Geografia Ensino & Pesquisa, V. 15, n. 2, maio./ago


Arantes, T. G. F.; Ferreira, W. R



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Arantes, T. G. F.; Ferreira, W. R

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ISSN 2236­ 4994

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Neste sentido, o campo de estudo dos transportes na ciência geográfica se amplia de tal



forma que algumas escolas de seu pensamento, notadamente a inglesa e a estadunidense,

preferem tratá­lo à parte, como uma subdisciplina, separando assim, este campo de pesquisa de

outros da Geografia que ocasionalmente procuram entender como os fluxos impactam os

espaços, mormente a Geografia Econômica e Regional.

A escola francesa, por sua vez, cria uma área de estudos que procura interpretar o

transporte focando mais em seus resultados sobre a dinâmica sócio­econômica do espaço do

que nas implicações que sua forma e estrutura espacial possuem nestes processos. Esta área

recebe dos franceses a denominação de Geografia da Circulação e não se distancia muito da

abordagem dada pela Geografia Econômica e Regional.

Ao contrário da “Geography of Transportation” norte­americana de Ullman

(1957) ou “The Geography of Communications” de Appleton (publicada em

Londres em 1962), para a escola francesa a designação escolhida, ainda

na década de 60, foi de “Géographie de la Circulation”, como

testemunham, entre outros, Clozier (1963), Perpillou (1964) e Vigarie

(1968). (PACHECO, 2004, p.25)

Nos estudos dos transportes (e suas conseqüências no espaço) pela Geografia é possível

estabelecer um paralelo de comparação entre a “Geografia da Circulação” francesa e a

“Geografia dos Transportes e das Comunicações” inglesa e estadunidense. Ambas surgiram nos

anos 1950­60, porém com roupagens diferentes. Enquanto a Geografia dos Transportes veio

acompanhada da chamada revolução quantitativa das ciências sociais e de uma tendência para

o pragmatismo científico voltado ao planejamento territorial, a Geografia da Circulação se

manteve essencialmente descritiva, possuindo os roteiros de pesquisa que procuravam

sintetizar os fluxos materiais e de pessoas constituintes de um quadro regional, focando mais

nas relações que eram estabelecidas por estes fluxos do que propriamente nos sistemas

responsáveis por estabelecê­los.

Entretanto, ressaltamos a necessidade de que ambas se complementem pois, uma das

críticas que podem ser feitas à Geografia da Circulação refere­se ao fato de que seus roteiros de

pesquisa ignoram os aspectos estruturais e formais dos sistemas de transportes (tão bem

discutidos pela outra corrente), seja por incompreensão de sua importância, por ausência de

quadro teórico­metodológico adequado, ou até mesmo de uma linguagem técnica necessária ao

seu estudo. Esses aspectos possuem grande relevância no entendimento de todo o processo de

interação espacial, pois nesses quesitos residem conceitos e conteúdos que afetam diretamente

e indiretamente as relações que constituem a base social do espaço geográfico.

Já para a Geografia dos Transportes, a crítica reside em seu aspecto excessivamente

quantitativo, uma vez que por meio de modelos matemáticos e estatísticos, e de técnicas de

análise espacial baseadas em teoria dos grafos e estudos geométricos, existe uma tendência à

sobrevalorização de dimensões puramente formais do espaço, como sendo o resultado de uma

análise espacial completa dos transportes. Neste caso, se “considerarmos isoladamente a forma

espacial, apreenderíamos apenas a aparência, abandonando a essência e as relações entre

esta e a aparência”. (SANTOS apud CORRÊA, 2007, p.28)

Dentre esses dois campos, preferimos chamar de Geografia dos Transportes um campo

contemporâneo e ambicioso da ciência geográfica, no qual a pretensa união entre as duas

ramificações se dê com intuito de entender todo o aspecto processual em que acontecem as

interações espaciais por meio de sistemas de transporte, sejam eles de passageiros ou de

cargas.



Geografia Ensino & Pesquisa, v. 15, n.2, p. 19­40,

maio./ago. 2011




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