto, o setor financeiro – bancos e grandes corporações financeiras – passou a ter papel preponderante para

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as economias nacionais, seja quando eles investem na produção, como ocorria no passado e permanece atualmente, seja quando investe na especulação, isto é, quando o destino dos investimentos é especificamente gerar mais renda.
Nesse período de expansão capitalista, também se observou a implementação de um ideário neoliberal que entende que o Estado deve ter papel menor na regulação das relações estabelecidas nesse processo. Dessa forma, é o próprio mercado que passou a regular as relações de produção (trabalho, matérias-primas, ferramentas, máquinas etc.) e consumo.
Esses quatro pontos, produção espacialmente dispersa por países ricos e emergentes; o estímulo ao consumo; o financiamento da produção e do consumo e a especulação financeira foram primordiais para que a expansão do sistema capitalista chegasse ao que hoje se denomina de globalização da economia.

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