Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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2. 
Fora da ordem: espaços e temas 
da  produção  a rtística  feminina 
(séculos XVI-XVII)
As pintoras antigas e a história da arte: 
de Vasari à crítica feminista
Sem querer inventariar aqui as muitas mulheres artistas que trabalha-
ram na Europa durante os séculos XVI e XVII, referiremos apenas os 
principais temas e argumentos da historiografia que se tem dedicado 
às mulheres artistas deste período, usando alguns exemplos específi-
cos. Além das diferentes abordagens que têm tido lugar nas últimas 
décadas, também interessa analisar a forma como as artistas surgiram 
nos escritos sobre arte publicados em Itália nos séculos XVI e XVII. 
Com uma tradição histórico-biográfica que não tem paralelo noutras 
regiões, a Itália conheceu a publicação de muitas “vidas de artistas” 
segundo o modelo consolidado por Vasari logo em 1550
67
. Assim, 
não é por acaso que sabemos, hoje, muito mais sobre mulheres ar-
tistas italianas do que sobre as suas congéneres do Norte da Europa.  
A inexistência de uma tradição equivalente fora de Itália dificulta um 
trabalho de pesquisa sobre a produção artística, já de si embargado 
por muitos outros factores. Esta tradição textual italiana é indisso-
ciável de um contexto especialmente favorável ao desenvolvimento 
artístico, onde se destacam o mecenato, a prática do coleccionismo e 
a valorização do estatuto do artista
68

Já no século XVI, Vasari referia a discriminação a que os feitos ar-
tísticos das mulheres estavam sujeitos. Ao dar início à biografia da es-
cultora de Bolonha, Properzia de Rossi, à qual dedica um capítulo, Va-
sari aproveita para fazer uma reflexão sobre outras artistas, escritoras e 
67.
    Giorgio Vasari, Le Vite de’ più Eccellenti Architetti, Pittori, et Scultori Italiani, 
da Cimabue, Insino a’ Tempi Nostri
, ed. de Luciano Bellosi e Aldo Rossi, introd. de 
Giovanni Previtali (Turim: Einaudi, 1991). Ver também: Frederika Herman Jacobs, 
Defining the Renaissance Virtuosa: Women artists and the language of art history and 
criticism
 (Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press, 1997).
68.
    Italian Women Artists from Renaissance to Baroque (Washington, D.C.: 
National Museum of Women in the Arts; sVo Art, 2007), Catálogo de Exposição; 
Ann Sutherland Harris, “The Status and Education of Women in Renaissance 
Italy”, Harris e Nochlin, eds., Women Artists: 1550-1950, p. 24.



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