Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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VÁ FUNDO!
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Diário de um adolescente
Direção: Scott Kalvert. EUA, 1995. 101 min.
Drama que discute a questão do uso de drogas na adolescência.

Página 274


Interdisciplinaridade História Biologia
O preconceito e as manifestações étnicas e raciais
De acordo com o dicionário Aurélio, o termo “preconceito” significa:
Conceito ou opinião, formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; intolerância; ódio irracional ou ainda aversão a outras raças, credos, religiões etc.
Fonte: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio de Língua Portuguesa. Edição eletrônica. Curitiba: Positivo, 2009.
Quando um grupo busca intensamente afirmar sua identidade étnica, racial ou religiosa pode sofrer a contraposição de outros grupos por meio da não aceitação, da discriminação ou mesmo da hostilização verbal e física. Ao mesmo tempo, ao reivindicar sua identidade, um grupo poderá excluir os demais, acreditando ser essa a forma encontrada para se legitimar e não desaparecer.
Na história da humanidade, em muitos momentos percebemos a presença do preconceito nas relações entre os povos. No Brasil, essas questões têm raízes no processo de colonização do século XVI. Os europeus, para justificar a dominação sobre os nativos nas terras conquistadas, referiam-se a eles como “seres inferiores”, não vendo, portanto, nenhum mal em escravizá-los, em “educá-los”. Anos mais tarde, com a chegada dos primeiros africanos, ocorreu um processo semelhante a este. Construiu-se uma ideologia pregando a inferioridade natural dos negros para poder justificar a escravidão.
No final da década de 1930, um pouco antes da Segunda Guerra Mundial, a ideia de superioridade racial ganhou novas dimensões, sendo utilizada novamente para legitimar interesses e ideologias, quando os alemães, liderados por Adolf Hitler, defendiam uma “raça pura” ou ariana, representada por eles.
A Alemanha, nesse período, passava por uma grande crise econômica. A responsabilidade por essa situação foi atribuída aos judeus, considerados pelo líder alemão uma raça que deveria ser exterminada. Campos de concentração, câmaras de gás, fuzilamentos e trabalhos forçados foram práticas utilizadas com o intuito de exterminar esse povo. Esse fato histórico ficou conhecido como Holocausto.
Foi nesse período que ocorreu uma grande migração de judeus: fugindo da perseguição nazista, eles se dirigiram para a região da Palestina, onde mais tarde criaram o Estado de Israel. Entretanto, a mesma perseguição sofrida pelos judeus foi imposta por estes, mais tarde, aos palestinos, como já foi visto ao longo deste livro.

GARY TELFORD/ALAMY/LATINSTOCK
Auschwitz, antigo campo de concentração na Polônia, 2005, onde milhares de judeus foram sacrificados e mortos durante a Segunda Guerra Mundial, vítimas da ação dos nazistas alemães.

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Devido aos conceitos de raça, racismo e etnia serem muito controversos e polêmicos, é fundamental a leitura do texto “Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia”, do Prof. Dr. Kabengele Munanga da Universidade de São Paulo (USP).
“Racismo” e xenofobia na atualidade
As atitudes racistas e a xenofobia estão presentes em todas as partes do globo, porém em algumas regiões elas são mais evidentes. Na Europa, por exemplo, os países mais ricos constituem o destino de muitos imigrantes, geralmente originários dos países pobres ou do Leste Europeu, que buscam encontrar trabalho e melhores condições de vida. Porém, ao chegar ao seu destino, esses trabalhadores acabam sujeitando-se a tarefas e condições de vida muitas vezes piores do que em seu país de origem. Além disso, os trabalhadores locais não aceitam os imigrantes por considerá-los potenciais concorrentes na disputa pelas vagas de trabalho em seu país. Isso cria uma espécie de aversão ao estrangeiro, ou seja, a xenofobia.

FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL
Famílias do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), que vivem na ocupação Zumbi dos Palmares, fazem passeata para comemorar o Dia da Consciência Negra, Rio de Janeiro, 2014.
Na África do Sul, por exemplo, a maioria negra (cerca de 68% da população) viveu, até o início da década de 1990, sob a política segregacionista denominada apartheid. Ainda hoje, mesmo com o fim do apartheid, o preconceito perdura e as diferenças socioeconômicas se intensificam nesse país, visto que a maioria negra detém menos de 5% das riquezas totais da República Sul-Africana.
No Brasil, frequentemente vemos, nos meios de comunicação, casos que envolvem o preconceito racial. Mas o governo e a sociedade têm buscado desenvolver ações no sentido de reduzir esse tipo de prática, como a instituição de cotas para negros nas universidades. Contudo, alguns especialistas alegam que essas medidas isoladamente não resolverão a situação de desigualdade dos negros. Além dos negros, outros grupos sofrem preconceito, como é o caso de nordestinos, indígenas e homossexuais, entre outros.

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Inclusão social e respeito à diversidade
Nas últimas décadas, outros grupos considerados minoritários, que por muitos séculos foram vítimas de violência e preconceito, também começaram a conquistar seus espaços. Um exemplo é o grupo das pessoas que necessitam de cuidados especiais, ou seja, pessoas que têm alguma dificuldade em ouvir, ver, andar ou se comunicar.
Por muitos anos, esse grupo foi obrigado a viver em espaços segregados, sem quase poder sair de suas casas. Felizmente, nos últimos anos, o avanço da legislação e a conscientização da sociedade têm possibilitado a inclusão de muitos desses cidadãos. Pisos táteis, vagas e assentos reservados, elevadores e rampas, uso da linguagem de sinais, audiolivros, entre outras iniciativas, permitiram que essas pessoas ampliassem seus convívios sociais.
Linguagem de sinais: sistema de comunicação em que se utilizam gestos, sinais, expressões faciais e corporais para a comunicação. É utilizada principalmente por pessoas com dificuldades auditivas.

LUCAS CARVALHO/GEOIMAGENS
Elevadores destinados à acessibilidade de pessoas com dificuldades de locomoção, em São Paulo (SP), 2015.
Outro exemplo de luta e conquista é a dos homossexuais, que reivindicam o reconhecimento de suas identidades e a ampliação de seus direitos civis, como poder casar, constituir família, ter direito a pensão etc. Em muitos países, inclusive no Brasil, esses direitos vêm sendo ampliados. O mesmo, no entanto, ainda não ocorre em muitos países africanos ou do Oriente Médio, onde a homossexualidade é ilegal e pode até ser considerada crime, punido com pena de morte.

MARIO YOSHIDA
Fonte: ILGA (International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association). Disponível em: . Acesso em: 26 fev. 2016.

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