Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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Lavinia Fontana,
 
Auto-retrato no studio,
 1579, 
Galeria dos Uffizi, Florença, Itália.
110.
    Lavinia Fontana, Autorittrato nello studio, 1579 (Galeria dos Uffizi, Florença).
111.
    Existem centenas de edições deste livro: Baldassare Castiglione, Il Libro del 
Cortegiano
, Walter Barberis, ed. (Turim: Einaudi, 1998); Baldassare Castiglione, O Livro 
do Cortesão
, trad. de Carlos Aboim de Brito (Porto: Campo das Letras, 2008).


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As muitas excepções a esta tendência das mulheres para o retrato 
e o auto-retrato não foram suficientes para impedir a criação do estere-
ótipo de que as mulheres só se dedicavam ao retrato e, mais tarde, tam-
bém às naturezas-mortas. A força desta chave de leitura da arte femini-
na fez com que, por exemplo, Filippo Baldinucci, que até se mostrou 
especialmente aberto às possibilidades artísticas das mulheres, como o 
demonstram vários dos seus textos, escrevesse que Artemisia Gentiles-
chi era conhecida sobretudo pelos seus retratos e naturezas-mortas
112

Ora, um olhar sobre a sua obra é suficiente para nos apercebermos de 
que estes dois géneros estão especialmente ausentes das escolhas pictó-
ricas de Artemisia. Poderíamos sugerir que algo de semelhante se passa 
com Josefa de Óbidos que, tendo pintado muitos outros géneros, é co-
nhecida sobretudo pelas suas naturezas-mortas, mais associadas a um 
mundo feminino do que os temas religiosos e históricos ou a pintura de 
frescos em igrejas a que ela também se dedicou.
Artemisia  apresenta-nos  uma  subversão  acrescida:  se  é  certo 
que as mulheres têm um lugar de destaque nas suas escolhas temáti-
cas, como que obedecendo à recomendação de Boccaccio, estas são 
mulheres muito distantes dos significantes adscritos à “mulher” da-
quele período. Como afirma Mary D. Garrard, olhar para a obra de 
Gentileschi segundo uma perspectiva de género implica “reconhe-
cer o desvio da artista a uma norma retórica na sua reinvenção das 
personagens femininas, assim como ter consciência dos riscos em 
impor a Artemisia expectativas estereotipadas de género”
113
. A artis-
ta bolonhesa Elisabetta Sirani (1638-1665), que, apesar da sua mor-
te prematura, foi autora de uma obra extremamente prolixa, também 
enveredou por vários temas onde não imperam nem as naturezas- 
-mortas nem os retratos. Tal como acontecera com Artemisia, Sirani 
recorreu a uma iconografia de mulheres da Antiguidade que se dis-
tinguiram pelo seu carácter forte ou afirmativo

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