Gabriel camara ramos



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TCC

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Percebe-se que a política de modernização do setor açucareiro no Brasil no final do século XIX, através do decreto nº 2687 que concedia garantia de juros de 7% ao ano sobre o capital de 30.000 contos de réis para os empreendedores que estivessem dispostos a instalarem os engenhos centrais, não conseguiu obter os resultados esperados. Tal política visava a modernização apenas da fábrica, com a implementação de aparelhos aperfeiçoados que proporcionariam o melhoramento da qualidade do açúcar e o aumento da produção. Porém, não foi levado em conta a necessidade de modernização da lavoura, que não conseguiu fornecer matéria prima de qualidade e quantidade suficiente para os engenhos centrais.

Também contribuiu para o malogro dessa política o elevado número de concessões entregues a especuladores, inexperiência dos senhores de engenho, escassez de mão de obra especializada, falta de capitais, emprego de maquinários ultrapassados, dentre outros. Entretanto, o fator principal como discutido neste trabalho foi a separação entre a lavoura e a indústria. Os engenhos centrais ficaram reféns dos seus fornecedores de matéria prima, que em momentos de alta dos preços preferiam fabricar e comercializar seu próprio açúcar. Além disso, se negavam a entregar a cana uma vez que muitos desses fornecedores eram senhores de engenho e não se contentaram com tal posição.

Foi analisado neste trabalho o processo de fundação de 13 engenhos centrais, construídos no decorrer da década de 1870 e 1880. Apenas 4 companhias não foram liquidadas ou venderam seus engenhos antes mesmo do fim do século XIX, e 8 delas sofreram com o fornecimento irregular de matéria prima. A sobrevivência dos engenhos centrais dependia de disporem de cana suficiente para a produção. Um grande exemplo dessa dependência ocorreu na província de São Paulo, pois os problemas climáticos que atingiram a lavoura de cana paulista prejudicaram as safras de 1893 e 1894, levando 3 companhias a falência.

Observa-se, neste sentido, que apesar dos engenhos centrais terem tido êxito em outros países, como em Cuba e outras ilhas das Antilhas, eles não conseguiram ter o mesmo desempenho no Brasil. Havia a necessidade de fazer adaptações a realidade brasileira, não implementando um modelo pronto que obteve um bom resultado em realidades diferentes do contexto brasileiro. A maioria dos empreendedores que investiram seus capitais na construção desse projeto teve suas expectativas frustradas. A premissa dos engenhos centrais de separar a lavoura e a indústria foi a principal causa de sua ruína. Embora essa política de modernização não tenha conseguido os resultados esperados no Brasil, os engenhos centrais foram de grande importância, pois melhoraram a qualidade do açúcar, sendo um importante processo para consolidação das usinas.



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