Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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CARTOGRAFANDO
Interpretação e análise
Vamos analisar o mapa África: Zonas de tensão – 2014 (página 266)? Observe esse mapa e responda às questões propostas:
1. Em que países africanos ocorreram a Primavera Árabe? Onde eles se localizam?
2. Em que parte do litoral africano há a ocorrência de piratas?
3. Qual era o efetivo total, entre civis e militares, das missões da ONU na África em 2013?
4. Entre quais países africanos existem problemas com a delimitação de fronteiras?
5. O que diferencia os países em lilás dos países em verde?

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Os conflitos socioeconômicos: da Guerra Fria ao estabelecimento do “poder paralelo”
Destacamos anteriormente que grande parte dos grupos armados organizados durante o período da Guerra Fria seguia princípios político-ideológicos. Mas, com a decadência do socialismo e o estabelecimento de uma sociedade de mercado em grande parte dos países, as argumentações ideológicas foram substituídas por motivações econômicas e pela construção de um poder paralelo ao governo local, geralmente ligado ao tráfico internacional de drogas e à “lavagem” de dinheiro.
AMPLIANDO C0NCEITOS
O Poder paralelo no Estado de Direito
[...]
Para expandir sua influência e impor seu poder sobre um maior número de jovens, o crime organizado precisa se fixar em determinado território. Esse domínio é exercido em determinado espaço através do controle da venda de drogas. Exercendo seu poder em determinado local, o crime organizado, domina o ambiente estabelecendo um Poder Paralelo, como se Estado fosse. Fornecem ajuda e atuam na comunidade como solucionadores de problemas e conflitos, exercendo funções que normalmente seriam do Estado. É um monopólio, regulado pela lei do mais forte, e aquele que o detém pode ali exercer sua atividade e explorá-la da forma que melhor lhe convier. Faz-se desse território o local de recrutamento de seus membros.
[...]
Esses espaços são, em sua maioria, as favelas, cujos moradores são pobres e estigmatizados. Isso faz com que o Poder Paralelo possa desenvolver sua autonomia político/social, implementando, inclusive, a lei do silêncio. Esta acaba por dificultar o trabalho das autoridades que visam enfraquecer o crime organizado.
[...]
A questão territorial nos remete ao vínculo político-partidário que detém o poder paralelo com relação ao Estado. As organizações criminosas mantêm um vínculo com a população carente, através de favores e proteção. Então, por exercer certo grau de influência em um bom número de pessoas é natural que ocorram alianças ou favoritismos entre membros do poder estatal e sujeitos do crime organizado, transformando essa influência em captação de votos.
NEVES, Lanna. O Poder paralelo no Estado de Direito. Disponível em:. Acesso em: 8 mar. 2016.
O estabelecimento de uma sociedade baseada em princípios individualistas, na qual o consumo é visto como fonte de felicidade, a falta de perspectiva de uma vida digna e as baixas condições de vida de grande parte da população – que vive excluída do processo capitalista – contribuem para o ingresso de milhares de jovens em grupos que realizam ações violentas. Desse modo, parte das organizações que lutavam no passado pela transformação da sociedade em busca de mais justiça e igualdade deu lugar a instituições que defendem interesses individualistas e atividades ilegais, como o tráfico de drogas, de armas, de alimentos, de mulheres e crianças, além do comércio de produtos falsificados.

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Esses grupos visam estabelecer uma ordem paralela à do Estado. Portanto, pode-se afirmar que a ideologia que antes direcionava esses grupos foi substituída pelos princípios da economia de mercado. Assim, muitos grupos armados foram surgindo e provocando o terror, tanto nas populações urbanas como nas rurais, principalmente nos países pobres.
Conflitos na Rússia
No início da década de 1990, os países socialistas do Leste Europeu passaram por profundas transformações e o mundo assistiu ao desmembramento da então União Soviética. Esse fato colocou uma questão de suma importância: o que aconteceu com o arsenal atômico que pertencia a essas repúblicas?
Com o fim do regime socialista na Europa, parte dessas armas foi traficada pela chamada “máfia russa”, que logo se estabeleceu nessas repúblicas. Todo armamento produzido com dinheiro público, e que tinha como função a defesa dos países, foi parar nas mãos de organizações mafiosas e, posteriormente, acabou nas mãos de grupos terroristas e de governos que não tinham o domínio dessa tecnologia.
Nesse período de transição entre o socialismo e o capitalismo, essas nações sofreram com a ausência do Estado, que estava concentrado basicamente na reorganização governamental. Desse modo, as organizações mafiosas puderam apoderar-se de parte do arsenal bélico, controlar o tráfico de drogas e, durante certo período, até mesmo o comércio de alimentos, visto que boa parte da comida era importada por esses países. Além do envolvimento nesses crimes, a máfia russa está ligada ao tráfico de mulheres para o Ocidente e ao desenvolvimento do turismo sexual.
As Farc: entre a luta socialista e o tráfico de drogas
Na América do Sul também existe, desde os anos 1960, um número significativo de grupos armados. Entretanto, alguns deles foram extintos ou encontram-se desmobilizados. Entre os que continuam atuantes destacam-se as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que agem em grande parte do território colombiano, especialmente nas áreas cobertas pela Floresta Amazônica, onde instalaram parte de suas bases.
As Farc tiveram motivações socialistas na sua origem e até hoje se autoproclamam um grupo guerrilheiro que defende a revolução socialista na Colômbia, visando estabelecer uma sociedade igualitária, baseada em princípios marxistas. Entretanto, as Farc são reconhecidas por governos de diversos países, como Estados Unidos, Canadá, União Europeia e, especialmente, pela própria Colômbia, como um grupo terrorista. Outros países, como Brasil, Argentina e Chile, não lhe atribuem essa denominação, mas, sim, a de grupo armado; já os governos de Cuba e da Venezuela classificam esse grupo como insurgente. As Farc são acusadas de envolvimento com o tráfico de cocaína e de armas e de controlar grande parte do refino e da distribuição dessa droga para o mundo, como veremos a seguir.

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Na Colômbia, existem ainda outros grupos armados que se constituíram após a década de 1960, com destaque para o Exército de Libertação Nacional (ELN), que tem características semelhantes às das Farc, e para as milícias formadas por fazendeiros e militares, como o grupo Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).
Contribuem para a permanência e para a proliferação da violência praticada por esses grupos: a expansão mundial do narcotráfico e do tráfico de armas; a falta de legitimidade e a progressiva corrupção do Estado colombiano; a falta de espaços democráticos para diálogos; as desigualdades econômicas, políticas e sociais do país e a consequente exclusão em que vive grande parte da população; a precariedade e a ineficiência da Justiça, com a sensação de impunidade que advém disso; e a intolerância em relação a diferenças, por exemplo, culturais e políticas, dentro do país.
Desde 2010, o governo colombiano e as Farc demonstraram disposição em negociar. Em 2011, o grupo libertou vários reféns, e, em 2014, foi selado um acordo em Havana (Cuba), de pontos importantes para promover a paz e a eliminação da produção de drogas ilegais no país.
Tendo em vista as questões apontadas, pode-se compreender a difusão da violência pela Colômbia, onde a população vive em estado de alerta. Para reverter essa situação, organizaram-se diversos movimentos sociais, como o “Medellín, Cómo Vamos”, que têm o objetivo de ampliar a democracia, a justiça social e o Estado de Direito no país. Nos mesmos moldes, surgiram no Brasil os movimentos “Sou da Paz” e “Nossa São Paulo”.

LUIS ACOSTA/AFP
As Farc têm arregimentado grande número de jovens colombianos, homens e mulheres, em geral provenientes de situações socioeconômicas precárias. Entre suas práticas, encontram-se o sequestro de políticos, policiais e jornalistas colombianos e estrangeiros. Membros das Farc em 2016.
Tráfico de drogas e de armas
Outra questão que provoca o aumento dos índices de violência no mundo e é responsável pela transformação nas relações sociais, econômicas, políticas e espaciais, em escala regional, nacional e mundial, é o tráfico de drogas e de armas.
O tráfico de drogas atinge praticamente todos os países do mundo, obedecendo a uma divisão entre as atividades feitas nos países ricos e aquelas realizadas nos países pobres. Nestes, onde a população depende mais das atividades agrícolas, se dá o plantio da coca, de maconha, de haxixe e de papoula e, em muitos casos, também ocorre o refino das drogas. Essa produção concentra-se em países da América Latina, do Sudeste Asiático e do Oriente Médio. É responsável por ocupar parte das áreas férteis que pode-

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riam destinar-se à produção de alimentos e, além disso, os agricultores são submetidos a determinadas condições estabelecidas pelos traficantes, o que torna essas áreas pouco seguras para os moradores.
Nos países ricos encontram-se os grandes consumidores. Contudo, esses países são espaços de produção de outros tipos de droga, como as elaboradas e processadas em laboratórios, por exemplo, as anfetaminas (ecstasy) e os ácidos (LSD). Esses laboratórios encontram-se principalmente em países da Europa e nos Estados Unidos, porém essa produção tem se alastrado em grande escala para o Sudeste Asiático.
Anfetamina: droga estimulante produzida em laboratório que ativa o sistema nervoso central de modo a provocar o aumento das capacidades físicas e psíquicas. É geralmente usada em tratamentos para emagrecer por ser temporariamente eficaz na inibição do apetite; porém seu uso constante faz o organismo tornar-se tolerante ao efeito da droga, necessitando de dosagens cada vez maiores. A suspensão do uso pode gerar crise de abstinência e a perda de apetite pode transformar-se em anorexia, causar perda de peso, desnutrição e até morte.
Três países sul-americanos enfrentam sérios problemas decorrentes da produção e do tráfico de cocaína: o Peru, a Bolívia e, em especial, a Colômbia, responsável pela produção de 65% dessa droga.
Como a plantação de coca é mais lucrativa do que a produção de outras culturas agrícolas, muitos camponeses se veem atraídos por essa atividade e passam a negociar com grupos de narcotraficantes.

RAUL ARBOLEDA/AFP
Camponeses de países andinos, como Colômbia, Peru e Bolívia, têm como tradição o cultivo da coca para usos terapêuticos e medicinais. O refino da coca para a produção de cocaína, no entanto, fez com que muitas autoridades estimulassem a erradicação das plantações de coca. Na foto, destruição de plantação de coca na Colômbia, 2016.
Desse modo, esses grupos passam a definir o tipo de produto a ser plantado, as relações de trabalho e a comercialização das mercadorias, o que impede a liberdade dos produtores agrícolas. Todo esse processo está apoiado em uma ampla estrutura militar que utiliza armamentos pesados, constituída por cartéis que movimentam milhares de dólares com o comércio de drogas para os Estados Unidos e para a Europa, principais mercados consumidores.
No Afeganistão, a produção de papoula, utilizada na produção do ópio e da heroína (o ópio refinado em laboratório), é outro problema internacional. O Afeganistão é responsável, segundo o UNODC, por 82% de todo o ópio produzido no mundo. Nesse país, a relação entre os produtores e os traficantes também está nas mãos de milícias e de grupos terroristas, como o Taliban, o que implica aumento da violência na região. O tráfico dessa droga se estende pelo Paquistão e pelo Irã e destes para toda a Ásia e Europa.

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BRUNA FAVA
Fonte: United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC). World Drug Report 2012. Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2016.
Os grupos envolvidos no tráfico negociam milhões de dólares anuais por meio do narcotráfico. Por outro lado, a população pobre vive, por falta de opção, da produção da matéria-prima, a papoula, e enfrenta duras relações de trabalho, problemas sociais, econômicos e violência em seu país, com falta de assistência social básica – como alimentação, escola e hospitais – e de infraestrutura, por exemplo, estradas, eletricidade e irrigação.
O United Nations Office on Drugs and Crime – UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) evidencia a ligação entre as baixas condições de vida e a produção da papoula no Afeganistão. Assim, esse órgão propõe que se amplie a assistência técnica, social e econômica aos agricultores do Afeganistão, como foi feito no norte do país e que promoveu redução significativa na produção de papoula. Essa política também foi introduzida e obteve bons resultados em Mianmar Tailândia e Laos.
No Brasil, as drogas são um problema que atinge praticamente toda a sociedade, em pequenas e em grandes cidades, da população de baixa renda até a mais abastada. A consequência disso para o país é o aumento cada vez maior da violência, o alto índice de corrupção nos meios políticos e policiais e um estado de alerta e medo que toma conta da maioria das famílias brasileiras.

RAFAEL ANDRADE/FOLHAPRESS
Drogas apreendidas em operação realizada no Rio de Janeiro (RJ), em 2010.

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