Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano


a) organizar uma exposição dos mapas elaborados pelos alunos, acompanhados dos textos dissertativos; b)



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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a) organizar uma exposição dos mapas elaborados pelos alunos, acompanhados dos textos dissertativos;
b) elaborar um jornal, revista ou fôlder explicativo para ser distribuído na comunidade escolar;
c) criar, no laboratório de informática, uma página de internet sobre o tema “conflitos atuais”.
Quanto à avaliação, pode-se considerar o processo de elaboração dos mapas e dos textos e, caso algum aluno apresente dificuldades para elaborar o mapa proposto, é aconselhável retomar o Capítulo 4 do primeiro volume desta coleção. Os seminários também são propícios para a avaliação do processo, visto que possibilitam acompanhar a argumentação construída pelos alunos, bem como a referência às pesquisas de conteúdo realizadas ao longo do trabalho.
5. Sugestões de leitura ao professor
Unidade 1
TEXTO 1
A nova ordem econômica mundial
Produzir, vender, comprar e consumir. Esses verbos sintetizam a vida econômica dos indivíduos, das empresas, das nações, do mundo. Para acrescentarmos a dimensão financeira, devemos nos lembrar de pelo menos mais dois verbos: emprestar e pagar. Cada vez mais as ações expressas por esses verbos se combinam.
Para produzir, empresários tomam recursos de bancos. Para comprar, consumidores emprestam dinheiro de instituições financeiras. Os países também

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tomam dinheiro emprestado para fazer investimentos, como a construção de estradas, portos e a implantação de sistemas de saúde, entre outras coisas. E todos, países, produtores individuais, empresários e consumidores, têm de pagar aos bancos.
Esse esquema simplificado espelha as relações econômicas e financeiras em escala global. O que se amplia, e muito, na escala mundial é o número de transações, gerando um fluxo de dinheiro e recursos financeiros que é transmitido por meio de telefone, fax ou rede de computadores ao redor do planeta. Mas isso não é tudo. Também cresce muito o fluxo de mercadorias e matérias-primas entre países. Tudo isso somado gera produtos para o consumo ou, simplesmente, ganhos financeiros. [...]
A produção de mercadorias para suprir as necessidades humanas é cada vez mais globalizada. Em determinados casos, fabricantes em vários lugares diferentes do mundo produzem os componentes de uma mercadoria. Uma placa de computador ilustra bem esse caso. Cada componente tem uma origem distinta. Eles são transportados para um determinado país, onde é montada a placa; esta, por sua vez, pode ser vendida para outro país, onde será montada em um computador. E o processo continua. O equipamento poderá ser vendido, ainda, para outro país onde alguém, finalmente, vai usá-lo. Esse mesmo modelo serve para descrever a produção de automóveis [...], produtos eletrônicos etc.
A situação apresentada pode exemplificar a ordem econômica mundial. A produção é transnacional (envolve mais de um país), embora o consumo esteja restrito a quem possa pagar pelas mercadorias. Os consumidores, entretanto, não estão isolados em um único país; encontram-se distribuídos pelo mundo, sendo preciso levar até eles as mercadorias.
Por produção transnacional estamos entendendo a expansão das empresas capitalistas dos países ricos para outros países, processo que se acentuou, sobretudo no segundo período pós-guerra. Isso gerou uma divisão internacional do trabalho, que passou também a interferir na montagem final das mercadorias e não apenas no fornecimento dos recursos naturais para a produção. Mais recentemente, países emergentes, como a Coreia do Sul, também passaram a instalar fábricas em outros países, ampliando ainda mais a internacionalização da economia. [...]
A produção geograficamente dispersa é uma característica importante da ordem econômica mundial contemporânea. Nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial, emergiam os novos países industrializados, como são conhecidos o Brasil, a Argentina, o México e os chamados Tigres Asiáticos, situados na bacia do Pacífico-Cingapura, Coreia do Sul, Indonésia, Malásia, Tailândia, Taiwan e Hong Kong (região que, ao contrário das demais, destaca-se pela presença de um importante polo financeiro mundial e que desde 1842 pertencia ao Reino Unido, passando ao domínio da China em 1997).
Esses polos receberam investimentos diretos (fábricas de automóveis, computadores, eletroeletrônicos, entre outros) de países desenvolvidos como os Estados Unidos e a Alemanha, no caso dos três primeiros, e, principalmente, o Japão, no caso dos Tigres, por apresentarem condições específicas que atendiam às demandas do capital internacional: recursos naturais, mão de obra barata, incentivos fiscais, mercado consumidor potencial e possibilidade de remessas de lucro às sedes das empresas.
Outro importante elemento da ordem econômica mundial diz respeito às inovações tecnológicas. Elas estão desenhando um novo regime de produção e de acumulação do capital, ao incorporar pesquisas científicas e desenvolvimento de equipamentos e recursos tecnológicos – ciência e tecnologia (C&T) – bem como mercadorias, ou seja, o conhecimento do como realizar tarefas e fazer produtos também é vendido como mercadoria para empresas e pessoas.
A combinação de inovações tecnológicas, que acelerem a produção, com a dispersão da fabricação de componentes de um produto final por vários países é chamada por alguns estudiosos de globalização da economia.
A ordem econômica mundial é a soma das ações de países, empresas transnacionais e ONGs. Aos países cabe a execução de políticas promotoras do desenvolvimento econômico e social de sua população. Seus governos podem adotar políticas mais abertas para as importações e para o ingresso de capital estrangeiro – cobrando menos impostos dos novos investidores e permitindo que enviem para seus países grande parte dos lucros – ou políticas protecionistas –, implementando medidas que objetivam fechar o mercado para produtos importados e incentivar o desenvolvimento interno.
Os países regulam as ações comerciais internacionais por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995 em substituição ao

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GATT, iniciais da expressão inglesa cuja tradução é Acordo Geral de Tarifas e Comércio. Mais de 120 países integram a OMC, que tem tentado estabelecer normas internacionais que atenuem o protecionismo e facilitem o livre-comércio.
As iniciativas desse organismo internacional têm sido, contudo, de difícil implementação. Os países ricos resistem em abrir segmentos que consideram importantes ao ingresso de produtos originários de países mais pobres e, ao mesmo tempo, impõem-lhes a abertura total de seus mercados. Enquanto essa distorção não for corrigida, a OMC terá que promover muitas novas rodadas de negociação.
A ação das transnacionais poderia ser traduzida pela lógica da obtenção de maiores ganhos com a instalação de fábricas por diversos pontos do globo. Dada a grande capacidade de produção e a dispersão de consumidores pelo mundo, as empresas e os países têm interesse na criação de blocos econômicos. Eles permitem ampliar as chances de negócio ao favorecer trocas comerciais com menos restrições.
Já às organizações não governamentais (ONGs) cabe o papel de representar a população nessa teia de interesses. Sendo entidades civis sem fins lucrativos e sem ligações com governos, partidos ou sindicatos, as ONGs procuram defender os interesses da população civil frente ao Estado nos mais diversos setores: direitos de cidadania, proteção ao meio ambiente, defesa da democracia, combate à discriminação racial, sexual, religiosa etc. A atuação das ONGs pode ser de âmbito nacional ou internacional. Entre as mais destacadas internacionalmente estão a Anistia Internacional (AI), o Greenpeace, o Médicos sem Fronteiras e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). No Brasil, destacam-se o Instituto Socioambiental (ISA) e a SOS Mata Atlântica, entre inúmeras outras. [...]
A compra e venda de ações também integra a ordem financeira internacional. Os investidores procuram aplicar seus ativos em diversos países e negócios, de modo a otimizar seus ganhos. O volume de transações (compra e venda de ações de empresas) registrado em uma bolsa de valores é um indicador da situação econômica de um país. Quando o pregão é positivo, ele indica que houve ingresso de capital, o que representa uma valorização de parte das ações negociadas. Ao contrário, quando o volume de negócios cai, houve desvalorização e fuga de capital.
As principais bolsas de valores do mundo têm índices para aferir esse dinâmico mercado de capitais. A de Nova Iorque, por exemplo, possui o Dow Jones, que mede a variação das 30 ações mais negociadas da chamada velha economia, aquela que está voltada para atividades tradicionais como a produção de automóveis e eletrodomésticos. Outro índice importante criado naquela bolsa é o Nasdaq Composite, uma bolsa eletrônica que expressa a movimentação de capital das atividades dos setores de computadores (incluindo as máquinas e os programas), da rede mundial de computadores e de biotecnologia, chamados de nova economia.
A nova economia registrou uma enorme valorização nos últimos anos da década de 1990. Dada a importância dos Estados Unidos na produção de artefatos de base tecnológica, o índice Nasdaq passou a ser a principal referência para as empresas e investidores dos setores envolvidos com produtos de alta tecnologia. Muitos investidores da velha economia passaram a investir seus recursos na Nasdaq, esperando obter ganhos no futuro com as invenções e aplicações de novos produtos vindos da pesquisa em biotecnologia e em informática.
Entretanto, a nova economia oscila entre períodos de crescimento vertiginoso e a fuga repentina de seus investidores para outras opções de investimento, como ocorreu em abril de 2000, quando o índice Nasdaq chegou a cair quase 10% em um único dia, com a perda de mais de 2 trilhões de dólares em uma semana. Muitos analistas vislumbram nessas oscilações um indício de uma crise mais ampla do capitalismo. Outros, porém, acreditam tratar-se apenas de um acerto de contas devido à elevação rápida dos preços das ações. Só a história dirá quem tem razão.
Fonte: RIBEIRO, Wagner Costa. Relações internacionais: cenários para o século XXI. São Paulo: Scipione, 2000. p. 24-33.
TEXTO 2

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