Geografia Espaço e identidade Levon Boligian, Andressa Alves 3 Componente curricular Geografia



Baixar 11.05 Mb.
Pdf preview
Página132/249
Encontro27.07.2022
Tamanho11.05 Mb.
#24382
1   ...   128   129   130   131   132   133   134   135   ...   249
geografia-espa-o-e-identidade-levon-boligian-andressa-alves-3-c compress
Biologia 3 Orientações Professor
objetos técnicos
criados pela
sociedade, ou – de acordo com o que foi visto – a uma
natureza socialmente transformada.
Com a Primeira Revolução Industrial teve início um acelerado desenvolvimento tecnológico e a 
criação de novos tipos de máquina, que permitem ao ser humano ampliar as formas de intervenção
no meio ambiente, além de utilizar os elementos naturais como recursos econômicos (o que, na 
maioria das vezes, ocorre de maneira descomedida). Isso acontece porque, desde as origens do 
modo de produção capitalista, predomina entre as sociedades ocidentais a ideia de que a natureza 
é uma fonte inesgotável de recursos econômicos, que pode ser explorada indiscriminadamente 
para gerar lucros e acumular capital.


Página 163
A natureza é inesgotável?
Durante centenas de anos foi possível defender a suposição da natureza infindável, já que, de 
maneira geral, os impactos provocados pelas atividades econômicas no meio ambiente (como a 
poluição atmosférica das cidades industriais europeias, a derrubada de áreas de florestas ou a 
exaustão de uma ou outra jazida mineral) eram espacialmente limitados, ou seja, ocorriam em 
escala local ou regional.
Porém, com a expansão do capitalismo e, consequentemente, da sociedade de consumo, 
problemas ambientais como o esgotamento dos recursos naturais e a poluição dos ambientes 
urbano e rural atingiram escala planetária.
De acordo com levantamentos científicos, corre-se o risco de que muitos recursos naturais se 
esgotem completamente em poucas décadas. Boa parte desses recursos é
não renovável, ou seja, 
não podem ser repostos pela natureza nem recriados pelo ser humano, como os minérios e os 
recursos energéticos fósseis, entre eles o petróleo e o carvão. Além desses recursos, biomas como 
as grandes florestas tropicais – que constituem ecossistemas únicos e em equilíbrio, abrigando uma
complexa biodiversidade (ou seja, uma infinidade de espécies vegetais e animais) – perdem 
completamente suas características primitivas quando devastados pela ação humana, sendo 
impraticável sua restauração.
Ty Wright/Bloomberg/Getty Images
Os países desenvolvidos produzem lixo em enormes quantidades. Na foto, trator maneja aterro sanitário em Defiance, Ohio, 
Estados Unidos, em 2015.
O gráfico ao lado apresenta a perspectiva de duração de alguns recursos naturais nos próximos 
anos (décadas e séculos). Analise-o com atenção e discuta com os colegas sobre como a sociedade 
humana será prejudicada pelo esgotamento desses elementos naturais. Identifique os setores da 
economia que mais sofrerão impactos e imagine como isso afetará o dia a dia das pessoas em um 
futuro próximo.


Gráfico: ©DAE
Fontes: *PORRITT, Jonathon.
Salve a Terra. São Paulo: Globo/Círculo do Livro, 1991; TEIXEIRA, Wilson et al.
Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: 
Companhia Editora Nacional, 2009.
Outro problema ambiental característico do atual modelo de desenvolvimento é a falta de um 
destino adequado para o lixo produzido. A elevação contínua dos níveis de consumo, 
principalmente nos países ricos, e as constantes inovações tecnológicas aplicadas às mercadorias e 
aos serviços produzem uma quantidade cada vez maior de resíduos sólidos. Estes, sobretudo nos 
países subdesenvolvidos, não passam por um processo adequado de reciclagem: são direcionados 
aos aterros sanitários – que recebem uma quantidade de lixo superior à sua capacidade – ou são 
despejados em locais inapropriados, como rios e mares.


Página 164
Gana abriga maior lixão de eletrônicos da África
O jovem enxuga o suor do rosto enquanto, com a outra mão, agita uma barra metálica com a qual 
remexe uma bola de fogo que libera uma espessa fumaça preta. Não é a fumaça podre da queima de 
lixo a céu aberto, mas uma nuvem de gases químicos que emana de um emaranhado de cabos plásticos.
“Queimo cabos para extrair o cobre”, diz o rapaz, arrumando sua boina descolorida pela fumaça. Ele é 
Abdulrahim, 25 anos, e passou os últimos dez derretendo cabos em Agbogbloshie, um bairro de Acra, a 
capital de Gana, que nos últimos anos se converteu no maior lixão de restos eletrônicos da África.
Na área que tem o tamanho de 11 campos de futebol, amontoam-se pilhas de monitores, 
computadores, teclados, impressoras, TVs etc.
Trata-se de sucata vinda, em sua maioria, de países desenvolvidos, que é separada em categorias para 
ser desmontada para a extração de metais valiosos como o cobre, o alumínio ou o ferro.
“Compramos o lixo eletrônico para tirar as partes de valor”, diz o vice-presidente da Associação de 
Distribuidores de Sucata da Grande Acra, Yussif Mahama.
[...]
Segundo a ONU, de 20 milhões a 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são gerados anualmente, e 
a produção continua a aumentar.
Mas a chave do problema está no alto custo da reciclagem do lixo digital. Enquanto enviar um monitor a
Gana não sai por mais de € 1,50, reciclá-lo em um país como a Alemanha custa € 3,50.
Por isso, e visando proteger os países subdesenvolvidos dos resíduos alheios, desde 1989 a Convenção 
de Basileia proíbe a exportação de lixo perigoso. Mesmo assim, as nações ricas recorrem às doações e à 
desculpa da redução da disparidade digital para se desfazer de seus computadores velhos.
Assim, lixo proveniente dos EUA, Reino Unido, Bélgica, Holanda, Dinamarca e Espanha, entre outros, 
enche cerca de 600 contêineres por mês que chegam ao porto de Tema, o maior de Gana. É um volume 
que supera de longe a capacidade das autoridades alfandegárias e acaba inundando os lixões locais.
Segundo estimativas, entre 25% e 75% dos bens exportados à África como produtos de segunda mão 
não são reutilizáveis. E, como consequência, recorda Yussif, “por volta do ano 2000, quando o material 
não utilizável começou a se acumular, foi criado o lixão de Agbogbloshie”.
[…]
Embora grande parte dos trabalhadores do lixão seja formada por homens, 40% dos que separam os 
metais são crianças. O material é então vendido a intermediários, que, por sua vez, o revendem a 
empresas que o exportam a países como China ou locais como Dubai, um dos emirados que compõem 
os Emirados Árabes Unidos.
[…]


Embora o negócio beneficie cerca de 200 mil ganenses, incluindo os familiares que recebem as 
remessas, as consequências para os trabalhadores e para o meio ambiente são graves.
Em algumas áreas de Agbogbloshie, a concentração de chumbo no solo chega a ser mil vezes superior à 
tolerada. E a exposição contínua, devido à falta de proteção, a substâncias como o chumbo, cádmio e 
mercúrio provoca desde dores de cabeça, tosse, erupções e queimaduras até câncer, doenças 
respiratórias e problemas reprodutivos.
[...]
GIORGI, Jeronimo; ATTANASIO, Angelo. Gana abriga maior lixão de eletrônicos da África.
Folha de S.Paulo, 4 jan. 2015. Disponível 
em:. Acesso em: 8 
mar. 2016.
Friedrich Stark/Alamy/Fotoarena
Adolescente desmancha monitores e outros restos de produtos eletrônicos para tentar recuperar fios e peças de cobre em 
Agbogbloshie, o maior lixão de eletrônicos da África, em Gana, 2013.


Página 165

Baixar 11.05 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   128   129   130   131   132   133   134   135   ...   249




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal