Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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VÁ FUNDO!
Assista a:
O mundo segundo a Monsanto
Direção: Marie-Monique Robins. França, 2008. 109 min.
Documentário sobre a principal fabricante de organismos geneticamente modificados (OGM), a multinacional Monsanto, traçando sua história e sua atuação no monopólio de sementes transgênicas.

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vidade. Se por um lado esse fator leva à redução dos custos e, consequentemente, do valor do produto, por outro torna desleal a competição com os pequenos produtores, que passam a vender suas terras ou seus produtos a um mesmo fornecedor, ampliando a monopolização.
Associadas ao agronegócio, essas empresas estrangeiras beneficiam produtos agrícolas agregando mais valor aos produtos, como no caso do açúcar em relação à cana; do suco, às frutas; do óleo, à soja; e de embutidos (presunto, salsicha), à carne. Essas corporações, sediadas principalmente nos Estados Unidos, União Europeia e Japão, conseguem com isso controlar o preço dos produtos no mercado mundial e obter vultosos lucros.
Agronegócio: conjunto de operações da cadeia produtiva, que abrange desde o trabalho agropecuário até a comercialização.
Além do problema social, a monopolização e a produção monocultora causam muitos impactos ambientais, como o desmatamento, o desgaste dos solos, a erosão e a desertificação. A má gestão das terras agrícolas e a sobrepastagem, por exemplo, podem levar à degradação dos solos cultiváveis, que inclui o ressecamento e a arenização da terra, a diminuição da fertilidade natural, e a acidificação e o acúmulo excessivo de sal (salinização). O uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes também contribui para alterar a composição química do solo, poluir cursos de água e o lençol freático. Com isso, milhões de hectares tornam-se, a cada ano, impróprios para a agricultura. Observe o mapa a seguir.
Sobrepastagem: número excessivo de animais na área de pastagem, o que afeta a cobertura vegetal e resulta na degradação do solo.

MARIO YOSHIDA
Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Disponível em: Acesso em: 03 fev. 2016.

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Outra consequência grave a médio e a longo prazos é a diminuição da biodiversidade induzida por uma limitada variação de sementes. Poucas empresas multinacionais especializadas em biotecnologia acabam controlando o setor e, por vezes, têm sido acusadas de interferir em políticas de desenvolvimento econômico de muitos países.
Desse modo, para reverter o processo de monopolização do setor agropecuário e evitar maiores degradações, alguns críticos desse modelo apontam para a necessidade de ampliar a reforma agrária, estimular e subsidiar o trabalho do pequeno e médio agricultor, incentivar a agricultura orgânica, diversificar a produção, inserir a produção agropecuária no contexto dos ecossistemas, entre outras medidas.
Do ponto de vista ambiental, é necessário conservar grandes extensões de florestas, campos e savanas, principalmente nas áreas próximas aos cursos de água e de grande declividade; estimular a produção em níveis compatíveis com a capacidade de regeneração dos recursos; fazer a correção adequada dos níveis de acidez e sais minerais; promover a rotação de culturas e a técnica do plantio direto; não deixar o solo exposto à ação das intempéries, como vento e chuva; e adequar o sistema de drenagem, para impedir a lixiviação e a erosão excessiva.
Lixiviação: dissolução dos constituintes de rochas e solos; remoção dos constituintes solúveis de uma matéria pela ação de ácidos, solventes etc.
Plantio direto: sistema de manejo em que se minimiza o uso de tratores e arados, uma vez que a palha e os restos vegetais são mantidos sobre o solo durante o plantio, reduzindo a erosão.

ANDREA VILARDO/EMBRAPA
Plantação de soja geneticamente modificada em Londrina (PR), 2016.
Biocombustíveis
Outra questão muito discutida é a do aumento das áreas agricultáveis voltadas à produção de biocombustíveis em detrimento da produção de alimentos. Em 2008, em meio a uma crise mundial de oferta de alimentos, a opção de produzir etanol utilizando milho, nos Estados Unidos, e da cana-de-açúcar, no Brasil, foi apontada como uma das causas para a elevação dos preços.
No caso brasileiro, a cana estaria ocupando as áreas de solos mais férteis, obrigando as culturas destinadas à alimentação, como arroz e feijão, a se deslocarem para solos menos férteis, tornando mais cara sua produção em decorrência da menor produtividade e do elevado custo dos insumos. No caso estadunidense, a falta de milho para alimentação ou como ração animal também seria responsável pelo aumento dos preços. Assim, iniciou-se um debate sobre em que medida o avanço do etanol poderia influenciar também o aumento da fome e do desmatamento no mundo.
Para alguns, a área plantada – de cana ou milho – destinada ao etanol em relação ao total agricultável ainda é baixa, e o aumento da produtivi-

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dade possibilitaria o aumento da produção dessa fonte de energia renovável e mais limpa que o petróleo. Para outros, no entanto, a maior demanda por biocombustíveis vai elevar o preço dos alimentos, prejudicando as classes sociais menos favorecidas, que gastam a maior parte de sua renda com alimentação.
O consumo de água na agropecuária
A produção agropecuária é também responsável por cerca de 92% do consumo mundial de água. Entre os produtos agrícolas que mais necessitam de água estão o algodão, o açúcar e o arroz. Veja o gráfico a seguir.

BRUNA FAVA
Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil. Atlas do meio ambiente. Curitiba: Instituto Pólis, s/d.
Tema transversal
Sugerimos retomar o conceito de água virtual. Pode-se fazer uma pesquisa sobre os produtos que apresentam os maiores índices de água virtual, bem como aqueles que se destacam no ranking mundial de exportação desse recurso natural. Consulte obras e sites sobre o tema indicados no Manual do Professor.
A quantidade de água gasta para produzir um bem, produto ou serviço é denominada água virtual. Ela está embutida no produto, não apenas no sentido visível, mas também no sentido “virtual”, considerando a água necessária aos processos produtivos. Nesse sentido, o setor agropecuário torna o Brasil um grande exportador de água virtual.
Algumas consequências do uso de água em grande escala são: a diminuição da vazão de rios, a redução dos estoques de água dos lençóis freáticos e os consequentes impactos sobre as margens de rios e lagos.
Para reverter esse quadro, faz-se necessário melhorar as técnicas de irrigação, estimulando práticas com menor desperdício; armazenar e aproveitar de forma mais eficiente as águas das chuvas; promover o cultivo de espécies adaptadas ao menor consumo de água, entre outras medidas.

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