Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano


As zonas de conflito no oriente médio: riscos e oportunidades



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As zonas de conflito no oriente médio: riscos e oportunidades
Dos fatos que deram forma ao atual Oriente Médio (o Islã, o Império Otomano, o colonialismo europeu, a fundação do Estado de Israel, o poder americano e o petróleo), a história só se encerrou para o Império Otomano e os impérios europeus. E, mesmo assim, seus legados continuam importantes. Os outros fatores se mantêm, acrescidos de dois outros, para determinar os dilemas e as oportunidades políticas do presente: a demografia e a natureza do governo.
Juntos, esses fatores geram potencial para conflitos violentos. São relativamente poucas as oportunidades de prosperidade mais compartilhada, mais liberdade e paz. Isso significa que algo especial se faz necessário para aproveitar as oportunidades; se nada mudar, as coisas permanecerão como estão ou se deteriorarão. [...]
A população do Oriente Médio cresce mais depressa que a economia da região e, na média, é mais jovem que a da maioria dos países europeus. Se não ocorrer aceleração forte e sustentada do crescimento econômico, os recursos e as oportunidades vão escassear. Há sério risco de crescente frustração e descontentamento.
Na ausência de progresso econômico, algumas pessoas vão emigrar e atender à necessidade europeia de expandir a força de trabalho. A maioria, entretanto, não vai, e muitas continuarão a ver frustradas suas esperanças e suas ambições de uma vida gratificante. No Oriente Médio atual, a alienação e a frustração estão entre os fatores que perpetuam os riscos de conflito violento ao cair contingentes de recrutas para causas sociais e políticas e, no extremo, para grupos armados.
Em princípio, duas coisas poderiam solucionar a questão. A primeira é aceitar que tais problemas

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não são de modo algum consequências inevitáveis de uma população em crescimento. Uma população relativamente jovem pode ser dinâmica e criativa, fonte de oportunidades para o desenvolvimento econômico, as novas ideias e o reformismo. E há o petróleo. [...]
Ele constitui a base para o crescimento. Os recursos petrolíferos não estão distribuídos uniformemente pela região, de modo que alguns países se favorecem deles em grau desproporcional. Todavia, a expansão econômica de um país tende a beneficiar seus vizinhos. No Oriente Médio, onde o idioma comum e os costumes semelhantes facilitam o comércio, e a mobilidade de mão de obra, seria de esperar que o crescimento econômico baseado no petróleo produzisse benefícios para a região em geral.
Mas, a julgar pelo desempenho passado e presente, essa expectativa não se concretizará. Na maioria dos países, a riqueza petrolífera provavelmente não liberará as energias econômicas de populações relativamente jovens. Funcionará, isso sim, como paliativo – uma forma de os grupos dominantes evitarem encarar os verdadeiros problemas que enfrentam.
O petróleo do Oriente Médio está fadado a ser importante fator da economia global por muitas décadas ainda. Isso só mudará se a procura pelo petróleo da região cair, o que poderia acontecer de três maneiras: pelo aumento da população em outras partes do mundo; pelo aumento da eficiência e economia no uso do produto; pela introdução e ampliação das fontes alternativas de energia. Graças à grande preocupação com os efeitos ambientais de nossa contínua dependência dos combustíveis fósseis, há algumas modestas perspectivas positivas de redução do consumo e de emprego de fontes de energia alternativas. Há também certa perspectiva de surgimento de novas áreas produtoras em outros lugares, como a África Subsaariana. Entretanto, a China e a Índia proporcionarão procura mais que suficiente para igualar a oferta, à medida que continuarem a crescer rumo às posições de primeira e terceira economias do mundo, como se antevê que serão em 2020. [...]
Por toda a região, estão mais que evidentes as deficiências quanto ao respeito pela democracia e pelos direitos humanos. Em muitos países, tais deficiências seguem lado a lado com a corrupção, a ineficiência, a dissipação, a incompetência e o favoritismo.
No Oriente Médio, com óbvia exceção de Israel, praticamente todos os governos embasam sua legitimidade no Islã. A dificuldade é que este é muito exigente no que se refere à maneira de governar os fiéis. Ele estabelece padrões que, se não são formalmente democráticos, ainda assim derivam do respeito pela pessoa e dignidade individuais e de um profundo sentido de igualdade – valores que estão no cerne do que há de melhor na democracia. Esses valores fizeram, por exemplo, com que se prezasse a ideia de que o líder leve existência modesta, como as pessoas comuns, um ideal encarnado pela vida do profeta. Quando e onde o governo é opressivo, corrupto, perdulário e cego ao bem-estar comum, ele se arrisca a ver uma rejeição religiosa à sua legitimidade. Ao afirmarem uma legitimidade baseada na fé, os governos, enfim, arriscam-se a encarar uma oposição de fundo religioso.
As estratégias dos grupos governantes para lidar com tal dilema se enquadram em duas categorias. Podem manter-se por inércia, como o Egito, a Argélia durante sua guerra civil ou as monarquias, concedendo tão poucas reformas quanto possíveis; mas, refreando-as, arriscam-se à eclosão de revoluções. Ou podem manter-se pelo ímpeto permanente, como o Irã revolucionário, o Iraque [...], a Líbia e a Síria; assumem desse modo, um risco após o outro, em confrontações internas e externas, pois não sobrevivem optando pelo caminho da tranquilidade.
Fonte: SMITH, Dan. O Atlas do Oriente Médio: conflitos e soluções. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 106-107.
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