Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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    “Veio ela para Roma (…), e aqui fez um bom trabalho na tentativa de 
copiar os rostos, e retratou a maior parte das damas de Roma, e especialmente 
as Senhoras Princesas, & também muitos Senhores Príncipes, e Cardeais, onde 
alcançou uma grande fama e crédito e, tendo em conta que era uma mulher
neste género de pintura portava-se muito bem”, in “Vita di Lavinia Fontana, 
Pittrice”, Giovanni Baglione, Le Vite de’ Pittori, Scultori e Architetti. Dal pontificato di 
Gregorio XIII fino a tutto quello d’Urbano VIII
 (Bolonha: Arnaldo Forni Editore, 1975),  
pp. 143-144 (Roma, 1649; 1.ª ed., 1642).
100.
    Jordana Pomeroy, “Italian Women Artists from Renaissance to 
Baroque”, Italian Women Artists from Renaissance to Baroque (Washington, D.C.: 
National Museum of Women in the Arts; sVo Art, 2007), Catálogo de Exposição, 
pp. 19-22, p. 21; Ann Sutherland Harris, “Sofonisba, Lavinia, Artemisia, and 
Elisabetta: Thirty Years after Women Artists: 1550-1950”, Italian Women Artists from 
Renaissance to Baroque
 (Washington, D.C.: National Museum of Women in the 
Arts; sVo Art, 2007), Catálogo de Exposição, pp. 49-62, p. 52.


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É necessário ter em conta que, no interior das hierarquias de gé-
neros artísticos, o retrato ocupava um lugar inferior em relação, por 
exemplo, à pintura religiosa ou de história. Em 1370, no seu 
De Claris 
Mulieribus, Giovanni Boccaccio escreveu sobre mais de 100 mulheres 
notáveis da Antiguidade, entre as quais algumas artistas
101
. Apesar de 
considerar que a arte era algo alheio à mente de uma mulher e que o 
talento necessário para a prática artística era muito raro entre elas, re-
comendou às artistas que se dedicassem sobretudo a retratarem-se a si 
próprias e a outras mulheres
102
. A sua recomendação não só remetia as 
mulheres para um espaço privado, alheio a um contexto artístico mais 
alargado e público, como também as definia enquanto objecto privile-
giado de si próprias. Musas de si mesmas, o espaço da arte no feminino 
via assim as suas fronteiras codificadas, reproduzindo os outros limites 
sociais e culturais que faziam parte do facto de se ser mulher. Lavinia 
Fontana e, sobretudo, Sofonisba Anguissola poderiam ser exemplifi-
cativas desta tendência para o retrato no feminino, tendência esta que 
era reforçada, como vimos, pelas próprias encomendas de mecenas no 
contexto do coleccionismo pictórico. Interessados em possuírem o seu 
retrato pintado por uma mulher ou o auto-retrato da própria artista, os 
coleccionadores também favoreciam esta especialização. 

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