Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



Baixar 11.43 Mb.
Página121/239
Encontro18.07.2022
Tamanho11.43 Mb.
#24300
1   ...   117   118   119   120   121   122   123   124   ...   239
Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
ticket
AMPLIANDO C0NCEITOS
O conceito de transição demográfica
A transição demográfica foi proposta pelo americano Warren Thompson em 1929, que estipulou naquele momento a existência de quatro fases: a pré-moderna, a moderna, a industrial madura e a pós-industrial.
A fase I acontece em sociedades rurais com taxas de natalidade e mortalidade altas. Há oscilação rápida da população dependendo de eventos naturais como, por exemplo, uma seca prolongada e doenças. Como consequência há uma grande população jovem, sendo a fase de vários países da África.
Na fase II, estão as sociedades onde houve melhora nas técnicas agrícolas, maior acesso à tecnologia e educação. Nesse momento, as taxas de mortalidade caem rapidamente devido à maior oferta de alimentos e de condições sanitárias. Como consequência, há aumento da sobrevida. Por outro lado, há aumento da taxa de nascimento com aumento da população. Um exemplo é a Índia.
A fase III é caracterizada pela urbanização, acesso a contracepção, melhora da renda, redução da agricultura de subsistência, melhora da posição feminina na sociedade e queda da taxa de nascimentos. O saldo desse período é a tendência à estabilização da população. O Brasil está no ciclo final dessa fase, já próximo do seguinte.
A fase IV é o momento de taxas baixas de natalidade e mortalidade e com taxas de fecundidade que ficam abaixo da taxa de reposição populacional. Há três consequências: aumento da proporção de idosos; encolhimento da população e necessidade de imigrantes para trabalhar nos empregos de mais baixo salário.

LUCAS CARVALHO/GEOIMAGENS
Multidão nas ruas de Buenos Aires, Argentina, em 2013. Esse país, assim como outros da América Latina, se encontra no final da 3 a fase da transição demográfica.
O gráfico a seguir mostra a evolução do crescimento vegetativo ao longo do tempo, através da dinâmica das taxas de natalidade e mortalidade.

BRUNA FAVA
Fonte: LOTUFO, Paulo Andrade. O conceito de transição demográfica. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2016. (Adaptado).

Página 207


Taxa de fecundidade
A taxa de fecundidade consiste na estimativa do número médio de filhos que uma mulher possa vir a ter ao longo da vida. A reposição populacional de um local só estará assegurada se esse número for igual ou superior a 2,1 filhos por mulher, isso porque as duas crianças substituem os pais e a fração 0,1 é necessária para compensar aqueles que morrem antes mesmo de atingir a idade reprodutiva.
Esta taxa está condicionada, principalmente, ao nível de escolaridade, ao ingresso da mulher no mercado de trabalho, à consciência dos custos de manter uma grande família, às questões religiosas e culturais e a políticas públicas de estímulo ou de controle de natalidade. Trata-se de um dos componentes de maior peso na compreensão do crescimento populacional.
Quando essa taxa é elevada, a população tende a crescer mais rapidamente e, quando ela é baixa, a população tende a crescer mais lentamente ou até diminuir. Entretanto, esse crescimento populacional depende ainda do índice de mortalidade, que estudaremos a seguir.
Nos países ricos, a taxa de fecundidade é menor que nos países pobres. Se, de um lado, essa foi uma conquista para a população desses países, de outro, acarreta novos problemas, pois, se nascem poucas crianças, logo faltarão jovens para ingressar no mercado de trabalho. Em alguns países esse problema vem sendo atenuado com a imigração, porém essa medida nem sempre é bem-vista pela sociedade dos países ricos, que, em períodos de crise econômica, enxergam os imigrantes como uma ameaça.
Diante dessa questão, os governos dos países ricos estimulam a natalidade e, consequentemente, a taxa de fecundidade, para não terem de enfrentar problemas econômicos, como falta de mão de obra e redução da arrecadação de impostos.
Nos países pobres, a taxa de fecundidade é geralmente elevada, apesar de haver políticas de controle de natalidade. Assim, parte dos governos desses países continua desenvolvendo políticas com o objetivo de reduzir os índices de fecundidade e, consequentemente, a natalidade. O acesso ou não da mulher aos métodos contraceptivos também pode influenciar essa taxa.
Observe, na tabela a seguir, as taxas de fecundidade de alguns países.

Taxa de fecundidade de países selecionados – 2011

Países pobres

Taxa de fecundidade*

Países ricos

Taxa de fecundidade*

Bangladesh

2,2

Noruega

1,9

Benin

4,9

Itália

1,5

Guatemala

3,8

Estados Unidos

2,0

Laos

3,1

Austrália

1,9

Fonte: U.S. Census Bureau. International Programs. International Data Base. Disponível em: . Acesso em: 16 fev. 2016.
*Número médio de filhos por mulher.

Página 208


Discutir a fecundidade envolve analisar a atuação da mulher na sociedade. Grande parte dos estudos demográficos relaciona o nível de escolaridade da mulher ao número das que trabalham fora, com a redução do número de filhos. Entretanto, é preciso questionar essa relação, pois, em alguns países pobres, especialmente na África, a mulher não conquistou a liberdade de decidir sobre sua vida, mesmo tendo ingressado no mercado de trabalho.

Baixar 11.43 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   117   118   119   120   121   122   123   124   ...   239




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal