Geografia no cotidiano: ensino médio, 3º ano



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Geografia no cotidiano ensino m dio, 3 ano
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VÁ FUNDO!
Leia:
Passaporte para a China, de Lígia Fagundes Telles. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Diário de bordo da autora sobre paisagens, monumentos, roupas, costumes e sobre o convívio com o povo chinês.

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BRUNA FAVA
Fonte: Banco Mundial: Disponível em: . Acesso em 10 abr. 2016.
Interdisciplinaridade História
No entanto, antes de chegar à situação atual, esse país viveu outras condições e teve de passar por intensas transformações. Um momento histórico importante foi a Revolução Chinesa de 1949, que determinou o domínio do Partido Comunista no país.
Nessa revolução, liderada por Mao Tsé-Tung (1893-1976), foram tomadas algumas medidas para garantir os princípios socialistas, entre os quais: a coletivização das terras, a planificação da economia, a estatização dos meios de produção e dos bancos, a abolição do lucro e o estabelecimento de um plano salarial sem grandes disparidades.
Estatização: ação do estado de transferir para si o controle e a gestão de empresas, bancos, instituições, escolas etc.
Essas medidas foram acompanhadas da reforma agrária, da criação de comunas populares e do desenvolvimento industrial. Após essa revolução, o desenvolvimento econômico rompeu com o domínio do capital estrangeiro, fato que gerou uma fuga de capitais para outras nações, como Estados Unidos, Hong Kong e Taiwan, principalmente. Para sanar esse desfalque, a China contou com a ajuda financeira da então União Soviética.
Comunas populares: agrupamentos de cooperativas agrícolas chinesas nos quais o trabalho é feito de forma coletiva. Atuam como unidades de produção e englobam vilas rurais com escolas, hospitais, comércio etc.
Na China, os esforços foram concentrados na formação de um parque industrial de base (siderurgia e metalurgia), com o objetivo também de dar suporte ao desenvolvimento agrícola. Buscava-se, assim, controlar o êxodo rural e a concentração urbana, para garantir um desenvolvimento social coeso e abastecer as áreas urbanas e rurais de modo equilibrado.
Em 1960, a China rompeu com a União Soviética, isolando-se politicamente do cenário mundial. A partir de então, o país viveu uma profunda crise econômica, o que resultou em grande instabilidade política interna e externa até meados da década de 1970.
Em 1976, após a morte de Mao Tsé-Tung, Deng Xiaoping (1904-1997) assumiu o poder e deu início à liberalização da economia e às grandes reformas políticas: aprovou uma nova Constituição e a criação de órgãos legislativos. No campo, buscou a especialização regional da produção associada
Liberalização: abertura econômica, liberdade de mercado para empresas privadas.

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ao sistema da produção familiar. O Estado também passou a incentivar a formação de associações entre as famílias camponesas.
No meio urbano, as medidas liberalizantes possibilitaram maior autonomia às empresas, ficando sob a administração do Estado somente aquelas consideradas essenciais ou estratégicas. Com isso, estimularam-se o crescimento da produtividade e do trabalho e a diversificação da produção.
A partir de 1979, algumas empresas estrangeiras tiveram permissão para investir em associações de capital misto. Nesse contexto, surgiram as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), zonas francas dotadas de infraestrutura e incentivos fiscais.
Capital misto: associação de dois tipos de capital – o estatal e o privado.
Foi nesse contexto que se instalaram no país empresas transnacionais, atentas à mão de obra barata e ao mercado consumidor formado pela maior população do planeta. Outra providência tomada pelo governo chinês foi a reabertura da bolsa de valores, localizada em Shanghai.
Consolidou-se a iniciativa de estimular a propriedade privada dos meios de produção, até então em poder do Estado. Novas tecnologias foram importadas com o objetivo de modernizar o parque industrial chinês.
A maior flexibilidade e abertura da economia e a diferenciação dos salários aumentaram os níveis de consumo da população. As indústrias de bens de consumo duráveis e de eletrodomésticos foram incentivadas. Desde então, a economia chinesa passou a crescer em um ritmo bastante acelerado.
As mudanças econômicas estimularam reivindicações a favor da democracia. Houve muitas manifestações estudantis, mas grande parte delas foi duramente reprimida pelo Exército.
Na década de 1990, as relações comerciais com os Estados Unidos foram ampliadas e, em 2001, a China ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC). Paralelamente, uma política de privatizações foi posta em prática e, pouco tempo depois, cerca de 70% das empresas estatais já estavam em poder da iniciativa privada.
Com o ingresso na OMC, a China teve mais facilidade para inserir seus produtos no mercado mundial. Como a mão de obra chinesa é mais barata, os produtos do país se tornaram uma ameaça para as indústrias dos países pobres, especialmente as de pequeno e médio portes.

SONGQUAN DENG/SHUTTERSTOCK
Bolsa de valores de Shanghai, símbolo da economia de mercado na China, 2012.

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