Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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AMPLIANDO CONCEITOS
Guerra Fria
Cercada de mitos e impregnada de intensa propaganda oficial, a expressão Guerra Fria se baseava em uma premissa básica: a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, e particularmente a partir de 1949, tamanho era o poderio militar (nuclear) dos Estados Unidos e da União Soviética, que evitavam se destruir, passando a se chocar diplomaticamente e em locais onde não havia risco de conflito nuclear. Esta seria a equação básica para as relações internacionais e, na medida em que o conflito EUA × URSS é ideológico e de aniquilação mútua, o mundo teria de se posicionar entre um e outro, formando áreas de influência e blocos diplomáticos. A verdade oficial, que a propaganda incutia em uma e em outra população, era que enquanto uma nação tentava se defender a outra se expandia, e tudo não passava de uma formidável luta entre a liberdade e a tirania, a defesa da paz contra o expansionismo belicoso.
Fonte: BARROS, Edgar L. A Guerra Fria. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1985. p. 5.

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A Guerra Fria: um marco da Velha Ordem Mundial
A Guerra Fria e a ordem mundial bipolar sofreram alterações significativas somente no fim da década de 1980. Dois fatores expressam esse processo: a queda do Muro de Berlim e a desintegração da então URSS.
Em 1989, o Muro de Berlim foi destruído após um período de grande pressão e de manifestações populares. Foi uma demonstração de que outras transformações estavam em curso no mundo socialista, que já apresentava sinais de esgotamento. Assim, ocorreu a reunificação alemã, que resultou na reorganização de uma potência capitalista na Europa central e, consequentemente, a influência dos Estados Unidos e da então URSS foi reduzida no país e na Europa.

ROBERT WALLIS/SIPA/CORBIS/LATINSTOCK
Destruição do Muro de Berlim, na Alemanha, 1989.
A desintegração da URSS, em 1991, foi outro marco importante que contribuiu para o fim da Guerra Fria e para as mudanças na ordem mundial bipolar.
A partir de 1985 foram introduzidas mudanças nas relações internacionais entre a União Soviética e seus parceiros e entre ela e o bloco capitalista. O líder soviético promoveu reformas políticas denominadas glasnost (política de transparência) e reformas econômicas e sociais chamadas perestroika (reestruturação). Em linhas gerais, o objetivo era aprimorar a produção econômica e introduzir mecanismos de mercado, em um contexto de forte pressão popular pela democratização do país.
Isso se deu porque o modelo baseado na estatização e na planificação da economia já não atendia às necessidades da população e estava enfraquecido no mundo socialista. As economias planificadas entraram em grave crise na década de 1980. Uma marca disso eram as longas filas que se formavam nos estabelecimentos para adquirir alimentos, por exemplo. A extrema burocracia, a falta de eficiência produtiva, a corrupção e o atraso tecnológico das indústrias foram fatores que determinaram a crise socialista.
De 1989 a 1991, o mapa-múndi político sofreu profundas transformações com o colapso do socialismo. A desintegração da URSS teve início com a declaração de independência das Repúblicas Bálticas (Lituânia, Letônia e Estônia) em setembro de 1991, e, em dezembro daquele ano, líderes das repúblicas da Federação Russa, da Ucrânia e de Belarus declararam a extinção da URSS e a criação da Comunidade de Estados Independentes (CEI). No mapa a seguir, é possível observar a organização do espaço geográfico da ex-URSS, após o desmembramento das repúblicas.

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MARIO YOSHIDA
Fontes: IBGE. Países. Disponível em: ; Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Disponível em: . Acessos em: 5 fev. 2016.
Como consequência dessas transformações, o capitalismo se mundializou, atingindo quase todas as nações do globo. Essa nova configuração espacial, resultou em um novo mapa-múndi, como você pode observar a seguir. Entre as transformações ocorridas, deu-se um aumento no número de Estados independentes e de forma generalizada e sobressaiu-se a divisão do mundo em “países ricos”, ou “do Norte“, e “países pobres”, ou “do Sul“. Contudo, é necessário destacar que, no Hemisfério Sul, há alguns países desenvolvidos, como a Austrália e a Nova Zelândia, e mesmo entre as nações do Norte, há desigualdades econômicas.

MARIO YOSHIDA
Fontes: Concise atlas of the world. 3. ed. Washington: National Geographic Society, 2012; LACOSTE, Yves. Atlas géopolitique. Paris: Larousse, 2006. (Adaptado).

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Desde o fim da Segunda Guerra Mundial estavam em andamento novas transformações, decorrentes da expansão do sistema capitalista no mundo todo. Assim, estudaremos a seguir como esse sistema transformou a produção e o consumo e, em consequência, a organização do espaço mundial.
A Nova Ordem Mundial
Com a crise do mundo socialista, o fim da ordem bipolar e a ocorrência de novos polos econômicos mundiais, surgiu uma nova ordem, verificada principalmente a partir da década de 1990. Nesse contexto, ocorreu uma reorganização do espaço geográfico mundial e das relações internacionais, e os centros de comando mundial também foram modificados.
O mercado passou a comandar o mundo, apoiado no poder bélico dos Estados Nacionais. Os conflitos existentes na Velha Ordem, como a Guerra Fria e algumas organizações militares que apoiaram essas ações, como o Pacto de Varsóvia, foram extintos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), por sua vez, adquire uma nova configuração.
Na Nova Ordem Mundial, o Estado passa de controlador para regulador da política e da economia. Esse novo papel do Estado tem sido o centro de muitas críticas, especialmente daqueles que entendem que o capital não pode ser o regulador das relações entre os povos.
No que diz respeito aos conflitos, assiste-se a uma nova forma de guerra, tanto em relação às causas motivadoras como à tecnologia empregada. Por isso, não se pode pensar a Nova Ordem Mundial como um período de paz e harmonia entre as nações. Segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, “as tentativas de construção de um mundo sempre conduziram a conflitos porque se tem buscado unificar e não unir“(SANTOS, 2008). Ou seja, em vez de reconhecer a diversidade, tenta-se impor uma homogeneidade, seja cultural, econômica ou política.
Do ponto de vista econômico, a Nova Ordem Mundial caracteriza-se pela reordenação da produção em todos os setores (agricultura, indústria ou serviços) e pelo estabelecimento de uma nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Conforme você estudou no capítulo anterior, com a Nova Ordem Mundial, algumas áreas do mundo, mesmo não sendo desenvolvidas socioeconomicamente, passaram a produzir e a exportar produtos industrializados, além dos bens agrícolas.
Tendo em vista todas essas transformações, pode-se afirmar que a globalização econômica corresponde a um processo contraditório muito criticado por diversos autores. Para Milton Santos, o modo como essa globalização se desenvolve é perverso, porém ele atenta para a possibilidade de existir uma globalização mais humana. Sobre isso, leia o texto da página a seguir:

DEAGOSTINI/PUBBLI AER FOTO/GETTY IMAGES
O modelo capitalista de produção foi aplicado no campo de maneira tão profunda que padronizou parte das paisagens rurais mundiais. Paisagens como esta, situada no estado do Colorado, Estados Unidos, 2014, podem ser vistas em diferentes partes do mundo caracterizadas pelo agronegócio.

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