Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A S D ÉC A DA S DA S I NTE R ROGAÇÕ E S



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A S D ÉC A DA S DA S I NTE R ROGAÇÕ E S


A A RTE S E M H I STÓ R I A
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obstáculos e discriminações relativos às mulheres artistas começaram 
a ocupar a esfera de um debate público, exposto em livros e periódicos, 
em textos individuais ou petições colectivas. Assim, foi nesta altura 
que a questão do nu se tornou central a este mesmo debate, sendo 
usada quer por aqueles que invocavam razões morais para a não-pre-
sença de mulheres nas escolas ou 
ateliers, quer por aqueles que consi-
deravam que o desenvolvimento artístico das mulheres, assim como a 
sua profissionalização, estavam dependentes do acesso ao estudo do 
nu. Foram várias as escolas de belas-artes que citaram a questão do 
nu como razão para não aceitarem mulheres entre os seus alunos
41

enquanto outras escolas privadas, como a 
Académie Julian parisiense, 
fizeram do modelo desnudo para mulheres artistas precisamente a sua 
mais-valia em relação à principal escola de belas-artes da cidade. 
Estudantes femininas numa aula de desenho com modelo ao vivo.  
Fotografia de c. 1900,  
Herkomer Art School, Bushey, Hertfordshire, Reino Unido.   
41.
    Enquanto os homens artistas tinham acesso ao nu masculino e feminino 
nas escolas de belas-artes, às suas congéneres femininas, em muitos países 
ou cidades, não era possível sequer aceder à visão de um corpo do mesmo 
sexo. Alguns aspectos deste debate, como aqueles que discutem a relação das 
mulheres com o corpo humano, podem ser comparados com o ensino da 
medicina no século XIX.    


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Além de apontar os entraves à criatividade feminina, Nochlin 
também chama a atenção para a inexistência de condições favoráveis 
à descoberta da vocação artística das mulheres. A análise do papel da 
educação artística no desenvolvimento do talento e na identificação 
dos factores que levam a que um objecto seja considerado “arte” e 
uma pessoa seja considerada “artista” vêm desmentir a ideia de que o 
talento vem sempre ao de cima, independentemente das condições 
que o possam favorecer. Se é certo que uma enorme percentagem de 
homens artistas provém de uma família de artistas ou de um meio 
artístico, em relação às mulheres artistas isto é quase uma regra. De 
facto, não é por acaso que, desde o século XIII e até recentemente, 
a  tipologia  de  mulher-artista-filha-de-pai-artista,  ou  então  filha  de 
um pai especialmente empenhado na sua educação, tenha assumido 
um padrão tão persistente
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. Como também não é por acaso, sem-
pre segundo Nochlin, que, ao longo dos séculos, existam tão poucos 
artistas, mulheres ou homens, entre a aristocracia, embora tenham 
sido tantos os aristocratas a desempenhar papéis fundamentais no 
encorajamento  e  na  concretização  da  prática  artística.  Outro  dos 
obstáculos discutidos por Nochlin é o da identificação da mulher 
pintora com a pintora-amadora, que tem no desenho ou na pintura 
uma das marcas da sua distinção social.
Todas estas questões resultam de uma mudança do ponto de 
Catálogo: bitstream -> 10451

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