Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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FO R A DA O R D E M


A A RTE S E M H I STÓ R I A
90
A escolha temática destas 
femmes fortes do passado demonstra, 
por um lado, a erudição textual de ambas as artistas seiscentistas, 
por  outro,  uma  escolha  consciente  de  personagens  femininas  que 
fugiram à norma e com as quais se pudessem identificar
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. Uma das 
femmes fortes mais comuns na iconografia da época, nomeadamente 
entre os 
caravaggisti, era a Judite que degolava Holofernes, o déspota 
assírio que oprimiu Israel e a tentou violar. Outros exemplos na obra 
de Elisabetta Sirani poderiam ser: Lucrécia, mulher de um nobre ro-
mano que é violada por um tirano e se envolve politicamente no pro-
cesso de instituição da República Romana, acabando por se suicidar; 
ou Timóclea, que atira para um poço o capitão de Alexandre Magno 
que a violara; as suas Sibilas; e, sobretudo, o original tratamento ico-
nográfico que a pintora bolonhesa dá à sua Porzia, que surge a ferir-se 
na perna para demonstrar ao marido que tinha coragem para assumir a 
escolha política que levou à derrota de César
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. Assim, se o retrato e o 
auto-retrato podem ser considerados géneros característicos das mu-
lheres artistas até ao século XVIII, o mesmo não se pode dizer em re-
lação à escolha de 
femmes fortes. De facto, embora proporcionalmente 
as mulheres artistas pintem mais retratos de mulheres do que os seus 
congéneres masculinos, não parece ter havido uma tendência para a 
escolha de uma iconografia feminina “feminista”, como acontece nos 
casos de Artemisia ou Sirani

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