Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A S D ÉC A DA S DA S I NTE R ROGAÇÕ E S



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A S D ÉC A DA S DA S I NTE R ROGAÇÕ E S


A A RTE S E M H I STÓ R I A
64
deste primeiro livro, vieram outros: uma análise das relações entre o 
feminino e o sagrado
60
; outra sobre a figura do “Barba Azul”, da ópera 
ao cinema, onde, recorrendo aos instrumentos de uma abordagem fe-
minista, se explora a história do marido que “matava” as suas mulheres 
quando estas demonstravam ser demasiado curiosas
61
; ou, mais re-
centemente, uma incursão na contemporaneidade da imagem digital 
onde se destaca uma secção especial sobre a artista Mary Kelly, com 
uma reflexão da própria acerca da sua prática artística levada a cabo no 
final dos anos 1960
62

O que é que acontece quando se encontram formas diferentes 
de  pensar  sobre  um  mesmo  assunto,  como  no  caso  desta  proposta 
transdisciplinar? O assunto ou os assuntos em questão são aqueles que 
tomaram forma na revolução cultural e intelectual que teve lugar no 
último quartel do século XX. De alguma maneira, procura-se reflec-
tir sobre as consequências dos novos modos de pensar que nasceram 
nesse  contexto  histórico,  as  muitas  “teorias”  que  afectaram  critica-
mente as disciplinas das ciências sociais e humanas, questionando as 
formas anteriores de produção de conhecimento e que, hoje, conti-
nuam presentes e em transformação. O feminismo foi uma destas no-
vas abordagens que, como todas as outras, do marxismo à psicanálise, 
vieram transformar profundamente não só os temas de análise e de 
investigação, mas também os modos de os tratar. Pollock esteve acti-
vamente presente nas várias fases do encontro entre uma abordagem 
feminista e as ciências sociais e humanas, até ao momento presente em 
que, como ela alerta, esta abordagem se “naturalizou” (apenas nalguns 
contextos académicos nacionais, acrescento) até correr mesmo o risco 
de perder a sua complexidade e as suas implicações, ainda tão neces-
sárias: “A imensidão das primeiras lutas – a mudança de paradigma 
–, para podermos falar de diferença sexual, subjectividade, imagem, 
representação,  sexualidade,  poder,  olhar,  pós-colonialismo,  textua-
lidade, diferença, esmoreceu para dar lugar a uma nova fase de nor-
malização em que qualquer estudante parece fazer uso de termos que  
60.
    Griselda Pollock e Victoria Turvey Sauron, eds., The Sacred and the 
Feminine: Imagination and sexual difference
 (Londres: I.B.Tauris, 2007).
61.
    Griselda Pollock e Victoria Anderson, eds., Bluebeard’s Legacy. Death and 
secrets from Bartók to Hitchcock 
(Londres: I.B. Tauris, 2009).
62.
    Mary Kelly, “Dossier: Mary Kelly circa 1968. On Fidelity: Art, Politics, 
Passion and Event”, Antony Bryant e Griselda Pollock, eds., Digital and Other 
Virtualities. Renegotiating the image 
(Londres: I.B. Tauris, 2010), pp. 182-193.



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